BIKE, BICICLETA, VALCI BARRETO , LITERATURA

11 de março de 2022

FABIA ,HOSPITAL PORTUGUES, JOAIMA, JAGUAQUARA, SALVADOR, BAHIA, VALCI BARRETO

 

FABIA ,HOSPITAL PORTUGUES, JOAIMA, JAGUAQUARA,

 

Valci barreto.

Advogado, jornalista baiano, mora em Salvador.




 

 

 

Estou no Hospital Português para realizar exames de sangue e urina. Cheguei antes das 7 da  manhã  e  após o preenchimento daqueles papéis cheios de avisos e advertências que li para  saber se não estava assinando algumas dívidas impagáveis como costumam fazerem os bancos ao oferecer alguns dos seus serviços ,assinei-os. Após, indicando –me a atendente  o local onde seria colhido o meu sangue para ele me dirigi.

 

Uma moça branca, mais ou menos 1,60 metro de altura,  magra, sorrindo pelos olhos e parte da face,  já que a máscara não me permitia vê-la inteira,  pediu-me que sentasse  e deixasse minha mochila em um pequeno espaço ao lado.

Sentado, estendido o braço, achada a veia e colhendo o  sague ela me fez a pergunta que muitos me fazem: O senhor é professor? Respondi-lhe que não; que ensinei por aproximadamente uns três anos, no Início da Uneb, e no Colégio Padre Vieira, ambos em  Barreiras, o que não me tornava professor ante o curto período em que exerci essa bela profissão.

Dizendo-lhe que sou advogado e jornalista, mas que o advogado era que pagava ao jornalista, disse-me que pensou em fazer advocacia, mas percebeu ,em  tempo, que não se adaptaria ao ambiente “pesado” da Justiça e por isso estava ali, na área de saúde.

A suavidade dos seus movimentos, doçura da voz , do olhar , da forma como atendia, deu-me a certeza de que ela estava no lugar certo e não no de demandas, desavenças e burocracias comum à Justiça de qualquer lugar do mundo.

Após a colheita do sangue, diz-me ela que se eu quisesse poderia ir para a sala que me apontou tomar um café , comer um biscoitinho. Não sou viciado em café. Mas se está em minha frente muito fácil , é mais provável que eu o tome. Vendo a sala bonitinha, uma mesa e uma cadeira (adoro mesa e cadeira!) a máquina de café, aperto no “chocolate longo” que enche o copo descartável enquanto uma senhora me oferece os biscoitos em um saquinho plástico .

 

Não me contive e “ataquei”: tem almoço, janta, outras merendas? Não preciso de sofá, mas posso ler um livrinho aqui? A equipe, rindo,  respondendo que sim, comecei a comer os biscoitos.

Não sou diabético, mas tenho evitado doces, biscoitos industrializados. Mas  , naquela festa, não havendo jacas, goiaba, banana, manga, fui de biscoito , não pela fome, mas pela festa !

FALTAVA O EXAME DE URINA.

Aos 71 anos, pela  primeira vez fui fazer um exame de urina sem levar o material. Estou viciado, há mais de 20, minha esposa já ao acordar começa a investigação e diligencias : já pegou o material, colha o material, faça isso  , faça aquilo. Ou seja,  minha agenda para exames médicos e laboratoriais de um modo geral.  Mas, não tendo dormido em casa ontem, descuidei-me por completo.

Dizendo a equipe que eu poderia voltar mais tarde,  que teria que reter liquido por pelo menos duas horas, disse-lhe que preferiria aguardar as duas horas ali naquele espaço com ar condicionado , lugar para sentar e com  meu kindle na mochila, duas horas de leitura me faria melhor do que ir em casa e voltar mais tarde ou em outro dia. Foi o que fiz: abri meu kindle e recomecei a leitura de Guerra e Paz de Tolstoi.

Bebi agua suficiente e quando estava na hora e no “ponto” para colher o material assim o fiz.

Após, dirigi-me para entregar o material e quem me atendeu foi a mesma moça que colheu o sangue e ela brincou: finalmente agora o senhor ficará livre  ,disse me com a mesma doçura de antes. Ouvindo seu sotaque que não era baiano, perguntei-lhe, se ela era Salvador, respondendo-me que era de Joaima, Minas Gerais.

 

-Terra do grande artista, cantor , compositor, Eduardo Araujo, eu lhe disse, empolgando-a , especialmente depois que lhe falei  que EDUARDO ARAUJO tem muitos familiares em Jaguaquara, Itaquara, a primeira, minha terra, ao que ela respondeu: passo em Jaguaquara , quando viajo para Joaima, local frio...

Diligente no trabalho pede licença para levar o material para o exame laboratorial. No balcão eu pensava que o meu atendimento ainda não havia acabado, condicionado que já estou em a cada passo do nosso país, ter que assinar um papel....Não tenho mais nada para  fazer? Perguntei-lhe. Sim ,o senhor já está livre...(livre eu estava .ali , “passeando “ pela minha terra,  pelas serras , rios, vales e Vale do Jequitinhonha mineiros que fazem  a doçura da música dos seus cantores tão especiais. E mesma que vi e ouvi e vi nos gestos e voz de Fabia em um curto espaço de tempo.

Saí feliz.

 

Muito obrigado e parabéns para todos que me  atenderam . O hospital Portugues, tenho testemunhado, mantem um sistema de atendimento exemplar, carregado de humanidade nas suas relações com seus pacientes .

Como no cinema, teve a parte triste quando, sentado, lembrei-me de milhões de pessoas no mundo, inclusive bem pertinho de nós, que mal conseguem adentrar casas de saúde que mais parecem hospitais de campanha de países em guerra.

 

Que vençam a doçura, simpatia, humanidade, que vi e ouvi de  Fabia, técnica de laboratório de Hospital Português, a quem elejo para estender meus agradecimentos aos demais funcionários que me atenderam neste 09 de março de 2022.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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