BIKE, BICICLETA, VALCI BARRETO , LITERATURA

2 de setembro de 2019

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MINHAS BICICLETAS

Valci Barreto
Advogado, Jornalista, blogueiro, cicloativista baiano.
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Nascido em Jaguaquara, cidade do lindo Vale do Jiquiriçá, famosa pelo São João, Colégio Taylor Egídio, Restaurante Biancamano, produção e distribuição de Horti Fruti, Colônia italiana, friozinho gostoso,  e por ali ter nascido um dos mais importantes jornalistas do país, Sebastião Nery, as primeiras bicicletas que vi foram as do tipo barra-forte, barra circular e algumas europeias, trazidas certamente pelos colonizadores italianos, cujos descendentes compõem boa parte da sua população. Foram também as primeiras que montei. Meu pai tinha uma verde, toda equipada com descanso, dois espelhos grandes sobre o guidom,  bagageiro , sempre com fitas de plásticos coloridas pendurados no guidom e pequenos pedaços dos mesmos plásticos formando anéis, envolvendo os raios para enfeitá-los e limpá-los, enquanto a roda girava, acrescido do dínamo , acionado pelas rodas para acencer o farol.



Foi nela, uma bicicleta de adulto,  que aprendi a montar, sòzinho, atravessando a perna pelo quadro, sem sentar no selim, como aprendem as crianças que não tem bicicleta própria para a sua idade.

Ainda hoje, em meus passeios, gosto das bicicletas com  bagageiro, cestinha ,ou mesmo “cestão”.

Nos centros das cidades, a minha preferida é qualquer uma que tenha quadro baixo, tipo “bicicleta de mulher”,  que facilita a subida e descida dela para  vencer obstáculos urbanos como passeios , buracos, excesso de pedestres em determinados espaços.
Tenho usado, ultimamente a dobrável por muitas facilidades que oferece, inclusive usar em taxi ou uber dependendo do local para onde vou.

Sem ser atleta, pertenço ao mundo dos passeios de bicicletas, sem ser intelectual, acadêmico, considero-me do mundo dos livros ,das leituras  despretensiosas, fazendo, vivenciando ambas experiencias por puro prazer.

Ando de bicicleta em grupo ou em passeios solitários. Em viagens, sempre dou um jeito de levar  ou de alugar uma bicicleta meus passeios onde eu estiver.

PRECONCEITOS COM BICICLETAS "" de "cestinha",  "bagageiro", retrovisores, descanso.

Sempre me causou curiosidade , jamais levando a sério, o preconceito que envolve uma série de objetos, atitudes, comportamentos. Vou me ocupar aqui apenas de alguns relacionados às  bicicletas.

CESTINHA NA BIKE.

No meio dos amantes de passeios ciclísticos de Salvador, uma crônica , “Minha Bike Tem Cestinha”, da nossa jabuti , Itana Mangieri, tornou-se clássica. Era um grito bem humorado, da nossa cicloativista, muito querida por todos , contra os que debochavam da sua bike, sempre munida  daquele equipamento, tão comuns em regiões que cultuam, de verdade, a magrela.

Itana e eu sofremos ataques dos nossos queridos ciclistas de Salvador , por conta das nossas cestinhas e bagageiros.

Tive e tenho que estar “brigando”, em favor das “minhas bicicletas”. Afinal, não vejo outra forma para comprar e levar livros, jornais, frutas, remédios, pequenos objetos, que compro ou transporto pelos meus caminhos.
Não quero depender de carro para transportar um livro, uma revista, um remédio, ir tomar um sorvete, comprar um pão. E sem as cestinhas na bike, impossível.

Retrucam que podem levar nas mochilas. Ok , Fiquem à vontade. Preferirei as cestas, bagageiros, pois não quero machucar livros nem objetos, nem sacrificar a coluna com o peso de mochilas


MINHAS IDUMENTÁRIOS PARA MEUS PEDAIS.
Nos meus passeios solitários em bike,  preciso apenas de um tênis, calça esportiva , tipo de academia, ou bermuda de uso comum e uma camiseta que compro na PAES ANDRADE, de 15 reais, puro algodão, branca, manga comprida.
Se vou para muito perto para tomar um sorvete, nem uso o tênis;  vou de  boné e sandália tipo havaiana. `As vezes vou comprar ou  resolver algo a dois, três quilômetros de casa e vou de calça jeans, camisa manga comprida , sempre boné, ou seja roupa de uso comum, até de trabalho.
Como veem , nada burocrático. Nem por isto deixo de ir.

BARRA CIRCULAR






 

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A BARRA CIRCULAR,  para as cidades grandes, movimentadas de carros e pessoas , devem ter adaptação dos freios, pois os originais  não atendem às  necessidades de frenagem imediata, rápida,  nestes espaços. No mais, para mim, e´ perfeita para meus passeios, notadamente para os solitários, sem os comandos dos apressados.

BAIANO PEDALOU DE SALVADOR A NEW YORK , DE 1927 A 1929.

Foi com uma bike ,sem marcha, marca OPEL, tipo as barra circular  da Monark , que um baiano, com 17/ 18 anos,  pedalou de Salvador a New YORK, conforme publicado no Livro, UM HEROI ESQUECIDO, que conta a façanha do ciclista RUBENS  PINHEIRO.

PARA MIM, O PRAZER ESTÁ NO PEDAL,NO PASSEIO NÃO NO PREÇO DA BIKE OU DA ROUPA.
Para mim, o prazer está no pedal em si, nos passeios, no mundo que a bicicleta me proporciona; no que vejo pelas ruas, becos, sebos, brechós, aprendizado com pessoas que encontro. Para isto, desde que rode, qualquer bicicleta me serve. Nas ladeiras, obstáculos, desço, empurro-a, com o mesmo prazer da montaria . Claro que a bicicleta não pode ser qualquer uma. È preciso conhecer, pois muitas vendidas por ai, não aguentam uma semana conta das engrenagem de material frágil.

Pois bem, apreciador de cenários, movimentos, cores, céus, mares, rios, lagos,  centímetros de chão ,sigo  olhando, pensando, sentindo  outro tipo de prazer, nestes momentos de empurrar minha bike,..
NADA CONRA AS ROUPAS E BICICLETAS CARAS.

Sim, quem pode, gosta e quer, deve usar o que lhe dar prazer, das bicicletas às roupas mais caras, aos passeios mais velozes. As opções  são muitas. Mas nunca será o meu caso. Eu não preciso, realmente, exceto se for para uma longa viagem. Neste caso, a boa bicicleta e seus acessórios fazem muita diferença, especialmente por precisaram menos de oficinas e reposição de peças.

Mas, no dia a dia ,meu prazer não está no tipo de roupa, bike nem em velocidade acima do meu desejo. É o mesmo prazer que tenho em ler um livro de qualquer época, seja ele novinho, ou bastante usado. Quero o seu conteúdo .

NO CASO DE SALVADOR, NO CENTRO MINHAS PARADAS PREFERIDAS.

A região da Barra, Corredor da Vitória, Centro de Salvador, são meus locais preferidos para os passeios solitários.
Gosto de parar para ver o mar, às vezes caminhar na areia do Porto, de parar na banca de Lazaro, no Jardim da Piedade , Igreja do Rosário e Largo 2 de Julho para comprar livros usados e frutas, revistas pelas bancas, bater papo nos mesmos lugares.


As possibilidades das bicicletas são muitas. Hoje você pode escolher um ou mais quase infinitos modelos de bikes, roupas, óculos , capacetes/ passeios longos, pequenos.

Para mim, para o tipo de passeio que faço, e gosto de fazer , pelo menos no centro de Salvador, as minhas bicicletas são simples, sem macha, com cestas ou caixas no bagageiro .

SALVADOR É PLANA PARA BICICLETAS.

 O ciclista baiano dispõe de extensas áreas planas para pedalar. Você pode circular de Praias do Flamengo  até a Suburbana sem subir uma ladeira sequer. No trajeto há apenas pequenos aclives. Com a liberação do Elevador Lacerda e Plano Inclinado para passagens de bike, Salvador ficou ainda mais plana.

PAISES E LOCAIS QUE ABRAÇARAMA BIKE COMO MEIO DE TRANSPORTE A BICICLETA TEM CESTINHA , BAGAGEIRO E DESCANSO.

 Quem viajou por cidades do primeiro mundo, ou mesmo pelo Sul do pais, e andou em cidades acolhedores de bicicleta, ou mesmo assistiu  vídeos no you tube, percebeu que  naquelas cidades quase cem por cento das bicicletas circulam  com  cestas, retrovisores, descanso, muitas com carrinhos transportando objetos e bebês. Como exemplos, kopenhagem: Berlim, Amsterdam.

E raramente há grupos padronizados circulando pelas cidades como se fossem grupos de corridas como é o caso da maioria das cidades brasileiras.

Já avançamos bastante, e estamos avançando, no uso das bicicletas em grupos de passeios, notadamente passeios mais acelerados, e noturnos.
Precisamos avançar na utilização da bicicleta como meio de transporte, ainda que apenas para pequenas tarefas e pequenas distancias.

Para isto, não precisamos de bicicletas e indumentárias caras, padronizadas, com as centenas de pessoas, todas se dirigindo para um só lugar. Todos os grupos e formas de pedalar contribuem para o melhor.
Está faltando, no entanto, em nossa capital, o avanço do uso da bike como meio de transporte. E para este , para mim, qualquer bicicleta serve, desde que rode. Não pode é faltar a cestinha, buzina trim trim, descanso e  refletores,
Nas cidades acolhedoras das bicicletas, cidades ricas , civilizadas, é assim que funciona.
 Depois ainda dizem que o tabaréu sou eu!!
VIVAM AS BICICLETAS , de qualquer marca, preço,  uma das grandes vedetes do nosso século,  a quem todo os dias peço meu autografo!!
Atualizado em 02.09.2019

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