APRENDENDO, DIVERTINDO E SE DIVERTINDO, MESMO NA CRISE e entre as mazelas das nossas ruas,(COM FILHOS E NETOS)
Valci Barreto.
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Depois reviso, tiro excesso do texto. Ou não. Também não precisa ninguém ler. Eu só queria escrever. Há coisas melhores para serem lidas , viu gente?
Eu sempre me achei um craque em divertir-me em passeios pelas ruas de Salvador com as filhas , quando crianças, mesmo com as limitações de tempo e grana, fazendo agora o mesmo com os netos.
Sempre me faltou mais tempo do que grana. Não que eu tivesse grana. É que aprendi a fazer bons passeios de baixíssimo custo para o caso: andar a pé, de ônibus, agora de uber para perto, e metrô para qualquer distancia que possível for.
As filhas, quando crianças, divertiam-se, e eu também, com visitas a ferinhas, parques abertos(raramente vou `aqueles que cobram uma fortuna para os menios pinotarem naqueles trecos de parquinhos de shoppings. Eventualmente faço uma gracinha nestes ,mas meu “negocio” é outro: é caminhar mostrando as coisas, ouvindo suas interpretações e curiosidades do que veem, ouvem , tocam; andar em ônibus, visitar todo tipo de feiras acessíveis a crianças , como de livros, feiras livres, subir e descer escadas, elevadores , entrar em lojas, shoppings, clubes, e não deixar de fora, jamais, em meus passeios com eles, a entrada em livraria, salvo as exceções naturais.
Não sou consumidor voraz. Ao contrário, combato-o, respeitando quem compra tudo que vê pela frente. Cada um com seu vício, seu ponto de fuga. O meu jamais será comprar o que não preciso , na minha avaliação, na minha forma de ser e de ter as coisas, vivo bem sem os luxos. Eles até me atrapalham. Alguns próximos, dizem que tenho espirito de pobre. Fico feliz; “eles herdarão o reino dos céus”!” Para que coisa melhor? Como exemplo, minha mesa de casa pode ser uma porta usada , inclusive abandonada na rua. Morando sozinho, pegá-la ia , numa boa. Um compensado, algumas caixas de frutas juntas formando uma mesa é o suficiente. Importa apenas suportar e caber livros, papeis, note book, canetas em cima delas. Nem precisa caber prato ou xicara. Como sentado no chão. Mas sempre deixou um espaço especialmente para alguma visita que não consiga dobrar as pernas para sentaremno chão. E deve ter o tamanho suficiente para jogar ping pong nela.
Com as filhas pequenas, eu solteiro, lambuzamo-nos DE MESA GRANDE. Arranquei uma porta que não servia para absolutamente nada na casa , pus dois cavaletes embaixo na qual almoçamos e tomávamos café como as famílias italianas e ciganas de antigamente , jogamos muitas partidas de ping pong; riscaram, pisaram em cima, passavam faca para ver se a madeira era dura, coisas assim. Aqui é só um exemplo .
Eu quero uma mesa que sustente estes equipamentos.Eu sozinho, mesmo que ganhasse muito bem, eu não teria mesa , cadeiras, sofás como vejo em casas por ai, exceto se a profissão o exgisse. Fora isto, imaginando-me pintor, a mesa seria para por vasos de tintas e não para agradar os olhos das visitas e ter a sensação de que “moro em casa de rico” “sou rico” , “meu arquiteto é fulano”.
Que me perdoem meus amigos arquitetos, eu os contrataria para embelezar a frente da casa, sem duvida, mas no interior dela a arrumação a organização, os moveis, seriam só “OS MEUS”. Lixar, sim, mas pintar , envernizar, só o necessário para conservar a madeira...
Sim, eu gostaria de ter uma, casa grande, mesa bem grande , tipo das famílias antigas, de jacarandá, que durasse séculos se eu vivesse este tempo de vida e não tivesse que mudar de residência. Não sendo assim , qualquer tábua, caixa , resolve. A casa, bastava não cair pingueira sobre mim quando estivesse dormindo.
Estas coisas valem para mim como forma de viver e ser.
A mesma forma de ser e de viver repasso para meus passeios com netos. Como fazia com as filhas quando crianças.
Merenda, almoço, nunca faltou e ainda podem escolher um local “bonzinho” e até um “carinho”. Sempre tenho uma reservinha para atender a estes pedidos. Dei sorte. Nunca faltou e elas nunca exigiram.
Caminhadas, pelas ruas, parques, shoppings , shows , simplesmente andar em um ônibus(hoje quase proibido diante de tantos assaltos, negados ou subnotificados pelos órgãos públicos), feiras de todo tipo com acessíveis a crianças, teatros mais simples, sem longas filas nem ingressos caros, caminhadas, sempre foi o que quis ,fiz e que hoje faço com os netos.
Gostaria também de ter-les dado algumas viagens pelo interior .Como exemplo, visitar as fazendas de bodes do sertão da Bahia, caminhar pelas ruas, feiras, plantios de horti fruti em Jaguaquara, em estações de verão e inverno, bem definidos na minha terra, faltando apenas cair gelo.
Falo dos bodes de Uauá porque na minha cabeça, até hoje, não vi algo tão atraente para crianças, considerando os movimentos, os sons, as “acrobacias” dos “bodinhos maluquinhos”. Mas estes programas não seriam como aqueles passeios vapti vupt: chegou, olhou, se mandou. Não. Um mês duas vezes no ano. O segundo para matar a saudade do primeiro, se elas tivessem gostado.
Não mais pagarei estas dívidas pois já são adultas . Não gostaria de ter deixado esta dívida pendurada, mas vai ficar. Não há remorsos, fizemos outras coisas que também nos alegraram.
Meus netos da primeira filha moram em Brasilia com os pais e sempre em férias passam pelo menos uns vinte dias em Salvador. A da segunda filha mora em Feira de Santana. com dois meses apenas, a mae já a treina,mas ainda em casa e restarurante. Mas já está "doidinha " para perabular com o avô. Faltam uns aninhos.
Ontem 23 de julho de 2019,repeti com dois netos, um dos tipos de passeios que fazia com as filhas: rodar as ruas do centro, agora com mais um item, o metrô. O passeio teve inicio na Rodoviária de Salvador porque pretendia comprar mais um livro do BUKOWISKE ,na Ponto Cultural, mostrar-lhes a livraria, os ônibus chegando e saindo; pessoas circulando pelo espaço, e pegar o metrô para a estação da Lapa. Eles ainda não tinham viajado em metrô e comemoram a proposta do avô.
Queria comprar, nas mesma livraria o livro CARTAS NA RUA, de Bukowski, uma vez que o que tinha deixei em Feira de Santana como presente para minha amiga arquiteta Fernanda Fernades, amante de bike, musica, como comemoração do almoço que tivemos em Feira de Santana com filha , nora e a neta Marina.
Não encontrando, o livro CARTAS NA RUA, comprei AO SUL DE LUGAR NENHUM, do mesmo autor.
Os netos pediram dois livros e um boneco de dos seriados, o homem de papel.
Quando passeio com netos, e fiz o mesmo com as filhas, significa andar pelas ruas, mostrar pessoas, sapatos, brinquedos espalhados, ambulantes, cestas de frutas, tudo que se possa ver, ouvir, cheirar, tocar. Jamais faltando bibliotecas e livrarias se as houverem pelos caminhos . E sempre há, pois escolho locais que as tenham. Procuro ativar os sentidos. E caminhar muito. Cansou? Descansa e começa de novo. Por isto a Rodoviária: iríamos para o centro em Metrô.
Aproveitei para comprar o livro referido acima e para “fazer pesquisa de mercado” perguntando ao vendedor: qual autor, livro, vocês mais vendem aqui. A resposta foi imediata: Bukowski, especialmente os leitores mais jovens – vi, ali, porque também estou adorando o “o velho safado”.
Procuro mostrar tudo que o olho possa ver, os ouvidos cheirar, o tato pegar pegar; cores das roupas, tipos de vestimentas ,chapéus, mochilas, meias, cintos, bolsas de mulheres, cabelos, carecas, gente apresada, gente parada, e uma atenção muito especial para o que resta do belo acervo de prédios antigos de Salvador. Inclusive os que caíram e os que que cairão em cada inverno e verão, consumidos pela chuva, pelo vento ou pelos dois,
Mostro toda a sujeira, e algum pedaço limpo da cidade. O cheiro de xixi e fezes não preciso: eles sentem e me dizem, mesmo porque não tenho olfato. Na Junqueira Ayres , ao lado do Shopping Piedade, Center Lapa, avisaram-me : vovô “fedô de cocô e mijo”. Fiquem tranquilos, vão treinando o olfato, lugares por aqui, bem piores...disse eu para eles.
Passando pelo Jardim da Piedade, impossível não visitar meu amigo Lazaro que ali vende livros usados e dei sorte mais uma vez, adquiri um belo livro SALESIANO, 100 ANOS, que comporá minha biblioteca. Fotos dele já estão no meu instagram e serão postados aqui. Comprei alguns infantis escolhidos pelos netos, e algumas “Seleções Reader s Digest”, que continuo adorando, notadamente as mais antigas, que era o caso.
Nos passeios não podem faltar o registro fotográfico. Não produzo a quantidade que gostaria pela questão da segurança. Ou melhor, da insegurança generalizada, não só de assaltos, furtos de maquinas , celulars, como do assédio de muitos . MAS Fiz um bom número delas, narrando todos os lugares por onde passamos.
Não publicarei as dos netos. Mas o farei dos livros que adquiri, para não ficar de zero a “matéria”. Fotografar livros é mais seguro pois fazemos em casa, sem receios das mazelas das ruas.
Escrevo e publico como dicas para despertar pessoas que, às vezes por medo, outras vezes por alimentando o egoísmo pelo conforto, só os leva a shopping que nem de longe tem as informações, a sabedoria, os encantos, da ruas , ainda que contaminadas em nossa cidade por tantas e crescentes mazelas.
Acho que as pessoas, tão viciadas em shppings praias, parques ,pagos ou não, e também por comodismo, muitas vezes nem se lembram que estes passeios são tão encantadores para as crianças. Não me custa lembra-los que isto existe ,que é possível, que as crianças adoram e que são programas de muito baixo custo.
Aviso que raramente compro livro novo. Comprei dois ,novos de Bukowski. Doravante só comprarei se aparecerem no sebo no máximo por cinco reais e lerei no Kindle Ulimited. Até na Amazom está caro para mim: não compro acima de 5 reais, salvo raras exceções. Assinante que sou, lerei, no kindle no ILIMITED.
Quando falo sebo, estou me referindo a pequenos vendedores de ruas. Alguns deles, para driblar o desemprego, tem algum estoque em casa que recebem de doações.
Os sebos tipo lojas, estão vendendo muito caro. Entendo a situação deles: custos permanentes elevados: aluguel, luz, agua, banheiro, limpeza, iptu, equipamentos eletônicos, contador, muito tempo gasto com preenchimentos de documentos fiscais, perda de tempo e dinheiro com as engrenagens estatais e ainda pagando segurança privada Como ando muito a pé, converso com amigos sobre livros, termino descobrindo estes pontos, como LAZARO ,no Jardim da Piedade, Igreja do Rosario, na av sete que recebe doções e vende livros bem conservados por preços ótimos.
Há outros pontos e pessoas no Canela; Forte de São Pedro; ao lado Gabinete Portugues de Leitura; Largo 2 de Julho.
Que estes se reproduzam.
Minhas filhas iam a todos. Agora os netos já fazem o mesmo trajeto e voltaram felizes. Pelo menos foi o que demonstraram ao chegarem em casa contando o que viram e abrindo seus livrinhos e suas pequenas lembranças de um passeio que não fazem nem quando estão em outros países, por conta da pressa , egoísmo, falta de conhecimento, outras tantas dificuldades ou até mesmo falta de sensibilidade de muitos pais e avós.
As crianças amam as ruas. Rua nelas!
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