EU , E A MUSICA. (uma homenagem ao meu fã clube e a João Gilberto)
valci barreto
FACEBOOK /VALCIBARRETO
YOU TUBE
BIKEBOOK.BLOGSPOT.COM.BR
O homem normal tem os sentidos que se conhece. Mas aqui falarei apenas da minha minha audição musical para, quem sabe, ajudar pessoas , especialmente pais, mães, parentes a estimularem seus filhos a se tornarem bons ouvintes e quem sabe cantarem e tocarem algum instrumento, ainda que apenas para dentro de casa.
Ajudar, também, pessoas que, com vontade, não tenham vergonha de começaram a brincadeira “com idade avançada”, como é o meu caso.
Nada de científico.
Muitos dizem:
- “não tenho ouvido para música, não sei entender as músicas de João Gilberto, o jazz não entra em minha cabeça e música clássica, é coisa de intelectual . (popularmente, chamam de música clássica toda música tocadas em orquestras. Mas, tecnicamente, música clássica é a produzida em um período histórico da música, 1700, 1800 por ai.)
Não sou músico. Não estudo música. Tomo umas aulas de violão, como diversão, com minha pró LUMA PINTO OLIVEÍRA, o que não se pode chamar de ESTUDOS DE MUSICA. No meu caso é uma boa brincadeira, um hobby.
A pró é competente, estudiosa, talentosa, mas eu é que peço:
-calma pró, quero só esta "merenda" hoje : " basta o desenho do Dó maior, os tres pontinhos...o som da palavra, Dó, deixa para a próxima aula. "
Ela entende e, mesmo com aquela carinha de “pro´ bondosa” que acha que o aluno está querendo "errolar”, a pró" , aceita meu pedido, respeitando meu ritmo lento de aprendizado.
Sempre gostei de cantar , mesmo sem saber . Aprendia as letras ouvindo poucas vezes. Mas totalmente sem contagem de tempo. E EU NEM SABIA O QUE ERA O TEMPO NA MUSICA. EU PENSAVA que bastava cantar a letra. Quando eu cantava Vinicius, eu mais recitava do que cantava... Depois das aulas da minha pró Luma Pinto, estou me dedicando a esta parte de ritmo, tempo, e acho que tenho melhorado. Ela diz que estou melhorando muito. As palavras são dela. Mas acredito cegamente no que ela me diz.
Porém, mesmo sem dividir o tempo, cantava em fundo de sala de aula e nunca uma viagem , passeio em grupos de amigos faltou o "meu canto".
Em 1971 ou 1972, participei de um passeio com minha turma do curso científico do meu Colégio Taylor Egydio, de Jaguaquara a Recife. Eu e meu querido amigo JAIRO SÁ, servidor da CAR, professor universitário estadual, Agronomo, fomos e voltamos o passeio todo cantando. Sabíamos muitas letras de música e ainda improvisávamos versos ,feitos na hora, o que antes nunca fizera e que nasciam ali, com rimas fáceis, tipo feijão com limão.
Até hoje foi minha melhor “apresentação”.
Acho que alegramos o passeio. A final, a turma participava , elogiava, se era só para nos agradar não sei.
Sei que amei termos cantando em todo o passeio naquele clima de “embaixadas”, como chamávamos à época, estes passeios.
Em Jaguaquara, participara, como acompanhante, de todas as serenatas de que tinha conhecimento, inclusive de cantores que se apresentavam no Cine Bahia e que depois iam para algum barzinho da cidade, a exemplo de OSVADLO FAHEL.
Dois amigos da minha época faziam serenatas quase todos os dias que não choviam.
A dupla fez história na cidade, na minha época: VALFREDINHO E NIVINHO, o primeiro cantava, o segundo tocava. Ambos já faleceram.
Mas Valfredinho não deixava quase ninguém cantar. Abria uma exceção quando o grupo aumentava e todos terminavam cantando juntos.
Vários anos apaixonado por uma amiga nossa, que os pais não queriam o namoro, amanheciam o dia cantando todas de Roberto Carlos. Entendíamos o coração e as exigências do amigo, a estrela das serenatas da época.
Nivinho queria todos cantando, mas era solidário ao cantor apaixonado, seu parceiro de todos os momentos.
Ou seja, eu não cantava, mas ouvia, acompanhava, respeitava o canto daquela dupla de "profissionais".
Em final de 1980 fui morar em Barreiras, trabalhar para o INSTITUTO DE TERRAS DA BAHIA, intermediar conflitos de terras tão presentes à época.
Fomos em tres, em uma caminhonete: Eu, Jussara Ladeia e Celio Urani.
Eu e Jussara, amiga querida , colega advogada, professora, durante toda a viagem íamos falando de literatura e cantando, quase tudo de Luiz Gonzaga, o nosso forte. Mas Valdick jamais ficaria de fora....Ambos gostamos de música e literatura( saudade dos dois.
Celio faleceu e Jussara nunca mais a vi. Vou procurá-la .
Na minha Rua da Muritiba, em nossa terra, JAGUAQUARA, eu e meu primo Gildasio Barreto, atualmente morador no Entrocamento daquela cidade, km 43 da Rio Bahia, proprietário de uma padaria, saíamos quase todas as noites, após deveres escolares e o jogo de bilhar no Bar de Seu Agapito, percorrendo, cantando, no bairro da Muritiba, músicas de Valdick, Nelson Gonçalves, Anisio Silva, Orlando Dias, Ataulfo
Alves, Teixeirinha , Caetano Veloso, João Gilberto, Vinicius, Noel Rosa, Agnaldo Timóteo, Roberto Carlos , Silvinho , Vandeley Cardoso, muita gente.... às vezes eramos acompanhados por alguns amigos após seus goles no mesmo bar, sendo a de Valdick Soriano , “bebo neste copo o fracasso, estou bebendo pelo amor de uma mulher” o “hino de um amigo apaixonado por uma bela da nossa cidade.
Cantávamos as versões de músicas inglesas, francesas, que no fundo do disco estava escrito : VERSÃO, REGINALDo ROSSI, que é o mesmo rei do brega da década de 80-90, autor que gravou o grande sucesso GARÇOM.
Ou seja, cantava, adorava cantar , adoro cantar , sabendo só as letras, nada de ritmo!! a voz? nem quero saber se agrada alguém...
Na minha vida de cantor tive alguns prêmios "prêmios" : na intimidade de algumas amigas, cantava baixinho nos seus ouvidos: “vem, meu menino vadio, vem sem mentir pra você” (Chico Buarque) ....e tinha o aplauso verbal, às vezes "compartilhado" para a "vizinhança".
"Ele canta tão lindo"..... Podia não ser verdade, mas eu acreditava e continuo acreditando que estava agradando...(Narciso acha feio, o que não é espelho), Caetano Veloso.
Na aula de música , no meu segundo ou terceiro colegial, na sala, os alunos foram convocados para cantarem alguma música. A minha foi a de Chico e cantei baixinho e bem dengoso, de proposito:
“você era a mais bonita das cabrochas desta ala “ (QUEM TI VIU,QUEM TI VÊ).
Terminada minha apresentação, uma colega , que ela me perdõe, não lembro seu nome, pois era muito quetinha... falou do meio da sala: Valci canta tão bonitinho!.
Confesso, foi como receber aplausos de um Macaranã lotado! É que não esperava , jamais,um bonitinho, também tão dengoso da colega.
Mas tenho meu lado triste de cantor.
Em alguns ambientes, fui cantar músicas como: “um cantinho um violão, este amor uma canção”... e recebi "coices coletivo": "pára esta musica triste"....."música de enterro" .
Os mesmos coices já recebi quando tentei cantar, em alguns ambientes, Love Me Tender, baixinho, com publico de cinco pessoas, número médio de público das minhas “apresentações......-“Isso é música ou reza?”” Isso aqui é igreja?” (feliz quem, desejando ouvir e cantar bem, escuta cantigos de igrejas! São as grandes escolas!!)
Um dia, estava em aniversário de um amigo , alguém com um violão, aproveitei aquele intervalo que nem mesmo o tocador sabe o que vai querer tocar ou cantar, e comecei/ “
“Disse um campônio à sua amada , minha idolatrada...diga o que quer,”(VICENTE CELESTINO) , que faz parte da minha infância, ouvindo-a nas peças trágicas apresentadas nos circos que passavam em minha cidade.
Neste dia, mal esbocei a primeira frase, vieram coices de todo lado...
Só não me jogaram cadeiras porque o músico gritou: “pára, pára, não joguem tortas , nem pedras em Valci.. É uma linda canção, que teve uma interpretação genial de Caetano Veloso.....”
O dono do violão e a citação do nome de Caetano Veloso salvou-me das possíveis cadeiradas em minha cabeça.... Também, como sempre faço, recolhi-me à minha insignificância. De certa forma, já estava acostumado, quando tentava cantar, em alguns ambientes .
“a felicidade é como uma gota de orvalho numa pétala de flor voa tão leve, mas tem a vida breve, precisa que haja vento sem parar’.
Entendo, de há muito, que ninguém é obrigado a gostar de muitas músicas. Que se pode rejeitar Caetano, Gil, João Gilberto. Muito menos alguém tem a obrigação de escutar LOVE-ME TENDER, em inglês, ainda mais por quem não sabe nem Portugues como se deve saber...
Que há pessoas para quem , em certos momentos, o que deve ser cantado é o “senta, levanta, mexe ...”
Em certos momentos e ambientes, também acho que cabe mais este estilo. Nada contra.
Porém, se alguém ,em meio a uma brincadeira de família , de amigos próximos, pouca gente, vai tocar ou cantar “musica ruim”, “musica triste”, “musica de velório”, “musica de igreja, não precisa dar pedrada no “artista”.
Óbvio que, da minha parte, entendo a todos. Sempre os entendi, pois li a Bíblia bem cedo, assisti na infância a muitos filmes sobre a morte de Cristo, estudei em colégio de religiosos e a frase me ficou:
“PERDOAI-LHES SENHOR, ELES NÃO SABEM O QUE FAZEM”,.
E ninguém é obrigado a ouvir ninguém, muito menos a quem quer cantar sem saber, que é o meu caso.
O mais triste que acho ,de tudo, são pais , mães, avós que, ao ouvir um filho cantando, vai gritando :
PARA DE CANTAR, ESTÁ ME ATRAPALHANDO, VOCE NÃO SABE CANTAR. VOCE É DESAFINADO!! Não imaginam os males que estão fazendo a seus filhos e netos em formação que não tem coragem para reagir e levam para o resto da vida a certeza de que CANTA MAL e se recolhe para jamais tentarem tocar ou cantar.Não imaginam que estão bloqueando a educação em vários sentidos, sobretudo criando a incapacidade de ouvir, de falar, de cantar, de educar o ouvido, de desenvolver a atenção.
Este pecado jamais cometi ou cometerei. Muito pelo contrário. Cante mais, peço eu, sempre e sempre a filhas e netos, mesmo que eles não me obedeçam.
Nelson Gonçalves foi rejeitado em quase todos os locais que tentou fazer teste para cantor. Até empurrão e tapas tomou em gravadoras....
Estou melhor que Nelson nesta parte. Não fui ainda tão humilhado...
Mas não precisa dar coice, né gente? Basta pedir ao artista: Canta não, toca não, canta outra, não canta nada...mas vamos fazer no dengo, na suavidade, na doçura vocal de João Gilberto...
A parte boa, também, na minha carreira é que tenho , contados nos dedos, hoje, um fã clube de mais ou menos 15 pessoas, cujos nomes serão revelados no final do relato, se eles me autorizarem . São pessoas que, não só me escutam, inclusive ao telefone, como pedem musica!!..
--continua nos próximos capítulos e personagem reais aparecerão, se me autorizarem.
EU E A MUSICA, CAPITULO DOIS.
Quem se lembra dos primeiros sons, das primeiras músicas ouvidas. Difícil . Impossível, até.
Nasci em 1951, 2 de maio.
Não tínhamos rádio em casa. Os sons primeiros da minha infância, que lembro, são evidentemente dos passarinhos, facões e foices cortando madeiras, fogues, em são joão , canto de galo, alto falantes de carros que passavam em tempo em frente de casa, em tempo de política,e de propaganda das CASAS PERBUCANAS,ONDE TODOS COMPRAM…
Minha cidade não tem rios, tem riachos. Sons inesquecíveis são muitos: a chuva no telhado, a fonte de agua doce, com uma bica , formada de madeira, por onde escorria e batia a agua na minúscula fonte onde meus pais e moradores da Fazenda Agua Doce, pegavam agua para beber e onde lavavam roupas; chocalhos em animais, enxadas, pisadas de cavalos, de pés de cavalos, bois, burros, cantorias em enterros (meu pai fazia caixões, mas não cobrava, então, e nossa casa era uma uma passagem para cemitério do Pé de Serra , Alto da Serra, zona rural de Jaguaquara, pequeno povoado.
Os cantos tristes dos sepultamentos são inesquecíveis.
Nesta fase da minha infância, o som mais belo, de gente, que eu escutava, era o que vinha dos trabalhadores, de uma casa de café, que ficava alguns metros, talvez 300 , da minha casa;
os cânticos das missas, procissões, ternos de reis uma vez por ano e bumba meu boi, mais frequente este quando vim morar na cidade. Eu dormia ouvindo aquele som de trabalhadores batendo feijão e pilando café. Este som e momento não caberia em um livro, fosse eu descrevê-lo.-
Em frente à minha casa, passavam grandes boiadas que vinham de Minas para o Porto de São Roque, segundo lembro das conversas dos boiadeiros. Os aboios, sons das pisadas das boiadas, cânticos dos vaqueiros, sons de copos de ferros, de alumínio, de gritos, berros de animais são também lembranças sonoras até meus 8 anos.
Antes dessa idade não me esqueço meu pai comprou ou recebeu como pagamento de divida, de um cliente, um violao. Não para ele ou para os filhos, mas para troca , “rolo”- Ele tinha uma pequena quitanda na Fazenda Agua Doce , de propriedade da família de Leonidio Pinheiro Fernandes (pai da minha amiga,conterrânea, funcionária da Justiça do Trabalho, Thelma Fernandes. O som daquele violão , tocado como teste pelo seu portador, que eu me lembre, me fez dormir dia pela primeira vez. Até hoje lembro da senção do som e do meu acordar pensando que era de manhã e já era de tarde. Lembro do gato que estava ao meu lado quando acordei.
QUE PAIS , AVOS, FAMILIARES, SOBRETUDO, jamais diga para os seus que ele não tem talento, não tem jeito, não nasceu para aquilo. Voces poderão estar inibindo, dificultando , alguem de aprender algo tão importante para a vida.
Encham suas casas de instrumentos musicais, deixem seus filhos bateram panelas , pratos, mesas,cantarem, assobiarem. Mesmo que eles não queiram cantar profissionalmente, os pais, familiares, estarão dando uma chance , estimulando-os a aprenderem .pelo menos para se divertirem entre amigos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário