FABIA ,HOSPITAL PORTUGUES, JOAIMA, JAGUAQUARA,
Valci barreto.
Advogado, jornalista baiano, mora em Salvador.
Estou no Hospital Português para realizar exames de sangue e
urina. Cheguei antes das 7 da manhã e após
o preenchimento daqueles papéis cheios de avisos e advertências que li
para saber se não estava assinando
algumas dívidas impagáveis como costumam fazerem os bancos ao oferecer alguns
dos seus serviços ,assinei-os. Após, indicando –me a atendente o local onde seria colhido o meu sangue para
ele me dirigi.
Uma moça branca, mais ou menos 1,60 metro de altura, magra, sorrindo pelos olhos e parte da face, já que a máscara não me permitia vê-la
inteira, pediu-me que sentasse e deixasse minha mochila em um pequeno espaço
ao lado.
Sentado, estendido o braço, achada a veia e colhendo o sague ela me fez a pergunta que muitos me
fazem: O senhor é professor? Respondi-lhe que não; que ensinei por
aproximadamente uns três anos, no Início da Uneb, e no Colégio Padre Vieira,
ambos em Barreiras, o que não me tornava
professor ante o curto período em que exerci essa bela profissão.
Dizendo-lhe que sou advogado e jornalista, mas que o advogado
era que pagava ao jornalista, disse-me
que pensou em fazer advocacia, mas percebeu ,em tempo, que não se adaptaria ao ambiente
“pesado” da Justiça e por isso estava ali, na área de saúde.
A suavidade dos seus movimentos, doçura da voz , do olhar ,
da forma como atendia, deu-me a certeza de que ela estava no lugar certo e não
no de demandas, desavenças e burocracias comum à Justiça de qualquer lugar do
mundo.
Após a colheita do sangue, diz-me ela que se eu quisesse
poderia ir para a sala que me apontou tomar um café , comer um biscoitinho. Não
sou viciado em café. Mas se está em minha frente muito fácil , é mais provável
que eu o tome. Vendo a sala bonitinha, uma mesa e uma cadeira (adoro mesa e
cadeira!) a máquina de café, aperto no “chocolate longo” que enche o copo
descartável enquanto uma senhora me oferece os biscoitos em um saquinho
plástico .
Não me contive e “ataquei”: tem almoço, janta, outras
merendas? Não preciso de sofá, mas posso ler um livrinho aqui? A equipe, rindo,
respondendo que sim, comecei a comer os
biscoitos.
Não sou diabético, mas tenho evitado doces, biscoitos
industrializados. Mas , naquela festa,
não havendo jacas, goiaba, banana, manga, fui de biscoito , não pela fome, mas
pela festa !
FALTAVA O EXAME DE URINA.
Aos 71 anos, pela
primeira vez fui fazer um exame de urina sem levar o material. Estou
viciado, há mais de 20, minha esposa já ao acordar começa a investigação e
diligencias : já pegou o material, colha o material, faça isso , faça aquilo. Ou seja, minha agenda para exames médicos e
laboratoriais de um modo geral. Mas, não
tendo dormido em casa ontem, descuidei-me por completo.
Dizendo a equipe que eu poderia voltar mais tarde, que teria que reter liquido por pelo menos
duas horas, disse-lhe que preferiria aguardar as duas horas ali naquele espaço
com ar condicionado , lugar para sentar e com meu kindle na mochila, duas horas de leitura
me faria melhor do que ir em casa e voltar mais tarde ou em outro dia. Foi o
que fiz: abri meu kindle e recomecei a leitura de Guerra e Paz de Tolstoi.
Bebi agua suficiente e quando estava na hora e no “ponto”
para colher o material assim o fiz.
Após, dirigi-me para entregar o material e quem me atendeu
foi a mesma moça que colheu o sangue e ela brincou: finalmente agora o senhor
ficará livre ,disse me com a mesma
doçura de antes. Ouvindo seu sotaque que não era baiano, perguntei-lhe, se ela
era Salvador, respondendo-me que era de Joaima, Minas Gerais.
-Terra do grande artista, cantor , compositor, Eduardo Araujo,
eu lhe disse, empolgando-a , especialmente depois que lhe falei que EDUARDO ARAUJO tem muitos familiares em
Jaguaquara, Itaquara, a primeira, minha terra, ao que ela respondeu: passo em
Jaguaquara , quando viajo para Joaima, local frio...
Diligente no trabalho pede licença para levar o material para
o exame laboratorial. No balcão eu pensava que o meu atendimento ainda não
havia acabado, condicionado que já estou em a cada passo do nosso país, ter que
assinar um papel....Não tenho mais nada para
fazer? Perguntei-lhe. Sim ,o senhor já está livre...(livre eu estava .ali
, “passeando “ pela minha terra, pelas
serras , rios, vales e Vale do Jequitinhonha mineiros que fazem a doçura da música dos seus cantores tão
especiais. E mesma que vi e ouvi e vi nos gestos e voz de Fabia em um curto
espaço de tempo.
Saí feliz.
Muito obrigado e parabéns para todos que me atenderam . O hospital Portugues, tenho
testemunhado, mantem um sistema de atendimento exemplar, carregado de
humanidade nas suas relações com seus pacientes .
Como no cinema, teve a parte triste quando, sentado,
lembrei-me de milhões de pessoas no mundo, inclusive bem pertinho de nós, que
mal conseguem adentrar casas de saúde que mais parecem hospitais de campanha de
países em guerra.
Que vençam a doçura, simpatia, humanidade, que vi e ouvi
de Fabia, técnica de laboratório de
Hospital Português, a quem elejo para estender meus agradecimentos aos demais
funcionários que me atenderam neste 09 de março de 2022.
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