SEMINÁRIOS, ENCONTROS, PALESTRAS , AUDIENCIAS PUBLICAS SOBRE
MOBILIDADE URBANA. BICICLETAS.
-SEM REVISÃO DE TEXTO-
Valci Barreto.
Advogado, jornalista, leitor, cicloativista baiano, que quer
usar a bicicleta como meio transporte enquanto tiver perna, cabeça, em
qualquer lugar que estiver passeando ou morando. APAIXONADO por locais
movimentado de gente, quitandas, Comercio, feiras , Barra e centro de Salvador, especialmente
pelos locais que recebem bem a bicicleta.
Mobilidade urbana é tema recorrente de , encontros, teses,
trabalhos acadêmicos . Interessa-nos, por enquanto, a mobilidade em bicicleta
para efeito deste texto.
A prefeitura de Salvador, sem qualquer ´duvida, vem implementando
muitas ações em favor das bicicletas nas ruas. Peço dispensa de elencar, senão
algumas, mesmo porque visíveis,
sobretudo na região da Barra, orla, Corredor da Vitória.
Um dos mais importantes atos foi a liberação do Elevador Lacerda
, Plano Inclinado e Liberdade para o transito de bike. Um dos mais importantes
porque , apesar de insistentes reuniões
e reivindicações no passado, os governos municipais anteriores não davam a mínima
atenção. Mesmo os servidores nos recebendo muito bem, jamais a liberação foi
operada. Felizmente podemos hoje trafegar
com bem mais facilidade no trajeto
cidade alta / cidade baixa.
Há muito, porém, a vencer que dependente tão somente de boa
vontade por parte de entidades públicas e empresários e dos próprios bicicleteiros, a exemplo:
Liberação das escadarias da Lapa, tanto as fíxas quanto as
rolantes.
Liberação de ônibus para o transporte de bike, sugerindo a
instalação de equipamentos para transportá-las no fundo ou em frente aos
ônibus, comuns em cidades como Toronto,Waschington, Montreal e muitas cidades
europeias.
Enquanto não se instalam estes equipamentos, que seja permitido
o transporte no interior dos ônibus. Para isto basta uma campanha educativa junto
a motoristas, empresários, poder publico e usuários de bike e de ônibus.
Liberação de qualquer tipo de bike , em qualquer dia e hora nos metrôs.
Nos metrôs de
Salvador, infelizmente, há necessidade de separação do espação para bike, uma
vez que, infelizmente, as pessoas que estão no interior deles não cedem o espaço
para a bicicleta acessar o trem. Vivi esta experiencia mais de uma vez: as
pessoas ocupam o espaço que é da bike , mas se você tentar usa-lo as pessoas
sequer se mechem, mesmo que o trem não esteja cheio de passageiros. Só cedem se
você gritar ou usar um segurança. Mas isto não é o que deve acontecer. Não é
civilizado. Daí a necessidade equipamentos adequados. Em países europeus, que
acolhem a bike, ela entra em metrô em qualquer momento. As pessoas entram e
saem sem traumas. Aqui, porém, como sempre se hostilizou a bicicleta, há necessidade
de alguma ação do poder publico, das pessoas, dos usuários de bike para que as
coisas fluam normalmente.
Não basta campanhas em rádios, tv e redes sociais. È preciso
mais para que a população entenda e respeite a bike como um meio de transporte
normal e benéfico para toda a população.
Bicicletários.
Infelizmente temos problemas de vandalismo, roubos , assaltos
em todas as áreas. A bike não fica de fora. No entanto, pode-se vencer a
dificuldade de implantação de bicicletários em postes .
Sendo nossas ruas por demais estreitas, uma sugestão é a
utilização de bicicletários como os existentes em Toronto e Montreal: Anéis
envolvendo postes, com furos por onde se pode amarrar a bicicleta. Como por aqui
roubam alumínios, ferros e outros tipos de materiais, é importante estudar um
material que não seja atrativo para o furto ou roubo . Certamente não haverá dificuldade
para que se utilize um material adequado.
Permissão para transito de bicicletas no interior de
shoppings, supermercados, grandes prédios. È que há situações em que o shopping
tem um bicicletário, mas o ciclista tem que dar voltas que poderiam serem
evitadas tão somente atravessando o espaço térreo.
Pode parecer incomodo, mas a bicicleta ocupa menos espaço do
que uma mala E o risco de sujar o chão, salvo em caso de ciclista mal educado,
é bem menor do que de animais que hoje podem circular em shoppings.
Diminuição de preço para o transito de bike em transportes de
um modo geral, sobretudo nos marítimos, que são os mais caros no caso de
Salvador .
Como exemplo, foi -me cobrado 34 reais para o transporte de
uma bike em ônibus , na Aguia Branca, de Itabuna para Salvador. Eu estava
apenas com a bike e dois alfoges pequenos, menores do que uma mochila comum.
Tentei argumentar com o funcionário, mas como não havia acordo, preferi pagar.
Foi-me cobrado como excesso de bagagem. Não vi sentido mas não iria colaborar para retardar a saída do ônibus,
prejudicando os passageiros.
Os shoppings, supermercados de Salvador, de um modo geral já
instalaram seus bicicletários.
Os ciclistas devem manter uma ação permanente de convencimentos
aos comerciantes de um modo geral, da quantidade de pessoas que já andam em
bike e que já preferem irem comprar em locais que já facilitam o estacionamento
para bicicleta. Alguns permitem, inclusive, que você entre na loja com sua bike,
ou dão algum jeito para que a bicicleta fique em local seguro. Obvio que
depende do comerciante, do funcionário, e também do espaço que muitos realmente
não possuem. Importante, sempre, a educação, o respeito, o bom senso.
Os ciclistas pedem muito o respeito dos motoristas para com a
bicicleta. Porém , um bom numero não respeitam o pedestre, desobedecem regras
de transito, e ao entrar em lojas não limpam seus pneus. E, não usando descanso, ainda sujam as
paredes das lojas. Realmente , neste caso, não se deve receber a bike pois a
limpeza de uma parede não é barata e sujeira e´uma coisa sempre feia e que
causa doenças; físicas e ou psicológicas.
A educação, o respeito serão sempre boas soluções. E, neste
item, nossos bicicleteiros não tem dado bons exemplos: tiram fino em pedestres,
buzinam para o pedestre sair da frente e fazem das ciclovias,ciclofaixas e
mesmo as ruas de pistas de corridas, cometendo as mesmas faltas que tanto
condenam nos motoristas.
SEMINARIOS E ENCONTROS/ALGUMAS OBSERVAÇÕES.
´E muito comum os seminários e encontros de mobilidade serem
geridos, organizados, e expostos os temas por pessoas que não usam a bicicleta.
Funcionam estes encontros como bate papos tão somente para arrecadar dinheiro,
voto, aplausos, dar visibilidade a pessoas, grupos, políticos, propagar idéias de
“donos delas”. Em tempo de redes, muitos
destes encontros e seminários são por demais desnecessários. Nada produzem de
prático. Há as exceções, os que se reproduzem se propagam de forma muito positiva.
Um bom número , porém, são improdutivos, uma vez que deles
quase sempre não resultam efeitos práticos. Não condeno nenhum deles. Todos são
importantes para as bicicletas. Mas seriam ainda mais se cada um deles
resultasse em um passeio de bike onde se mostrasse a todos os palestrantes como
realmente funcionam as coisas nas ruas e o que é necessário fazer para melhorarmos
sempre.
Há atos que não dependem de seminários. Como exemplo, a
liberação das escadarias da Lapa, só para citar um exemplo, para passagem de
bike, basta um ofício à administração publica ou privada do terminal.
Foi assim que foi liberado o Elevador Lacerda e é como se
pode também liberar o acesso de bike para ônibus e metrôs.
Não creio que sejam necessárias passeatas , quebra – quebra,
discursos e um PAI DA IDEIA , para outdoor de campanha política.
Bastam boa vontade e um oficio de quem detém o poder.
Aos ciclistas, não tenho duvidas de que, grupos pequenos de até
5 ciclistas ativos , podem levar bem mais conquistas para as bikes do que dois
mil ciclistas correndo , com carros de som pela orla de Salvador , por exemplo. É hora de avançarmos, de
reivindicarmos, de pedirmos, de darmos sugestões de falarmos com a população, independentemente
de participarmos de grandes eventos. Todos são importantes, grandes e pequenos.
Mas estamos viciados nos grandes, nos festivos, esquecendo que levando
mensagens individuais, panfletos individuais ou de pequenos grupos com
mensagens deixadas em pontos de taxis, lojas, falando com familiares sobre
estas coisas, os resultados serão bem mais positivos do que uma corrida cheia
de velocidade, apito , roupas e bicicletas caras , como se fosse um tour the
france, sem as virtudes deste .
Autorizada a reprodução, mesmo sem citação da fonte e do autor.
Este texto pode ser usado por qualquer palestrante, ouvinte,
participante de todo e qualquer seminário, passeio, encontro, bares, quitandas,
onde se falar e ouvir falar em bicicleta.
Nem precisa citar o nome do autor. Só deixo meu nome para os
curiosos: valci barreto.
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