BARQUNHO DE PAPEL EM LAGOA DE POUCO VENTO, LÁ VOU EU...
Valci barreto
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Há coisa que você faz como um simples
assobio, uma passada de pente ou mãos no cabelo, sem estar em frente ao espelho. Só
dá uma ajeitada e segue seu caminho, sem nem mesmo observar se dez minutos
depois o vento o desalinhou. Foi assim que comecei aprender a tocar violão. Nada de show, de
apresentação em público, gravar cd, nem chegar perto de Joao Gilberto quando
ele tinha cinco anos. Nada disso, São quase três anos , quase, tomando aulas.
Não sei se aprendi o que outro teria aprendido no mesmo tempo. Em tres anos ,algumas
pessoas já estão gravando cd, fazendo shows em festas, pelo menos em cidades
do interior, barzinhos ....Eu Não sei se
aprendi cinco músicas. Mesmo porque aprendo 5 desaprendo tres, sobrando sempre
duas. A marca de duas já alcancei e a mantenho. Toco duas DIREITINHO.
Terminado o
primeiro ano de aulas, a minha professora , Luma Pinto, organizou
um encontro dos seus alunos para
encerramento do seu ano letivo musical.
Disse que seria no salão de festas do prédio de sua irmã . Ora, mesmo sem saber
tocar ou cantar, eu iria. Como seria muito simples, segundo ela, lá fui eu. O
simples que ela dizia para mim já era um ambiente acima do meu
"talento" e até mesmo aprendizado. A professora me enganou. Lá
estavam familiares dela, as alunas, pais, um negócio que eu vou dizer assim,
mais sério, maior do que eu pensava. Enfrentar público, cantando sem saber, em onde isto era possível ,
tipo eventos de escolas, nunca foi problema para mim.
Subia
nos palcos da minha escola , desde 12, treze anos, de sorte que o público não
me assusta. Falar em público, pode ser por
um Maracanã lotado em minha frente que
falarei como quem bebe água.
Para falar,
ainda que eu apenas diga: pessoal, vim
aqui para expor sobre carroça. Mas como eu não sei falar de carroça, falarei
apenas sobre a roda dela.
Mas para
cantar, tocar, não, pois ainda não sei. De sorte que já na primeira apresentação , foi um passei um sufoqunho.
mesmo porque a musica não estava do
jeito que eu gostaria para apresentá-la. mas fui lá e dei meu recado.
Cantei duas
e toquei duas , uma diferente da que a professora queria: Dei uma erroladinha e
cantei uma mais fácil que já dominava.
Justifiquei. Ela fez de conta que não se importou. Como não havia banda, ninguém
acompanhando, a não ser ela me ajudando a cantar, não houve problemas. Não
atrapalhei a banda porque não havia.
Veio a
segunda apresentação e dizendo ela que
seria na casa de um amigo, hoje amigo comum nosso e aluno dela. Fui e me
apresentei. Mas já naquele ano senti uma coisa maiorzinha...De novo, uma das músicas
não estava como eu queria. ..mas ela insistia e já era que “me enrolava: voce
está bem para se apresentar... lÁ FUI EU. Não levei meu violão. Usei o da
professora. Na hora da música, confesso, deu-me uma pequena tremedeira...Não
era o público que assim me deixava. Era a falta dos pontinhos para orientar os
dedos na colocação dos acordes. Macetinho bestinha, mas me atrapalhou um pouco,
me deu insegurança. Os dedos “gaguejavam”
. Mas desta vez toquei e cantei as duas
que ela recomendara. Não dava para “enganá-la” a segunda vez.
Evoluira:
toquei e cantei duas um pouco mais difícil do que as do primeiro encerramento . Eu achei
que errei muito...A bondade da professora, da minha filha Juliana, e de mais
alguns amigos ,disseram-me : voce foi
bem...etc. Vi os vídeos e achei até que não fui tão mal quanto eu imaginava. E
acho que melhorei em relação à primeira apresentação.
Lembrando,
aqui de novo, que eu não queria apresentação em público, festa de
"formatura"; queria apenas tocar em casa para aqueles encontros
inesperados em que há um violao e alguém cansa e diz: alguém quer tocar.? Nada
mais que isto.
Este ano, a
professora , convoca para mais uma vez. Valci vamos fazer de novo o
encerramento. E desta vez será com banda, no SESI. Recebi a notícia do mesmo
jeito das priemiras UMA COISA SIMPLES. Apenas achei a inclusão de uma banda uma
coisa por assim dizer, para mim, desnecessária, um luxo, uma apresentação bem
acima do que eu me propunha no início do curso.
O Teatro
SESI ja é minha casa no sentido de que frequento-o há anos. Talvez por isto não tomei susto de imediato..é
uma sala da minha casa. Assim processou, acredito, a minha cabeça...Nem
"dei importancia" quando a professora pronunciou seu nome como o
local onde eu iria tocar,cantar.
Fiquei assim como se a professora, no
intervalo de uma aula me pedisse para lhe passar um copo de agua. O sentimento foi o mesmo . Quando ela falou
vai ter benda...minha cabeça processou: Ela quer agua com gaz. Está fácil pois há as duas aqui.
E assim lá
vou eu feito barquinho de papel em pequeno lago de pouco vento, inocentemente
sendo levado por ele.
Estes dois
dias, foi que parei para pensar, estou indo mesmo para onde, minha pró LUMA
PINTO?
"quando
dei por mim" estava dentro do estúdio MS, no STIEP, com um violão no colo sem encontrar as cifras,
as notas, e sem cantar com a "qualidade" como faço em casa nas
aulas...Foi assim o primeiro dia, no sábado passado, no primeiro ensaio com
banda...
Hoje fui de
novo, sentindo melhoras e querendo vencer, sem preocupações, mas ainda como o
barquinho, as dificuldades da primeira, e "me joguei". O primeiro foi tão desastroso, que o segundo
até os músicos não negaram os incentivos: poxa , melhorou muito...Esse muito me
deixou na condição de quem faz um gol , no final de um capeonato, no último
minuto de segundo tempo e lhe da´a vitória do campeonato. "Comemorei por
dentro", pois seria ridículo gritar naquele ambiente leve, afável,
informal, mas com "clima " que meu racional dizia: devagar...calma..
Pense que o pessoal é profissional, não vai lhe desestimular...Mas me ajudou.
Terminado o
Ensaio atendi ao pedido irrecusável da esposa: vamos ao LÁ VISTA? Hoje é com
Jero . Não há como não ir....
Após o
ensaio nem entrei em casa. Ela já estava pronta e seguimos para o LA VISTA, eu
lhe dizendo: este final de semana tenho trabalhos para fazer; só vou ficar até
as 15.
Como sempre,
aquela animação que deixo de descrever aqui, pois vídeos por mim feitos falarão
melhor do Jero Nogueira no Lá Vista, restaurante na cobertura do Barra Flat, Farol
da Barra.
Mas durante
a tarde, mesmo assistindo com atenção , óbvio, o amigo |Jero, ter reencontrado
uma amiga que não via há mais de 30 anos. -Nem via,nem sabia onde andava-, os
abraços de afetos saudosos, demorados, felizes, permaneciam, as perguntas e respostas
que eu dava a mim mesmo: Oxente!!! agora
é que estou dando conta que não estou vivendo a vida de artista, a vida de
cantor e musico, na parte boa que é a de tocar ,cantar, alegrar, mas dedicando
uma quantidade de tempo que está me tirando até algumas horas de leitura e das
minhas bicicletas. Fiz antão as contas, as perdas e ganhos e consultei meus
oráculos: vale a pena tudo isto? Ele nem vacilou; rapaz, voce está tão feliz ,
mesmo tocando e cantando mal, que deve ser afastada qualquer dúvida, se continua
ou não. Felicidade, alegria também não é de graça. Tem um precinho a pagar. voce
quer continuar, já tem a resposta. SIGA , PROSSIGA!!.
Meu oráculo
nunca falhou comigo, Sempre me tirou bem rápido as dúvidas, inclusive aquelas
da minha infância: vou para o baba ou para o cinema? A dúvida faz a gente
sofrer. Sempre a afasto em alguns minutos , com a ajuda do meu oráculo.
Continuarei.
E não será surpresa imaginar, e até acontecer: esta pro´ está me levando para
tocar para tocar é no TCA,.. ou em algum estádio em final de algum campeonato
mundial de futebol...
Tõ tão me
achando cantor, artista, músico, que até a banda que nos acompanhará no SESI,
no dia 26.11.2019, às 20 horas, com apenas dois ensaios no SUTIDO MS, no STIP,
já a chamo de MINHA BANDA!!
Comecei a
entender os artistas quando negam autógrafos... e no dia 26.11.2019, estarei no
SESI DO RIO VEMELHO, às 20 horas, com minha pró , minha banda, apresentando-me para quem lá estiver. Desta
vez sei que enfrentarei , ventos , tempestades, esforçando-me para não dar muito trabalho para `a “minha banda” . .
Mas não serei um simples barquinho. Vou de
Capitão de Longo Curso, igualzinho ao VASCO MOSCOZO DE ARAGAO, de Jorge Amado
em OS VELHOS MARINHEIROS.
NÃO ESQUECI
QUE TUDO ACONTECEU EM DIA DE FINADOS.
Não, neste
dia de finados não me esqueci de meus pais, irmão, familiares, amigos queridos falecidos. Ao contrário, bati um papo com
todos eles , os quais me disseram: se você tivesse vindo primeiro, estaria
feliz se tivéssemos um dia como foi o seu hoje.
Orei no estúdio com minha professora e "minha banda" . Orei ouvindo meu amigo Jero Nogueira ; e continuo orando, neste momento, por todos nós, com a imensa saudade dos que se foram .
02.11.2019.
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