BIKE, BICICLETA, VALCI BARRETO , LITERATURA

15 de agosto de 2019

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TRABALHANDO, PEDALANDO, CONHECENDO UM POUQUINHO DE ITABUNA
DICAS DE DIFUCULDADES DE COMUNICAÇÃO E DE PEDAL.

Valci barreto,
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Fui para uma audiência no Forum de Itabuna e, como sempre, levei minha bicicleta dobrável para um passeio pela cidade .

Fui em ônibus executivo da AGUIA BRANCA, no dia 12 de agosto de 2019, saindo da Rodoviária de Salvador às 22.40.
Gentilmente , em Salvador, o funcionário da Águia Branca, muito cuidadoso com minha bike , amarrou-a em uma das divisórias do maleiro . Agradeci, subi no ônibus e segui. Nenhuma taxa foi cobrada para a condução da bicicleta. Em Salvador, todas as informações no guichê, dos funcionários da Rodoviária e dos da Àguia branca era no sentido de que era comum a condução de bike nos ônibus e que algumas empresas  cobravam,  outras não . Em Salvador, atendimento perfeito dos funcionários, e nada cobraram.

CHEGANDO EM ITABUNA.

Havia escolhido o Hotel Palace para hospedar-me, pois gosto de ficar em hotéis em centro comercial, onde haja movimento de pessoas, lojas. cafés, perto de shoppings, barracas, bares, restaurantes. Está é “minha praia”, em geral, em qualquer cidade que eu vá.
A dica do hotel, localização, o que havia por perto, me foi dada pela minha professora de violão Luma Pinto, nascida naquela cidade.
Por aqui, agradecendo à pró. Foi tudo até mais do que eu esperava.
Cheguei ao amanhecer, ainda um pouco escuro. Tinha olhado no Google MAP a distancia entre a Rodoviária e Hotel que marcava 1,5 km. Por isto decidi ir pedalando ,  aguardando um pouco o dia clarear, por questão de segurança. Tomei informações com os funcionários, passageiros, seguranças, como faria para chegar ao Hotel em bike, tendo recebido todas as operações, inclusive afirmando que naquele horário não haveria riscos de violência pelos caminhos. Apesar de todos nós sabermos a insegurança em nosso país, sentir-me confiante e comecei a pedalar em direção ao Hotel.

EXCEPCIONAL RECEPÇÃO NO HOTEL PALACE DE ITABUNA.

Chegando ao Hotel.
Estacionei a bike no passeio e me dirigi à recepção do hotel. Logo após responder ao meu “bom dia”, e que eu fizera uma reserva para ali hospedar-me, o simpático, atencioso, ANDERSON, antes mesmo de conferir a reserva,  olhou para mim e disse:
-Traga sua bicicleta. Pode entrar com ela e se quiser pode leva-la  para seu apartamento .
Para quem anda em bike sabe  da emoção de ser assim recepcionado, vez que a grande maioria do comercio, serviço, hotéis, shoppings, o comportamento de um modo geral é  hostil a quem está em uma bike. Na melhor das hipóteses ,transmite um certo desconforto aos usuários de bicicleta.
Agradeci, batemos um papo, subi o elevador com a bike sem nem mesmo precisar dobrá-la.
ANDANDO E PEDALANDO PELA AVENIDA CINQUENTARIO.
O local que minha professora Luma Pinto indicou era tudo que eu queria: comercio ativo, muitas lojas de utilidades, próximo ao shopping e ao grande RIO  CACHEOEIRA. -Próximo para quem gosta de andar e pedalar-.
Como sempre,  preferi  caminhar, empurrando a bike por toda a AV. DO CINQUENTÁRIO, fazendo alguns vídeos e fotos. Sempre opto por conhecer só uma rua bem do que pedalar quilomentros para conhecer mais distancias e menos detalhes. Havendo  tempo, faço os dois.

SEGUNDO PARA O SHOPPING JEQUITIBA E ,  COM0 ESPERADO, A FALTA DE RESPEITO DOS MOTORISTAS EM RELAÇÃO A QUEM ESTÁ EM BIKE,

Em todas as cidades destes tempos,  o local mais seguro, que tem mais opções: comida, bebida, compra, descanso, sombra, banheiro é , sem duvida, o shopping. Mesmo  preferindo  as ruas, fui  até o SHOPPING JEQUITIBA, do meu jeito  bem JABUTI VAGAROSO, pedalando,  parando, caminhando, fotografando e ,no  caminho, uma parada maior para conversar , filmar, entrevistar um pescador solitário às margens do Rio Cachoeira. Foi, para mim, um dos grandes momentos do passeio.

Tem muito o que contar o seu Antonio; aposentado, falante, esperto,  simpático , muita experiencia e sabedoria. Pedi-lhe autorização para que ele falasse um pouco do rio, e fizemos vídeo que estará no nosso yu tube.
Após deligada a câmera, ele continuou e terminei não gravando uma parte importante da sua fala, que aqui reproduzo, não exatamente:
-Tem gente que se aposenta e fica em casa brigando com a mulher, jogando dominó, vendo tv. Eu gosto é de caminhar e vir pescar . Faço isto todos os dias.  Este rio me oferece tudo que preciso para viver bem, a comida , a diversão, tudo que eu preciso.
Senti a felicidade que muitos buscam em tantos cantos e que seu Antonio encontrou com uma vara   um azol, iscas e pequenos peixes à margem de um rio.
Em uma próxima viagem a Itabuna, será a primeira pessoa que irei procurar para ouvir mais de sua sabedoria e memória.  Ele não poderia estar mentido. Ele encontrou, se não a felicidade, pois todos morrem, adoecem..uma grande  alegria, uma grande motivação de viver. Eu não tenho nenhuma dúvida das suas palavras. Obrigado, seu ANTONIO!
VEDEDORA DE BALA ACOLHE MINHA BIKE.
Após o papo com seu ANTONIO, segui para atravessar a ponte (lembro muito das pontes de Itabuna por lindos postais que colegas  , oriundos daquela cidade, do meu  tampo de Colégio Taylor Egídio, em Jaguaquara, me presenteavam ou mandavam pelos correios. Para mim, bem garoto, Itabuna era uma linda metrópole e muito, muito distante da minha querida toca da onça.À época eu não sabia que , mesmo lindos os locais, os postais as “efeitavam” ainda mais. Mesmo assim, mesmo com  todos os rios do mundo se transformando em esgotos, o Rio que corta a cidade de Itabuna é lindão e, segundo seu Antonio,  tem muito peixe e sustenta muita gente.
Atravessei a ponte, alcancei a pista de veículos. Dei uma olhada antes como se comportavam os carros em relação a algumas bicicletas que vi circulando na mesma. Nenhuma surpresa: a agressividade, buzinadas, finos, a total falta de respeito a  quem estava circulando em bike. Nenhum atropelo, mas não me senti confiante. Mesmo assim, daria para pedalar sem filmar. Preferi empurrar a bike, pelo canteiro e ir apreciando o lindo rio e ouvindo a sinfonia dos passarinhos, embassada  pelas  buzinas , sem qualquer necessidade , dos carros.

Na faixa de pedestre  que  dá ao acesso ao shopping  fui abordado por uma senhora simpática, baixa, vendedora de balas, sucos:  deixe sua bicicleta aqui. Garanto que ninguém vai pegar. Fico aqui até 16 horas e ninguém vai tocar em sua bike. Aqui é mais seguro do que lá , apontando-me um lugar com algumas bicicletas amarradas.  Senti confiança total e atendi-a: amarrei o meu brinquedo ao lado do seu carrinho e me dirigi ao schopping. Bonito, organizado, limpo, boas lojas, excepcional, ao meu ver, para a cidade.
Retornei, ofereci-lhe uma gorjeta. Ela recusou, eu insisti. Ela disse que não receberia, que não fizera para receber dinheiro. Disse-lhe, dando as ultimas cartadas: estou lhe oferecendo com a mesma limpeza que seu coração me atendeu. Se a senhora não quiser para a senhora ofereça a alguém . Estou dando de coração. Quem resiste ao bom coração, ainda mais que ali estavam dois juntos? Aceitou, agradeceu, me despedi , recebendo os seus acenos e o “Deus lhe acompanhe”.

EM BUSCA DO CHOCOLATE PERFEITO DE ILHEUS.
Temos muitas marcas de Chocolates bons em Salvador. Não sou um bom consumidor. Compro mais para familiares, tirando, às vezes, minhas “pontinhas”.  Terminei, por eles, conhecendo marcas famosas no mundo todo,  encontráveis em Salvador.
Mas eu queria, em Itabuna,  CHOCOLETE ARTESANAL DE ILHEUS.
Passei um dia e meio procurando por ele e todos, funcionários do hotel, taxistas, lojistas, bancas de frutas, de revistas, eram unanimes: não encontra mais em Itabuna. O shopping era uma das minhas esperanças pois me disseram que  ali vendia.
Cortei meu cabelo, perguntei no salão, em cafés, lojas... abordei uma funcionária dos corredores do shopping que, muito simpática, respondeu-me: os de ilhéus o senhor não vai achar aqui. Havia uma loja , mas fechou há uns seis meses... Fora do Shopping não sei onde poderá encontrar.

FINALMENTE O CHOCOLATE PERFEITO.

Este foi o meu primeiro dia em Itabuna. Mais ou menos isso ai.
No dia seguinte estava Michele na recepção do Palace e insisti mais uma vez, perguntando-lhe sobre o “chocolate perfeito”.
Na maior tranquilidade me respondu: o senhor vai achar, não sei se todas as marcas, na CASA DO SABOR, inclusive uma marca conhecida, dos de Ilheus , GABRIELA.
-E onde fica, e´ longe, dá para ir de bike?
-Nem precisa ir de bike, há poucas casas daqui, nesta mesa rua do cinquentenário , o senhor verá  a placa na rua paralela ao hotel nesta mesma avenida. Senti que o tesouro estava perto...
Nem fui ao apartamentento pegar a bike. Segui a orientação de MICHELE e PIMBA!! Ví a casa, entrei ,e ail não estava  parte de um tesouro! Chocolates puros, a granel, barras de chocolate caseiro, e as marcas GABRIELA E YRERÊ, da Fazenda Yrerê !!
Fiz a festa!
Está aí a dica para quem quiser chocolates, temperos, pimentas, óleos de cacau, óleos de semente de pimenta...uma espécie de casa oriental de temperos, óleos, especiarias, na AVENDIDA DO CINQUENTENARIO, nas proximidades do PALACE HOTEL DE ITABUNA.
À tarde, seria meu último programa , o único marcado, o único que foi combinado: um café com até ontem, apenas amiga de face, HORTENCIA PINTO, mãe da minha PRÓ LUMA PINTO.
Como fazem os grandes artistas, fiz questão de encontrar uma grande fã, comentadora dos vídeos das nossas aulas. Mas, no caso, eu que fui buscar o áutografo: tomamos um delicioso café , no CAFÉ E GRAO, na rua Paulino....também nas proximidades do Hotel. Como a casa fechou em pouco tempo, e a conversa nem havia começado direito, decidimos pegar um taxi para terminar a conversa no mesmo café, mas desta vez no SHOPPING JEQUITIBÁ.
O papo não poderia ser apenas café.
Resolvi quebrar um jejum, no meu caso de séculos, de shopp e tomamos , eu uma caneca, ela uma caneca. Não queríamos mais que isto, chegou o tempo de arrumar meu retorno, pegamos mais um taxi, ela retornando para casa, eu para o Hotel e ambos nos devendo os próximos encontros, que sonhamos seja com a musicalidade da família PINTO, sob o comando da minha pró.
A pró já está treinada, que os outros começem os ensaios. Eduardo Caldas, o marido da minha pró, mesmo devagar, está treinando flauta!!
Já estou indo malhar as cordas da viola para este encontro!
Obrigado LUMA, HORTENCIA e toda a equipe do HOTEL PALACE, que tem no seu quadro uma ciclistas que pedala pelas roças da região de Itabuna. Esta merece um texto especial.
RETORNANDO PARA SALVADOR NA AGUIA BRANCA.
Para não chegar suado no ônibus e incomodar o olfato de algum vizinho(a) de assento, opei por retornar de taxi para a Rodoviária.
Ao colocar a bike no bagageiro, fui surpreendido pela exigência de pagamento de uma taxa “por excesso de bagagem”, no valor de trinta por cento do valor da passagem, o que achei um absurdo.
Mas não contestei, não costumo discutir com funcionários que recebem ordens. Paguei, estudarei e me dirigirei para a empresa para tratar do tema: quase 50 reais para conduzir uma bike e dois alfoges  pequenos, que podem ser pendurados na própria bike. A bike dobrável não pesa mais que doze quilos. Os dois alfoges juntos não pesavam 10 quilos: so roupas leves e poucas. O paletó eu vim vestido. Estudarei o caso e peço ajuda a quem puder esclarecer sobre a legalidade da cobrança e que, mesmo sendo legal, como podemos reivindicar, junto aos órgãos públicos, medidas facilitadoras do uso da bicicleta como meio de transporte. Cobrar estes valores por transporte de bike é uma forma de inibir o uso deste modal de transporte. Uma pessoa que se deslocar duas vezes por dia para trabalhar em algum lugar, pagar 30 por cento do valor da passagem de uma bike, é o mesmo que perder uma bike em pouco tempo. É só fazer as contas. Então , se legal, está na hora de uma mobilização para modificar o valor. Sem duvida é excessivo. Ainda mais que eu não levava nenhuma mala . Sim, apenas  dois alfoges, com menos de dez quilos os dois, como dito.

OUTRA COMPLICAÇÃO NO METRÕ DE SALVADOR.

Desembarquei em Salvador e da Rodoviária fui empurrando a bike , com os dois alfofoges. A intenção era usar o metrô até o  Terminal da Lapa. Dali pedalar até a minha casa em Ondina.
Apesar do atendimento gentil, respeitoso, o funcionário do metô explica: bicileta só pode transitar no interior do metrô em finais de semana e feriados.
Pondero   que os anúncios das redes sociais, é de que bicicleta dobrável pode em  qualquer dia. Ele olha a bike e pede: sim, a bicicleta dobrável pode mas o senhor deve dobrar a bike, logo aqui. Tentei ponderar: não posso ir empurrando e ao entrar no carro do metrô dobrá-la? Não , porque não pode circular em empurrando a bike.
Para mim, um absurdo, uma regra criadora e não facilitadora do transporte em bike. Entendendo que ele recebia ordens superiores, curvei-mo ao seu comando.
Dobrei a bike, e segui, com os incomdos  de empurrá-la dobrada com os alfoges e uma mochila nas costas.
Já na porta do carro do metrô, estacionado no local assinalado no piso da estação para embargar a bike, chega  o primeiro metrõ, com muita gente na porta. Apesar de um sinal de que queria por a bike naquele espaço a ela destinada, as pessoas não davam qualquer sinal de que entendera o meu recado, de que ali era espaço para entrar a bike. Simplesmente, mesmo olhando-me , parecia não me ver.  Faltou a gentileza do afastamento para permitir o meu acesso.
Com bastante tempo para estudar a experiencia, aguardei o segundo carro. A cena se repetiu . Eu poderia gritar, berrar, pedir licença em voz alta, usar minha “autoridade de ciclista”, de “idoso em bike”. Mas preferi outro caminho: retornarei e irei pedalando para casa.

Retornando, para a saída do metrô, gentilmente o funcionário , o mesmo que pediu-me para dobrar a bike, dirigiu-se para mim e perguntou:
- O senhor não conseguiu?
Expliquei   tudo . Ele,  com a mesma gentiliza ,perguntou-me:  o senhor quer que eu lhe ajude?
-Agradeci, bati um papinho, dizendo-lhe que o incomodo que me fora causado ,era coisa muito pequena, Que eu resolveria de outra forma, voltando pedalando para casa. Se você for pedir às pessoas para cederem a passagem para a bike, não sei qual seria a reação, poderia haver um incomodo que eu não queria causa-lhes. Pediria se eu não tivesse outra alternativa. Mas que voltaria pedalando para casa, sem problema, ou pegaria um taxi.

O ruim, continuei,  era o comportamento das pessoas; e isto só grandes campanhas , educação familiar, consciência social, urbanidade, respeito mútuo, educação doméstica, poderia resolver. Não tratava apenas de uma dificuldade minha. E que levaria muito tempo, quem sabe nunca mais, para uma significativa parte da nossa gente, melhor neste aspecto. Agradeci , despedi-me pelo exemplar atendimento que, justiça se faça, sempre vejo nos funcionários do metrô.
CHEGUEI FELIZ.
Saí do metrô, armei a bike, pus os aflojes e comecei minha pedalada em direção a Ondina. Atravessei a frente do Iguatemi, passei em frente ao Hiper Bom Preço, vestido normalmente com camisa e sapato social, caça jeans, boné.
Iria em direção ao Itaigara para alcançar a ciclovia e em 25 minutos, no máximo , estaria em casa.
Como começou a chover, e 30 reais de taxi não iria trazer-me felicidade , além da que já´ carrego, dirigi-me a um taxistas, daquele tipo que carrega cesto para o cliente... e quem não gosta?
Pegou a bike no maior dengo, pôs no banco do fundo, após forrá-lo a meu pedido, vez que não coube no bagageiro, e vim batendo um papão com uma destas figuras que dá prazer de passarmos alguns momentos juntos, ainda que pagando a conta. Tudo que me aconteceu , aqui narrado, trouxeram mais alegria . Só em eu ter pedalando, do metrô até o Hiper Posto, já me deu a alegria de quem fez uma viagem por todo o planeta.
Ocupo-me, divirto-me fazendo o registro pois, apesar de tudo, algo pode melhorar. Apesar de tudo se esperar do governo, muita coisa só depende nós, familiares, escolas, igrejas, amigos. Ceder a entrada de uma bike em um metrô, observando os espaços de cada, coma preferencias que a boa educação e a lei estabelecem. Isto não não depende de campanhas de governo. Só depende de nós.  Se não quisermos, todas as campanhas serão em vão. Como tantas que só funcionam com multa e soldado armado, o que é uma pena.
Feliz. Para completar meu dia, só falta malhar as cordas da viola para não tirar nota baixa nas próximas aulas da pro Luma Pinto.
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