BIKE, BICICLETA, VALCI BARRETO , LITERATURA

16 de agosto de 2022

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 BIBLIOTECA, LIVROS, BIBLOTECAS VAZIAS, VIOLENCIA URBANA.

SEM REVISÃO.
valci barreto, advogado, jornalista, nascido em Jaguaquara, Bahia,mora em Salvador
Hoje, 16 de agosto de 2022, ao abrir o face, vejo uma publicação da minha colega de advocacia, amiga querida, ELIANA COSTA, iustrada com uma imagem de bibloiteca antiga e o texto na mesma imagem: “Hoje os ginásios estão cheios de pessoas e as bibliotecas estão vazias. Temos muita gente com corpos perfeitos, mas sem nada para dizerem”...que pena!
A imagem e o texto, alem da autora, provocaram-me o desejo de falar sobre o tema , na minha visão experiencia.
A primeira biblioteca que conheci foi a que eu fui fazendo em casa, juntando livros meus e de meu irmão, antenor barreto, já falecido, tambe, a,ante de livros..
A segunda biblioteca, na verdade um “projeto” ,instalada por mim e meu amigo ALFREDO CERQUEIRA, no Ginásio PIO XII, final dos anos 60. Um dia , nós , no comando do Gremio do Colegio , juntamos alguns livros, até meio brincante, e fomos levando para uma sala do Pio XII. Eram livros simples, baratos, muitos deles das ediçoes de ouro que eu comprava pelo reembolso postal. Iriamos fazer em seguida uma campanha de arrecadação na cidade e entre os alunos. Isso foi iniciado em período de ferias, época em que, mesmo em tal perído , não havia muros, portões, chaves, fechaduras, grades, impedindo acesso aos corredores e salas do PIO, à epoca em torno de 500 alunos .
Deixamos lá os livros e não me lembro o que aconteceu com eles, vez que logo em seguida fui estudar no Colégio Taylor Egídio, na mesma cidade .
A outra biblioteca que conheci, foi a do COLEGIO TAYLOR EGIDIO, criada e organizada pela querida MIRALVA LEMOS, amante de livros, e Biblotecaria.
Profissão que exereceu ate se aposentar como bibliotecária da Petrobras.
O Taylor é conhecido nacionalmente , com uma historia de mais de 120 anos, ainda em funcionamento.
Perto da minha casa, eventualmente ia lá fazer leituras aleatórias, Entre o livros que li com muita paixão estava uma biografia , meio romanceada, de SIMON BOLIVAR, lembrando-me até hoje de passagens daquele livro, especialmente quando descrevia as travessias , a cavalo, que o heroi fazia, subindo e descendo aquelas montanhas de gelo do alpes andinos. Tenho vontade de relê-lo. A qualauer momento farei um busca pelos sites de vendas de livros .
Li a Constituiçao Federal, que me ajudou em inserçoes politicas que fazia em minhas redações, escolares ou que guardava como quem fosse publicar em jornal inexistente. Ela me serviu, também, para elaboraçao de um texto que me tornou “celebridade” , na cidade, publicado no JORNAL JAGUAQUARA. O meu artigo era uma defesa que eu fazia ao IVANILDO SILVA, diretor dos Correios , transferido da Cidade por conta de seus artigos publicados no mesmo, onde atacava a adminisstração local municipal. Abriei um capítulo deste texto para falar da fundação, do jornal e do IVANILDO em outro momento.
Frequentei aquela biblioteca que tinha o jeito que até hoje acho devam ser as bibliotecas: abertas , sem fichas, atendendentes, carimbos, cara feia de bibliotecaria e que seja aberta 24 horas. Esta parte também não havia, òbviamente, na do Taylor. Eu não a usava para estudos de materias escolares . Sim, para leituras gerais, pegando qualquer titulo que me interessasse. Foi pouco o tempo que a usei, pois já trabalhava, estudava, e me mudei para Salvador. No maximo frequentei por uns 10 meses. Não lembro, realmene. Pulo para Salvador.
Cheguei aqui em 1970, em tempo de ferias. Já conhecendo a fama da Biblioteca Central,nos Barris, caminhei para lá, do bairro da saude, onde morei primeiro em Salvador. Achei cruel para meu gosto e habitos interioranos, onde tudo era aberto, sem fichas, sem outras burocracias, ávido para ter o livro de imediato em minhas maos, olhar as parteleiras e pegar o que eu queria. Ao contrario disso, um balcao entre os “clientes” ,uma atendente que funcionava assim:
Voce chegava ao balcão, vinha uma atendente, algumas , como sempre super atenciosas outras como que carregava dores e pesos por todo o corpo, entregava-nos um pedaço de cartolina padronizada, onde voce escrevia o que queria, o tema, o livro, e , ao final, postava sua assinatura. A funcionaria ia la, muitas vezes, para meus hábitos, com a demora que deva para ler muitas paginas de um livro, voltava, entragava-nos nlivro. Sentavamos à mesa, fazia a leitura , retornava ao balcao , ela ia buscar a ficha, pegava o livro , dava a baixa e iamos embora. Se pedisse mais de um livro o sofrimento era maior. E muitas vezes a dor de receber um livro com páginas arrancadas, cortadas, riscadas. Frequentei pouquissimas vezes, não somente por ter começado a trabalhar durante o dia e estudar à noite, -não abria aos sábados nem domingos) como por lembrar da burocracia de acesso ao livro. Eu fazia as contas: ida e volta, a pé, uma hora. ou mais, tempo da leitura, falta de grana para almoços, merendas na rua e concluia que não valia a pena. Todas estas dificuldade, na forma de vida que hoje tenho, inclusive mais paciencia e mais tempo, enfrentaria as burocracias, acostumar-me-ia com com elas com a paciencia que a indade nos dá para algumas atividades. Mas outro obstaculo, piores do que os da época, se apresenta para mim e para todos que pretenda frequentá-la: a violencia urbana.
OBSTACULO DA VIOLENCIA URBANA, AUSENCIA DE TRANSPORTE, TEMPO DE DESLOCAMENTO .
Hoje, em qualquer horario , pegar um ônibus em Salvador é uma ação altamente arriscada e demorada. Mesmo se voce não for assaltado voce se deslocará sempre com medo ,olhando para cada pessoa que ingressa no onibus. O medo tomou conta de todos os espaços. E o local onde está a biblioteca é um dos mais vulneraveis , em qualquer horario, notadamente à noite, do centro da cidade.
Hoje, o rico, classe media , a não ser pesquisadores profissionais, os dedicados a um interesse muito especifico, não precisa de biblioteca. Mas , imaginando uma pessoa que more a 3 km dos barris, tendo que pegar um onibus ou ir a pé para a biblioteca central. Começa que o onibus pára na Piedade ou no terminal da lapa . Dalí voce vai caminhar por um bom tempo e no caso do terminal da Lapa, subir escadas. No meu caso, gosto de caminhar, e muitas outras pessoas gostam. Mas sob sol quente, suado e ainda sob risco de uma abordagem de marginais, a missão será sempre desanimadora,
Ha alguns anos, li o livro A PAIXAO PELOS LIVROS, com textos de de varios autores , entre eles Catano Veloso, cada um escrevendo sobre suas paixões, paixões de outros, pelos livros. Nesta obra há um comovente texto do russo CHALAMOV contando seu sofrimento em busca de leitura e de livros. Preso, por questões políticas, sofria pela ausencia de livros e pela luta que travava para te-los em maos. Após sua soltura, o sofrimento em busca de livros por onde passava. Ele narra, tambem, a má vontade , as caras feias e burocracia que encontrava em biblotecas às quais acorreu. Quando li o texto lembrei-me das minhas primeiras visitas ´a BIBLITECA CENTRAL da época nos Barris.
Hoje, somando todas as dificuldades de acesso ´as bibliotecas, sobretudo custo de tranporte, alimentação, tempo, para quem mora distante delas, vieram as redes sociais, a possibilidade de acesso a zilhoes de livros gratuitos pela net, que voce acessa com um click. Para quem pode comprar, o infiito número de livros, filmes, palestras, e book , sites de aquisição de livros fisicos e de livros digitais concorrendo para que as bibliotecas, que já eram pouco frequentadas, tenham ainda menos gente em seus corredores, salas e mesas .
TERMINAM AS BIBLIOTECAS PRATICAMENTE SERVINDO APENAS PARA A COMUNIDADE VIZINHA A ELA.
Para quem mora nas vizinhanças, e ama livros, precisa delas para estudos e pesquisas, é um grande premio: terá sempre livros disponiveis sem nem mesmo precisar ter quantidade de livros em casa. E nao precisa ter o minimo de custo de tempo e dinheiro para limpa-los, arrumá-los, conserva´-los. Mas para os não vizinhos , sobretudo para quem trabalha, ó acesso é quase impossível. Daí andarem quase sempre vazias.
AS BIBLIOTECAS FISICAS , COMdeO TUDO QUE VEIO DEPOIS DA NET serão de outras formas e terão outras finalidades.
O mundo cultural sempre exigirá investimentos de governos para terem teatros, biblootecas, cinemas . A pressao será sempre grande e legitima da população. Mas as futuras bibliotecas não terão livros fisicos . Tudo será digitalizado, mesmo os documentos antigos. O conhecimenteo não acabará, assim, por falta de gente nas bibliotecas pois as acessarão das suas casas. Mas como o ser humano dificilmente se libertará o contato fisico entre eles , as biblotecas serão pontos de encontros de pessoas interesadas nesse encontro e nos temas. As pessoas irao ali para acessarem e discutirem entre si, como fazem ao irem a um shopping , quando vão sem intenção de consumirem.
Ainda não chegamos a isso. Mas para mim, que não sou pesquisador, profissional da culutura no sentido estrito da palavra, senti falta das bibliotecas em um certo tempo da minha vida. Mas esse tempo não mais será recuperado. O tempo não volta. Nãõ há um sofrimento, uma depressão por causa disso, pois sempre tive o que ler e nunca parei de ler. Obvo que gostaria de ter vivido ao lado de uma biblioteca, uma quadra poli esportiva, com futebol, tenis, mesa de ping pong, sinuca,, mar, rio, cinema, cinema , um grande quintal ou fazenda e outras coisas mais . Mais ninguem nunca tem tudo. Porém, em materia de livros, mesmo sem frequentar uma biblioteca, por todos os obstaculos que hoje sinto em relação a elas, sobretudo a violencia urbana, não sinto qualquer falta. Sinto mesmo é não ter mais de 24 horas para ler os que tenho em casa, os que posso comprar, os que já tenho no kindle, cuja letura me adaptei muito bem. Confesso, com as limitaçoes naturais da visão de um idoso, ler os livros digitais é muito mais confortável. E ainda posso ouvir, gratuitamente, na relatividade das coisas, pois tudo tem um preço,audio livros , sobretudo dos grandes classicos da humanidade.
Eu quero , desejo que elas existam, pois não são feitas somente para uma pessoa, mas, para mim, não sinto qualquer necessidade de ir a uma bibloiteca. Muito mais fácil, barato, sem riscos da violencia urbana, sem encontrar caras feias no atendimento ( A do Barris, fiquei encantado com o atendimento. Isto foi antes da pandemia. Passava por lá dei uma entrada para ver alguns jornais, matar um pouquinho a saudade das minhas primeiras visitas àquele monumento, que espero sobrevia, ainda que tudo de forma digital. Mas hoje não sofro pela ausencia da biblioteca. Mas gostaria de ver o cinema funcionando, que também deixei de ir porque: não quero ir de carro, de uber, e a pé jamais irei, como não mais vou nem a cem metros de casa à noite .
O que escrevo aqui é minha visão, experiencia pessoal e faço uma observação: O LIVROS DIDATICOS SEMPRE FORAM E CONTINUAM CARÍSSIMOS, INCLUSIVE OS DIGITAIS.
A industria editorial sempre foi muito “malvada” com quem precisa dos didáticos. Professores alegam que estudam muito, trabalham muito e que as editoras cobram muito para editar , publicar, distribuir. Não entro nesse merito, pois o que importa para nós , para os estudantesm para os consumidores, é o que tem que ser desembolsado para acessar um livro, ainda que digital. Neste caso só intevençao estatal para uma solução. Se depender de professores, editores, distribuidores, qualquer livro será sempre uma fortuna. .
Desde que me conheço, ouço falar , e acredito, que os editores sejam os maiores beneficiários e responsáveis pelo alto custo dos didáticos. Mas hoje tempos muitos professores editores, com grandes editores, universidades com editoras e mesmo as editoras e universidades publicas não conseguem baixar os preços. NEM mesmo dos DOS DIGITAIS. Paro aqui, esta parte para pronunciamento dos experts em custos, de livros didáticos.
Neste caso , as bibloitecas publicas poderiam ser uma saida para quem nao pode comprar , nem mesmo os digitais ,Porém, socialista por um lado, mas capitalistas na hora de vender seus livros, , professores, escritores didaticos e industria editorial, carregam nos preços em atenção à lei da oferta e da procura, e do monopolio do ensino. Fossem depositados exemplares em bibliotecas publicas, mesmo digitais, ainda que reduzisse a clientela a estudantes da area especifica, as bibliotecas poderiam ser mais amigas, a cidade mais amiga, a ciencia, o conhecimento mais amigos.
Como não são, as bibliotecas continuarão vazias,vez que , tanto os físicos usados, digitais, não didáticos, estão a preços bem generosos e facilmente encontráveis nas redes , usados e conservados, e digitais clasicos, de dois, tres reais, a exemplo de coleções da literatura brasiliera. E para quem le em Ingles, mais barato ainda muitos lançamentos.
Como a violencia somente vai piorar, pois tem que chegar ao caos total para resolver, por mim continuarão vazias as bibloitecas. Mesmo amando livros . Igualmente a mim, são milhares que gostariam de frequenta-las mas não querem enfrentar as dificuldades, sendo que uma delas pode -lhe custar a vida.
Os ginasios cheios não signfica que não estudem, não leiam, não tenham que dizerem. Não ´s só por eles que os ginásios estão cheios. São novos tempos em que a saude física tamém é , e deve, ser cultuada. Com ou sem eles as bibloitecas continuarão cada vez mais vazias. Sao novos tempos que também afastam idas a restaurantes e bares, optando as pessoas pelo crescente delivery. E o número é crescente, mesmo com milhoes de pessoas ainda preferindo, como eu, encontrar pessoas em locais de cultura, abraços, papos, festejos , hoje afeitos ao ambito dos condominios fechados .
Talvez estejamos precisando de um condominio fechado, ´só para livros e bibliotecas. A segurança nas ruas seria um grande fometador de idas a bibliotecas. Mas , quem tem coragem? Eu não tenho.No caso da dos Barris, até dia dia perigoso.
Aviso aos contestadores da violência urbana,que dizem Salvador não ser violenta, ser calma e pacifica. Voces só me convencerão do contrario se, a partir das 18 horas, descerem alguns locais que escolherei para voces andarem nas ruas falando ao celular. Prometo não escolher os piores, os mais violentos. Não vale com segurança armado.
Não sou pessimista. Sou relista.
valci barreto,salvador. 16.08.2022

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