CAMINHADAS, LIVROS USADOS DE UM REAL, FEIRA, LARGO DOIS DE JULHO.
Valci Barreto.
Facebook/Valci Barreto.
Facebook/Valci Barreto.
Gosto de caminhar, andar de bicicleta, andar em ônibus. Morasse em uma cidade sem a violência , pobreza, assédios agressivos de pedintes, miséria até , em quase todos os centímetros da cidade, não faria outra coisa em finais de semana e feriados compridos que não caminhar pela cidade onde passeasse ou morasse. E Salvador seria uma das minhas preferidas.
Mesmo trabalhando, após determinada missão, sobrando um tempinho, entro em um beco que não conheço por onde passo ou vou ao que conheço, pois cada dia é um cenário, uma cena, uma cor diferente. Meu olfato, quase zero, não me permitem sentir os odores.. Ainda bem, segundo me dizem, pois Salvador fede a mijo em muitos locais. Desta parte estou livre, apesar de cabeça imaginar....
Mesmo acostumado e vibrando com o Kindle, sem poder ler o que já tenho nele, entre Barra , Pelourinho, Forum, Terminal da Lapa, locais por onde mais circulo, quando estou trabalhando, dou uma caminhada quando estou sem o peso do paletó e gravata, trazendo, quase sempre um livro na mochila.
Não me importo com a temperatura pois gosto de suar e só dou esta caminhada quando já estou indo para casa.O banho é mais gostoso.
Hoje, mais uma vez adentrei o Largo 2 de Julho. Adoro feira e a do Dois de Julho é muito especial.
Atualmente, os vendedores de frutas, com suas pequenas bancas, o mercado do largo com seus alimentos à venda; muitas frutas ; coco ralado na hora pelo amigo Paulo, está tudo muito organizado e limpo.
Para quem gosta de comer e beber em locais populares, o largo é prato e copo cheios.
Pois bem, caminhando da Praça da Sé , percorrendo a Rua Chile, Praça Castro Alves, parte da Carlos Gomes, dei mais uma entrada no Largo dois de Julho .
Além de assistir ao teatro a céu , passear no grande shopping de rua, BOTEI NA CABEÇA que hoje eu conheceria o ponto de livros usados na rua do Sodré, a mesma rua onde morou e morreu o grande poeta Castro Alves.
Um vendedor de livros usados, Ricardo, com ponto de vendas em frente à sede do Banco do Brasil no Comércio, alguns poetas, músicos, leitores, colegas de trabalho que moram ou circulam pelo Dois de Julho, sempre me falaram de uma pessoa que "era um intelectual, gente boa, formado em direito, amigo de artistas famosos', que eu deveria conhece-lo para "fazer uma reportagem sobre ele.
" . Tem gente que adora ser chamado de bonitão, rico, "pegador de todas as mulheres", "bom de bola", "bom em qualquer coisa,,". Eu adoro mesmo é quando me pedem para "fazer uma reportagem". Sinto-me Nelson Mota escrevendo sobre Bossa Nova, Rubem Braga com suas cronicas maravilhosas, Hemmingway falando das suas coisas, Steinbek , escrevendo e VIAJANDO COM CHARLEY.
A “reportagem” , na minha cabeça há muitos anos, não seria feita hoje. Mas encontraria a figura, ou pelo menos o ponto onde ele vendia seus livros usados.
No sentido , Praça da Sé Campo Grande, dobrei à direita na primeira entrada de acesso ao Largo dois de Julho.Em seguida, "guinei" à direita e entrei na Rua do Sodré. E nesta, ultrapassando poucas casas, e do lado esquerdo vejo uma boa quantidade de livros expostos em um pequeno tabuleiro e logo imaginei: Só pode ser aqui. E era.
Como quem apenas vai espiar os livros, lanço um olhar de "sou de paz", a 4 pessoas que ali estavam.
Além dos livros, das pessoas, do marzão lá no fundo dizendo “olhe para ver como sou lindo e venha cá”meu olhar foi fisgado por uma tira de papel , com o aviso exposto para quem por ali passasse, encravado entre as folhas dos livros:
"um real". Oh placa linda para quem gosta de comprar livros usados!
-Começo o meu papo: todos estes aqui são de um real/ ?.Sim, responde o “meu personagem”. !
E estes aqui? Dois reais.
Eu não estava acreditando no QUASE FREE LIVROS, diante do tipo de literatura e estado de conservação dos livros.
A pé, com mochila e pouco espaço em casa, com vontade de comprar todos, limitei-me a alguns:
A pé, com mochila e pouco espaço em casa, com vontade de comprar todos, limitei-me a alguns:
TEMPO DE CONTAR , JOEL SILVEIRA.-
RUBEM BRAGA- Literatura Comentada.
Marilia de Dirceu e Cartas Chilenas, Tomás Antonio Gonzaga,
RUBEM BRAGA- Literatura Comentada.
Marilia de Dirceu e Cartas Chilenas, Tomás Antonio Gonzaga,
Comprando e conversando, vou “descobrindo” o que há , o que tem a dizer o me personagem para a “reportagem” futura sobre o “intelectual, amigo de artistas famosos da Rua do Sodré” e ele vai soltando:
Formei-me em direito pela Ufba, foram meus mestres: Marilia Murici, Machadinho e Machadão......
“...aqui nesta porta de Bar sentava Luiz Melodia, passava o dia todo tomando todas, com aquele olhar de buscador de poesia. Mas dava para ver que ele não enxergava nada...de tão cheio....”
-Ele exergava tudo...esta vendo, sentido poesia. disse-lhe.
-Ele fez uma música para mim....Pois isto é para ser contado em uma manha, um dia, um mes, uma semana...e não em dez vinte minutos o que apenas disponho agora. Mas no dia não deixe faltar nada...!! Virei com GEOARTISCO, ou sozinho, ao som deste violão que está ai.
-Ele fez uma música para mim....Pois isto é para ser contado em uma manha, um dia, um mes, uma semana...e não em dez vinte minutos o que apenas disponho agora. Mas no dia não deixe faltar nada...!! Virei com GEOARTISCO, ou sozinho, ao som deste violão que está ai.
Apresentou-me então, um novo artista do largo, cantor, compositor, frequentador do local.
Despedi-me perguntando dias e horários que atendia:
-Fico aqui das 10 às 22 horas todos os dias de semana. E tenho, com parceiros, um sebo virtual.
Aqui ficam as promoções para sair logo. Obras raras, edições melhores, estão no nosso sebo virtual.
Deixo tudo: nomes das pessoas, do sebo, para quando eu for “fazer a reportagem”.
Tempo esgotado, voltando, descendo as escadas que dá acesso ao largo, ao antigo Cine Capri, vejo outra banca cheia de livros usados .Por um instante: penso: devo estar na suíça, devo pegar livros e deixar o dinheiro. Pois não havia quem atendesse na banca.....Mas não encontro os preços....
Alguns minutos depois, perguntando, apontam-me uma senhora baixinha, simpática, sorridente que grita de sua sua banquinha de frutas ou beiju, não olhei direito e ela responde:
Escolha que já desço para lhe dizer o preço.
Escolho :
O VAGABUNDO ORIGINAL , de Maximo Gorki.
Escolho :
O VAGABUNDO ORIGINAL , de Maximo Gorki.
Força Estranha, de Nelson Mota.
FAMILIA WINSHAW , Jonathan Coe.
A moça não desce. Subo , então as escadas os livros e os pagos.
Saindo , vai passando por mim, sem me ver, o meu amigo, Delegado aposentado, Wilson Feitosa, com um livro nas mãos.
Abordo-o:
-Ainda vou fazer isto : aposentar-me só para ler. Diz-me da satisfação que a leitura lhe proporciona e me diz:
Saindo , vai passando por mim, sem me ver, o meu amigo, Delegado aposentado, Wilson Feitosa, com um livro nas mãos.
Abordo-o:
-Ainda vou fazer isto : aposentar-me só para ler. Diz-me da satisfação que a leitura lhe proporciona e me diz:
Venho agora do Sebo do Brandão.
Pego- o pelo braço e o conduzo ao sebo do “intelectual amigo de artistas famosos” e fomos conversando sobre livros pontos de livros e nosso amigo comum, Delegado Dilermando Macedo, também aposentado, que foi quem mo apresentou quando ambos Delegados em Santo Amaro da Purificação , no ano de 1984.
Apresentados , vendedor e comprador de livros usados, senti que minha caminhada , da Praça da Sé até o Largo dois de julho foi proveitosa.
Trouxe casa uvas, mangas carlota, no meu uber(sou fã), e livros.
A “reportagem” fica para depois, pois meu personagem tem muita coisa para contar!
voltarei lá com GEOARTISTICO, ou sozinho. Sem contar para os amigos é que não ficará.
Salvador, 6 de fevereiro de 2018.

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