BIKE, BICICLETA, VALCI BARRETO , LITERATURA

3 de janeiro de 2024

valci barreto, colegio taylor egidio, jaguaquara

 120  ANOS DO COLEGIO TAYLOR EGIDIO EM CateCatedral Jaguaquaraxto feito ha cinco anos. REPUBLICANDO. 


Ex aluno ,Valci Barreto.

Aviso ,já no inicio, Se não quiserem ler o texto, assistem CINEMA PARADISO. É também e sobretudo dele, que também falo e  escrevo aqui.

Infelizmente não pude comparecer aos dos 120 anos do Colégio Taylor Egídio. Imagino os abraços trocados, os afagos, as lembranças , sentidas, festejadas, comemoradas ao vivo , pelos qu puderam comparecer.

Um simples depoimento, postado no whats App do grupo de ex alunos do CTE,  por uma ex aluna , neste momento participando das comemorações, postou, em outras palavras que tomar banho de agua gelada no internato do cte não tinha preço. 
Nascido e criado na localidade do alambique, entrada da Colônia dos Italianos, onde morei até os tres anos, levado pelos paris para morarmos na Fazenda Agua Doce, da família do ex prefeito Leonídio Fernandes, aos 9 anos fomos morar no Bairro da Casca , onde começou todo o relacionamento afetivo, no mais amplo sentido da palavra para uma criança , pensativa, ativa, de alma contemplativa, séría , mas bem humorada, mantido até hoje, misturando muitas lembranças e saudades. 
O realcionamento físico foi até o ano de l971 quando sai de Jaguaquara para estudar em Salvador.
Estudei apenas dois anos no Colégio 1970 e 1971.
Moramos no Bairro da Cascas e no da Muritiba. Gostava de bola, gude, caçar, criar passarinhos, ler gibis e Revista do Esporte,  uma espécie da Revista Placar dos dias de hoje.
Aos 15 anos soltei meu ultimo passarinho, um azulão, após bater  um papo com Deus pedindo-Lhe perdão pelo mal que fazia aos inocentes passarinhos. Tenho ceteza que ELe me perdoou. Se não perdoasse acolhesse um  arrependimento sincero não seria Deus.
Até hoje sou apaixonado por canto de passaros e não abandonei meus gibis ,  os quais me conduziram à paixão por livros e leituras , mantida a paixão até hoje compartilhada com filhas e netos. 

Aos nove anos passei a integrar-me, conviver, sentir, apaixonar-me por todo o univrso do Colegio Taylor Egídio: caminhadas, caçadas, canto de passaros , o verde da fazenda do CTE, com minusculos corregos e pocos d agua onde aprendi a nadar, pescar  piabas, acarás , trairas e jundiás .

Na fezenda do TCE  estava a olaria que produzia tijolos, telhas, onde ficava com amigos de infancia conversando com seus funcionários, todos moradores da casca, a exemplo de Bossa Nova que nos permitia fazer a melhores balas para bodoque com o barro da mesma olaria , em cuja pequena  lagoa de agua salgada aprendi a nadar e a megulhar(mergulhava de olhos abertos através dos quais visualizava “estrelas” imagens que só a infancia sabe captar . 
Lebro do dia que senti a emoção de ter aprendido a nadar e  mergulhar e naquele  dia, só conseguir voltar para casa  bem tardinha . No dia filei , pela primeira vez, a aula na minha querida ESCOLA RURAL DA CASCA e cheguei em casa no maior remorso,  tanto por ter filado a aula  como pela preocupaçao que sabia estar, naquele dia, causando à minha mãe, não acostumada a ter o filho sem chegar no horario do banho, almoço e troca de roupa para ir para a escola.

FUGA DE ALUNOS DO CTE. 
Vieram depois , como parte da história, muito emocionante, as fugas dos alunos internos que eram  "caçados" por vaqueiros, funcionários do Colegio e voluntários ,montados em cavalos, à procura dos fujões. Na cabeça  de uma criança é puro cinema! Como nossa imaginação ia longe por lugares que desconheciamos : foram para onde, fogem para onde,como chegam em casa, e se chegarem em casa, com qual instrumento os paes vão lhes dar uma surra? cinto, chicote...(lembrar que havia poucos carros  e  o trem só ia até jequié).
Quando passei , já adolescente, a morar na Muritiba, o UNIVERSO TCE já era outro .Não andava mais pela  Fazenda , estudava no Carneiro Ribeiro , no mesm bairro e em frente à minha casa passavam os estudantes, externos e internos , indo e vindo para o Taylor 
INTERNOS INDO AO CINEMA, HOMEM E MULHERES EM GRUPOS SEPARADOS, CADA UM GRUPO ACOMPANHADO POR SEUS RESPECTIVOS CENSORES.  NO CINEMA, TAMBÉM, FICAVAM EM LOCAIS SEPARADOS. 
 Nas passagens  dos internos para o cinema, um censor conduzia  as mulheres à frente, um censor conduzindo os homens após, com um espaço separando o masculino e feminino. Para nós, externos, já extranhavamos a separação, que se mantinha dentro do escurinho do cinema. E AI daquele que aproveitasse o escurinho para tentar "pular a cerca imaginaria" estabelecida pelos censores...O desino seria a "cana": dias sem direito a cinema e muitos e páginas, inteiras de exercicios com as palavras escritas com x cs,ç,s ss....por exemplo...
Após a minha 4a série, feito  todo o ginásio no Colegio Pio XII, a minha intenção seria seguir os estudos em Salvador e já estava mais ou menos de malas prontas, pelo menos na cabeça. Mas algo aconteceu , que contarei depois, apenas para os curiosos, para não ter que escrever aqui a minha biografia...fui estudar o primeiro e segundo científico no Colegio Taylor Egídio. O querido RENE DUBOIS foi até minha casa, oferecer duas bolsas de estudos no Taylor. Uma para mim, outra para meu queiro irmão, ANTENOR BARRETO, já falecido. Este gesto me marcou por dois motivos: a bolsa em si, mesmo retardando minha vinda para Salvador, e o fato de receber a sua visita em casa. Eu teinha uma grande admiração por ele , e ainda tenho, por tudo que ele representava para a cidade , mesmo eu tendo apenas , no maximo uns 4 encontros pessoais . Para mim era uma pessoa muito importante que minha timidez não permitir estar perto. As vezes que estive com ele foi ao lado de outras pessoas. Uma delas foi em uma serenta onde fomos parar no colegio e ele estava sentado em frente à sua casa. Chegou a pegar no vilão do querido Nivinho, de saudosa memória, deu uma dedilhada mas o devolveu . Até hoje não sei se ele já tocou violão. Mas o jeito era de quem havia pelo menos tentado…
ESTUDAR NO TAYLOR NAO ERA NOVIDADE PARA MIM. 
A unica novidade, para mim , ao começar a estudar no Taylor seriam os novos professors e alguns alunos internos. Eu já era "dono" e " movel”  do Colégio , já convivia com ele nos babas. `a época,1970  os internos já eram mais liberados . Inclusive muitos já frequentavam a minha casa,algumas alguns já dançavam ao som de vitrola que algum amigo levava , inclusive para nossa casa, e até já tomavam uns goles de batida de limão e cerveja . A final, aí , já era final de 60 e inicio de 70. Não cabia mais as amarras de antes nos relacionamentos internos/externos/internos /internas, embora ainda de freio meio puxado...
O internato, o própio colégio estava, então , perdendo o seu vigor . Haviam ainda algumas aulas boas, outras nem tanto.
Na nossa idade não sabiamos o que estava acontecendo . Apenas imaginavamos : muitos colegios sendo abertos em mutos outros municipios. A fazenda já não produzia , acho eu , nem mesmo os tijolos.
Até hoje, quando revisito JOSÉ LINS DO REGO, no seu ciclo da cana de açucar, lembro -me, com nostalgia,  do TCE da minha infancia e da saida da adolescencia: o ocaso, o fim de um ciclo, a substituição do Engenho pelas maquinas das Usinas . O mesmo escritor , quando fala das enchentes do Capiberibe, traz-me forte lembrança das enchentesde  do Rio da Casca, da forma de ouvir contar as cenas de fugas dos internos. 
Minha imaginação segue para longe... muito longe...cinemas ,inclusive, ao  filme CINEMA PARADISO, fantasio  de coisas que  nascem , agonizam renascem, se não fisicamente, pelo menos em nossas memórias.
Memorizar, imaginar, ler , escrito por ex alunos do TCE   que “não tinha  preço um banho gelado nos banheiros do CTE””, é transportar-me para as bacias de águas "temperadas"  por minha mãe em em fogão à lenha; é   fazer-me  sentir a dor na nunca, coluna,  quando imaginava o gelo nas costas dos internos do TCE ao tomar seu banho geçado. 
 A lenda ou verdade também chegavam até nós externos:  muitos internos não tomavam banho, apenas molhavam os pés....no inverno de Jaguaquara . Mesmo não podendo dormir nem andar muito sem tomar um banho, acho que, em minha toca da onça, sem agua  "temperada" , eu , à época , faria o mesmo... só os pés... 
Apesar da melacolia em que se encontravam os corredores , campos, espaços internos e externos do CTE , e de ter estudado apenas dois anos, não foi pouco para mim, ter como professores , o icone MARIO MOREIRA, o meu querido amigo e professor ARMANDO ROSA, Os dois Hilton;  a professora Francis, que me deu a ventura de acertar 98  das 100 questões  quesstões em Ingles no meu e que também me deu uma das maiores liçoes que uso até hoje e que usei  quando ocupei cargos de chefia: exercer autoridade sem gritar, berrar, ameaçar , ofender.  Pelo menos nos ambientes em que exerci estes cargos, isto foi possivel e devo a ela a lição. Ela nem sabe que aprendi apenas observando-a distribuindo as provas para nós...
Nestes dois  anos, de cte, eu e colegas passavamos no fundo da casa do professor Mario Moreirae às vezes concidia com a ida  dele ao colégio. Ele se integrava ao nosso grupo, para nosso orgulho . Os mistérios dos relacionamentos nos permitem fazer de um trajeto de alguns metros um ambiente tão rico, muitas vezes até maior do que entre as quatro paredes de uma sala de aula.
LAVADEIRAS DE ROUPA DESCENDO A LADEIRA DA CASCA 

Foi o que aconteceu comigo em todo o universo,interno e externo do CTE, desde ver a simples funcionária, ou filhos delas, descendo a ladeira da casca com trouxas de roupas para serem lavadas e devolvidas limpas e cheirosas , aos  átomos ,moléculas, do mestre , amigo, escritor Armando Rosa em suas aulas de Quimica, às microscópicas  crituras da natureza , de minha querida professora de Biologia  que esqueci o nome( passou pouco tempo; lembro-me  do nome do marido por ser diferente para mim, à época: QUIROGA). É a unica professora que adorei e não guardei o nome, em toda minha vida de estudante.

AINDA MARIO MOREIRA. 

Entre as paredes das salas e aulas do mestre Mario Moreira , as aulas que todos conheciam: rigor na gramática, leitura de versos em latim, mesmo não compondo mais o currículo, Literatura e, soboretudo o sorriso, o estímulo que era dado a mim e a alguns amigos, desde o fundo da sua casa, caminhando até a sala de aula, onde dava tempo para falarmos de escritores que ele recomendava sempre: os classicos portugueses e Brasileiros, que cito apenas um representando os demais: Camões, cujos versos recitava no caminho e nas salas.
Muito mais eu teria que contar, e ainda contarei, ainda que para mim apenas. Não para ser lido, mas para não esquecer. A memória nos  trai. O escrito conserva, mesmo nos tempos digiais. 
Não me senti feliz por não ter ido aos festejos. Mas um peso maior sentiria se  não registrasse estas simples e poucas lembranças, das muitas que ainda registrarei, dos 120 anos do CTE.  
Não falei de muitas coisas, inclusive de muitas que são fortes: as musicas dos alto -falantes ao lado do colégio, os  festivais de musicas, os sons de violoes dos internos que passavam cantando em frente à minha casa.  
Apenas quiz deixar o registro de que o Colegio faz parte de minha infancia, adolescencia e aos 67 aninhos, ele continua bem vivo como se ainda ouvisse os cantos de passarinhos da sua fazenda; os gritos de guerra das belas torcedoras dos times de futebol; visse jogando  os craques da época, a exemplo de Paulo Fedô, Val, Rai, Zone, Rosalvinho, Jair, Santo, Antonio José, Orlando deItaquara, Eucana, ….
Em Salvador, em jantar comemorativo dos cema anos do CTE, ouvi de uma ex aluna que lá estivera:
-Tenho que agradecer a Deus entrar na mesma sala e sentar na mesma cadeira que sentei nos meus tempos de Colégio. A frase, não exatamente igual, guardo como uma imagem que nem o cinema consegue  traduzir.
Mas é bom assistir CINEMA PARADISO. É disso que também falo quando lembro da minha toca , do meu querido Pio XII e de apenas dois anos dentro da salas do cte.
O melhor o tempo esconde...mas bem dentro aqui(caetano veloso, Trilhos Urbanos)
Não preciso desejar felicidades, alegrias, emoções  a  quem compareceu aos festejos. Elas já tomaram conta dos seus coraçoes.
Vida longa para o CTE, seus mestres , filhos,amigos de filhos.
Como são muitos cultores da nossa lingua, egressos do TCE, deixo para voces a revisão do texto. Fiquem à vontade para corrigi-lo . O mestre Mario Moreira vai me perdoar. 
Sei que está tudo boito ai nos festejos.  Isto mes faz feliz também.

Meu abraço , de quebrar ossos, a todos que estão ai e ao meu querido amigo, irmão, pai,mae, avô, Colégio Taylar Egídio.

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