BIKE, BICICLETA, VALCI BARRETO , LITERATURA

3 de novembro de 2019


BARQUNHO DE PAPEL EM LAGOA DE POUCO VENTO, LÁ VOU EU...

Valci barreto
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Há coisa que você faz como  um simples assobio, uma  passada de pente ou mãos  no cabelo, sem estar em frente ao espelho. Só dá uma ajeitada e segue seu caminho, sem nem mesmo observar se dez minutos depois o vento o desalinhou. Foi assim que comecei  aprender a tocar violão. Nada de show, de apresentação em público, gravar cd, nem chegar perto de Joao Gilberto quando ele tinha cinco anos. Nada disso, São quase três anos , quase, tomando aulas. Não sei se aprendi o que outro teria aprendido no mesmo tempo. Em tres anos ,algumas pessoas  já estão gravando cd,  fazendo shows em festas, pelo menos em cidades do interior, barzinhos ....Eu Não  sei se aprendi cinco músicas. Mesmo porque aprendo 5 desaprendo tres, sobrando sempre duas. A marca de duas já alcancei e a mantenho. Toco duas DIREITINHO.

Terminado o primeiro ano de aulas,  a minha professora  ,  Luma Pinto, organizou um  encontro dos seus alunos para encerramento do seu ano  letivo musical. Disse que seria no salão de festas do prédio de sua irmã . Ora, mesmo sem saber tocar ou cantar, eu iria. Como seria muito simples, segundo ela, lá fui eu. O simples que ela dizia para mim já era um ambiente acima do meu "talento" e até mesmo aprendizado. A professora me enganou. Lá estavam familiares dela, as alunas, pais, um negócio que eu vou dizer assim, mais sério, maior do que eu pensava. Enfrentar público,  cantando sem saber, em onde isto era possível , tipo eventos de escolas, nunca foi problema para mim.
  Subia nos palcos da minha escola , desde 12, treze anos, de sorte que o público não me assusta. Falar em público, pode ser  por um Maracanã lotado em minha frente  que falarei como quem bebe água.
Para falar, ainda  que eu apenas diga: pessoal, vim aqui para expor sobre carroça. Mas como eu não sei falar de carroça, falarei apenas sobre a roda dela.

Mas para cantar, tocar, não, pois ainda não sei. De sorte que já na  primeira apresentação , foi um passei um sufoqunho.  mesmo porque a musica não estava do jeito que eu gostaria para apresentá-la. mas fui lá e dei meu recado.

Cantei duas e toquei duas , uma diferente da que a professora queria: Dei uma erroladinha e cantei uma mais fácil que  já dominava. Justifiquei. Ela fez de conta que não se importou. Como não havia banda, ninguém acompanhando, a não ser ela me ajudando a cantar, não houve problemas. Não atrapalhei a banda porque não havia.

 Veio  a segunda apresentação e  dizendo ela que seria na casa de um amigo, hoje amigo comum nosso e aluno dela. Fui e me apresentei. Mas já naquele ano senti uma coisa maiorzinha...De novo, uma das músicas não estava como eu queria. ..mas ela insistia e já era que “me enrolava: voce está bem para se apresentar... lÁ FUI EU. Não levei meu violão. Usei o da professora. Na hora da música, confesso, deu-me uma pequena tremedeira...Não era o público que assim me deixava. Era a falta dos pontinhos para orientar os dedos na colocação dos acordes. Macetinho bestinha, mas me atrapalhou um pouco,  me deu insegurança. Os dedos “gaguejavam” .  Mas desta vez toquei e cantei as duas que ela recomendara. Não dava para “enganá-la” a segunda vez.

Evoluira: toquei e cantei duas um pouco mais difícil  do que as do primeiro encerramento . Eu achei que errei muito...A bondade da professora, da minha filha Juliana, e de mais alguns amigos ,disseram-me :  voce foi bem...etc. Vi os vídeos e achei até que não fui tão mal quanto eu imaginava. E acho que melhorei em relação à primeira apresentação.

Lembrando, aqui de novo, que eu não queria apresentação em público, festa de "formatura"; queria apenas tocar em casa para aqueles encontros inesperados em que há um violao e alguém cansa e diz: alguém quer tocar.? Nada mais que isto.
Este ano, a professora , convoca para mais uma vez. Valci vamos fazer de novo o encerramento. E desta vez será com banda, no SESI. Recebi a notícia do mesmo jeito das priemiras UMA COISA SIMPLES. Apenas achei a inclusão de uma banda uma coisa por assim dizer, para mim, desnecessária, um luxo, uma apresentação bem acima do que eu me propunha no início do curso.

O Teatro SESI ja é minha casa no sentido de que  frequento-o há anos.  Talvez por isto não tomei susto de imediato..é uma sala da minha casa. Assim processou, acredito, a minha cabeça...Nem "dei importancia" quando a professora pronunciou seu nome como o local onde eu iria tocar,cantar.

 Fiquei assim como se a professora, no intervalo de uma aula me pedisse para lhe passar um copo de agua.  O sentimento foi o mesmo . Quando ela falou vai ter benda...minha cabeça processou: Ela quer  agua com gaz. Está fácil pois há as duas aqui.

E assim lá vou eu feito barquinho de papel em pequeno lago de pouco vento, inocentemente sendo levado por ele.
Estes dois dias, foi que parei para pensar, estou indo mesmo para onde, minha pró LUMA PINTO?
"quando dei por mim" estava dentro do estúdio MS, no STIEP,  com um violão no colo sem encontrar as cifras, as notas, e sem cantar com a "qualidade" como faço em casa nas aulas...Foi assim o primeiro dia, no sábado passado, no primeiro ensaio com banda...
Hoje fui de novo, sentindo melhoras e querendo vencer, sem preocupações, mas ainda como o barquinho, as dificuldades da primeira, e "me joguei".  O primeiro foi tão desastroso, que o segundo até os músicos não negaram os incentivos: poxa , melhorou muito...Esse muito me deixou na condição de quem faz um gol , no final de um capeonato, no último minuto de segundo tempo e lhe da´a vitória do campeonato. "Comemorei por dentro", pois seria ridículo gritar naquele ambiente leve, afável, informal, mas com "clima " que meu racional dizia: devagar...calma.. Pense que o pessoal é profissional, não vai lhe desestimular...Mas me ajudou.

Terminado o Ensaio atendi ao pedido irrecusável da esposa: vamos ao LÁ VISTA? Hoje é com Jero . Não há como não ir....
Após o ensaio nem entrei em casa. Ela já estava pronta e seguimos para o LA VISTA, eu lhe dizendo: este final de semana tenho trabalhos para fazer; só vou ficar até as 15.
Como sempre, aquela animação que deixo de descrever aqui, pois vídeos por mim feitos falarão melhor do Jero Nogueira no Lá Vista, restaurante na cobertura do Barra Flat, Farol da Barra.


Mas durante a tarde, mesmo assistindo com atenção , óbvio, o amigo |Jero, ter reencontrado uma amiga que não via há mais de 30 anos. -Nem via,nem sabia onde andava-, os abraços de afetos saudosos, demorados, felizes, permaneciam, as perguntas e respostas  que eu dava a mim mesmo: Oxente!!! agora é que estou dando conta que não estou vivendo a vida de artista, a vida de cantor e musico, na parte boa que é a de tocar ,cantar, alegrar, mas dedicando uma quantidade de tempo que está me tirando até algumas horas de leitura e das minhas bicicletas. Fiz antão as contas, as perdas e ganhos e consultei meus oráculos: vale a pena tudo isto? Ele nem vacilou; rapaz, voce está tão feliz , mesmo tocando e cantando mal, que deve ser afastada qualquer dúvida, se continua ou não. Felicidade, alegria também não é de graça. Tem um precinho a pagar. voce quer continuar, já tem a resposta. SIGA , PROSSIGA!!.
Meu oráculo nunca falhou comigo, Sempre me tirou bem rápido as dúvidas, inclusive aquelas da minha infância: vou para o baba ou para o cinema? A dúvida faz a gente sofrer. Sempre a afasto em alguns minutos , com a ajuda do meu oráculo.
Continuarei. E não será surpresa imaginar, e até acontecer: esta pro´ está me levando para tocar para tocar é no TCA,.. ou em algum estádio em final de algum campeonato mundial de futebol...

Tõ tão me achando cantor, artista, músico, que até a banda que nos acompanhará no SESI, no dia 26.11.2019, às 20 horas, com apenas dois ensaios no SUTIDO MS, no STIP, já a chamo de MINHA BANDA!!

Comecei a entender os artistas quando negam autógrafos... e no dia 26.11.2019, estarei no SESI DO RIO VEMELHO, às 20 horas, com minha pró , minha banda,  apresentando-me para quem lá estiver. Desta vez sei que enfrentarei , ventos , tempestades, esforçando-me para não  dar muito trabalho para `a “minha banda” . . Mas  não serei um simples barquinho. Vou de Capitão de Longo Curso, igualzinho ao VASCO MOSCOZO DE ARAGAO, de Jorge Amado em OS VELHOS MARINHEIROS.

NÃO ESQUECI QUE TUDO ACONTECEU EM DIA DE FINADOS.

Não, neste dia de finados não me esqueci de meus pais, irmão, familiares, amigos queridos  falecidos. Ao contrário, bati um papo com todos eles , os quais me disseram: se você tivesse vindo primeiro, estaria feliz se tivéssemos um dia como foi o seu hoje.


Orei no estúdio com minha professora e "minha banda" . Orei ouvindo meu amigo Jero Nogueira ; e continuo orando, neste momento, por todos nós, com a imensa saudade dos que se foram .
02.11.2019.

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