NEM NO IRMÃOS VAZ! E EU NEM CHUPO ABACAXI!
Valci Barreto.
advogado, jornalista, procurador jurídico UNEB.
De Jaguaquara, mora em Salvador.
Em jaguaquara, no bairro da casca, Godô tem uma quitanda que vende frutas , verduras e tudo mais que pode acomodar um pequeno espaço de tres por quatro metros.
Muitos passam por ali de carro e quando veem as frutas expostas em frente ao seu comércio param em cima do passeio e, quase fechando a porta da quitanda, vendo bonitos abacaxis, nem sempre descem do carro para serem atendidos.
No mes de junho de 2024, uma senhora jovem, simpática, com placa de carro de Salvador , estaciona quase fechando a porta da quitanda de Godo^, e pergunta:
Freguesa -Tem laranja.
G-sim
F -Estão maduras?
g-sim, senhora.
F-São boas, doces?
G- Isto eu não sei senhora, sei que os clientes não têm reclamado.
-E estes abacaxis, estão doces?
Godo é de uma paciencia quase infinita. Mas, tendo construído sua quitanda acordando quatro da manhã para vender montinhos de tomate na feira da cidade, detesta preguiçosos, apesar de com eles ter que conviver e dar-lhes a mesma atençao e doçura destinadas a todos os clientes.
Aprendeu cedo que o cliente tem sempre razão.
Mas, sendo humano, nem sempre consegue esconder seu incomodo, especialmente naquele momento em que , havendo outros clientes dentro da quitanda sendo atendidos, eram totalmente ignorados pela cliente que , de dentro do seu carro, parecia querer entravistá-lo mais do que fazer compras.
Enquanto atendia aos demais, respondia à cliente do carro que talvez imaginasse que a quitanda de Godo^ fosse um drive-tru.
Godô foi antecipando: senhora, temos laranja, limão, bananas, doces , rapadura, batatinha, batata doce…
A cliente do carro inciste: mas o abacaxi está doce?
Escondendo toda sua ira, Godô responde:
Senhora, isso eu não posso lhe garantir . Sei que os clientes que compraram não reclamaram.
A motorista não desce do carro, nada compra e vai se despedindo.
_Então tá. Vou ver em outro lugar, posso voltar aqui outra hora, pois agora tô com preguiça…
Sentado em um banquinho ao lado da quitanda, a tudo assistido, atento e buscando mais uma inspiração para seus contos e crônicas, o agronomo aposentado e escritor ,Ygor Coelho, dirige-se a Godô:
-Godô que moça folgada, heim?
Pois é, não é a primeira , não será a última. Estou acostumado. Embrulho, mastigo, engulo toda a minha impaciência, mas fico com vontade de lhe perguntar, dizer:
“Nos supermercados irmãos Vaz, pioneiro em supermercados em Jaguaquara, um modelo de empreendedorismo a ser copiado, voce estaciona o carro longe, vai andando até o seu interior, às vezes pega fila para pagar e não fica gritando de dentro do carro perguntando se o abacaxi é doce. Veja se vou chupar todas as frutas antes de comprar e de vender!
Tendo Ygor Coelho como seu particular “psicologo” naquele momento para ouvi-lo, e depois de ter atendido aos demais clientes , confessa:
-Detesto preguiçoso e nem de abacaxi eu gosto!
-Em Salvador, ela não vai estacionar na porta do supermercado e gritar para os funcionários perguntando se o abacaxi é doce.
Ygor , pacientemente ouvindo, apoia o amigo:
Ela não fará isso nem no IRMÃOS VAZ!
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