BIKE, BICICLETA, VALCI BARRETO , LITERATURA

5 de janeiro de 2016

CICICLISMO, PEDAL DO JABUTIS VAGAROSOS DO DIA 31.12.2015

AS IMAGENS ESTAO NO FACEBOOK/VALCIBARRETO


JABUTIS VAGAROSOS, PEDAL DE VENETA DA TARDE DE 31 DE DEZEMBRO DE 2016

VALCI BARRETO.
facebook/valcibarreto
www.bikebook.blogspot.com

PEDAL DE VENETA.

Postei no zap do grupo do JABUTIS VAGAROSOS: estou saindo agora de Ondina. Vou circular com minha magrela por aí. Prometo deixar o celular ligado para quem quiser encontrar-se comigo. Não sei para onde vou. Sei que vou.

Escolhi os caminhos do centro, os que mais gosto de pedalar em feriados, ou dias de menos movimentos comerciais.
Acessei a ladeira ao lado do Bom Preço, do Chame Chame, empurrando a magrela até o Jardim da Graça, seguindo pela ciclofaixa do Corredor da Vitória, sempre com seu vento, sombra, frescor encantadores e as ruas quase todas somente minha e da minha magrela.
Seguindo a Avenida Sete, na Praça da Piedade, vejo o LAZARO, que vende livros usados, em frente à entrada para o Largo Dois de Julho, que não esperava estar hoje em seu ponto.

COM LÁZARO, PONTO DE VENDAS DE LIVROS USADOS. CLÁSSICOS DE CINCO, DEZ REAIS...NAO DÁ PARA NÃO COMPRAR.

Ainda não posso dizer que Lazaro é meu amigo,considerando os poucos momentos que estive ali para comprar algum livro. Posso até afirmar, forçando a barra, que sou   amigo do seu filho. Este, atendeu-me um dia em que também  estava treinando aulas de violão. Eu aprendi a tocar duas músicas em violão. Só duas. Mesmo sendo duas, tenho feito  milagres com elas por aí .Isto porque, para quem não sabe nenhuma, aprender duas já é um bom começo. Quem aprende duas, passa para três, quatro , até o infinito. Eu não continuei. Fiquei nas duas
No dia em que o filho de Lázaro me atendeu, e me disse que ainda não tocava nada, que havia começado naqueles dias a treinar as primeiras aulas que estava tomando, aproveitei para exercer meu magistério de duas músicas mal tocadas. Pedi-lhe o violão, mesmo de paletó e gravata, em dia de trabalho na Praça da Piedade ,  toquei e cantei baixinho, somente para ele:

“ Nestes versos tão singelos, minha bela meu amor...
Mesmo mal tocada, senti o garoto dando aquela atenção, aqueles olhos acessos de quem quer aprender, e a simpatia do sorriso de “gostei, vou aprender”...
Hoje, estava Lázaro, e sua filha que, em pé,  afagava seu filho, neto do Lázaro, nos braços.
Perguntando de imediato pelo seu filho, e tendo ele me informado que não veio hoje , acrescentou  que ele já aprendeu a tocar a musica que eu lhe ensinara. Claro que me senti um SEGOVIA!
Elogiando a educação, simpatia, atenção dos seus filhos, ele começou a contar sua história: era menino de rua. Dormia na Avenida Sete, ali mesmo pela região da Piedade e apontou para a calçada da farmácia ao lado “ fiz”  meus filhos ali, naquela calçada.”. E que  agradecia `a Paroquia da Piedade a sua libertação das ruas, sonhando para breve a abertura de uma loja de livros usados.
Comprei dez livros, vinte reais tudo...,entre eles, alguns clássicos da literatura, conservados, capa dura, coisa boa, os quais estão nas fotos que ilustram este texto.
Pagos os livros, postos no bagageiro da bike, sigo pelo Largo Dois de Julho, um dos mais encantadores locais para quem passa a pé ou de bicicleta pelo centro de Salvador, pelo menos para mim.
LARGO DOIS DE JULHO, MOLESKINES , CORDÕES PARA VALCISKINES.
Sou apaixonado por Moleskine, que me foi apresentada por uma das minhas filhas, então uma iniciante profissional da imprensa que também me contou a história desta agenda de anotações.
Amadas por Jornalistas, escritores,  O marketing fez o resto, transformando-as em um grande mito, um ícone em  cadernetas de anotações.
Mas como são caras!!!
Por serem tão caras, só compro para dar de presente a pessoas muito especiais.
Mesmo para minhas filhas, que adoram, temos um acerto: melhor as baratinhas , compradas em lojas chinesas(poucas vendem), ao preço de 8,10,12 reais, na Carlos Gomes. Fernanda Carvalho , da FRENTE &VERSO COMUNICAÇÕES já recebeu algumas de presente. (Espero que após este aviso os  amigos chineses não aumentem o preço!)
Se não for para presentear alguém, dificilmente usarei uma Moleskine original.Mesmo para presentes, não pode ser para todo mundo porque pode cair em mãos daquele sujeito que, sem nenhum paladar, recebe o mais caros dos vinhos; sem nenhum olfato, recebe o melhor dos perfumes. Não combina..
Se eu for usar, sentir-me ei(gostaram?), como  aquele pobrezinho que namora uma princesa , vai passear em uma tarde de domingo e não pode-lhe oferecer nem mesmo um picolé Capelinha. Também não combina.
...
Então, faço as minhas VALCISKINES, das mais variadas formas. Para o preço não ficar o mesmo das originais, uso vários materiais. Ficam feias para serem mostradas  a algumas pessoas. Quando não há jeito  de escondê-las, passo óleo  de peroba no rosto, invento que sou ecologista radical, por isto uso papel reciclado,  estufo o peito , personifico profissionais de direito recém aprovados em concurso de altos salários ,penso que acabei de engolir um trilho e enfrento os inimigos,  os censores das “coisas de pobres”, e exibo , com altivez, a  minha moleskine, VALCISKINE, quero dizer.

LARGO DOIS DE JULHO -CESTINHA DE PRESENTE-GANHEI MEU PRESENTE DE FINAL DE ANO...
Além do desejo natural de passar pelo Largo 2 de Julho, descobrira em um dos meus passeios por ali, um mercadinho que vende cordão de algodão baratinho, no caso a 2,50, uma bola!
Ultrapassei o Largo , seguindo em direção à Carlos Gomes e o mercadinho que procurava  estava aberto. Parei em frente a ele, observando que uma moça do caixa olhava com uma certa curiosidade para minha bike com a placa de papelão  com os dizeres: PASSEIOS DE BICICLETAS-JABUTIS VAGAROSOS.
Encostada a bike, em um tipo de proteção para carro de motoristas mal educados não estacionarem nos passeios, nem bloquearem  a porta de entrada do mercadinho, dirigi-me a este  para comprar o cordão  para fazer a minha VALCISKINE.
Mesmo antes de entrar, a moça perguntou:
-Para onde é o passeio?
-Para onde você quiser, Aracaju, Maceió, Praia do Forte ou para um ponto qualquer a duzentos metros daqui. Você é quem vai dizer....-Respondi.
Foi a senha para o papo sobre bike, o que foi possível , graças ao pouco movimento no horário e a  simpatia que todos, inclusive clientes,  nos dispensavam.
Promessas para lá e para cá, dica para procurar o professor de bike, Lázaro; o bike Anjo; Tio Lu, para umas aulas para a colega dela que dizia não saber pedalar, dirijo-me ao caixa, para pagar. Vendo aqueles cestinhas de compras, pergunto: você não quer me vender uma destas, mesmo bem usadas, daquelas que já  estejam para fazerem  uma viagem para o lixo? –Risos...
Sei  que são vendidas na região da Calçada, mas dia de semana é complicada minha ida até lá.
Responde-me que não vende,  que  é para uso,. Tudo explicado, entendido e paga a conta de cinco reais por dois rolos de cordões , vou fazendo minhas saudações finais , caminhando em direção à minha magrela . Já de costas para elas, Adriana, e a amiga, que não tomei o  nome(pecado que não me perdou!!-vou lá de novo, só para perguntar e por aqui...), pergunta: se eu lhe der uma que está no depósito, você aceita?
Quase desmaiei de emoção e respondo: Óbvio...E não precisa ser doação, eu compro pelo preço de uma nova, mesmo se quebrada estiver, mesmo se perto da hora do enterro dela... risos.
Voce pode esperar ir buscar ? pergunta-me Adriana.
Até um ano se voce quiser... respondo. E , se voce acietar, eu pago até o preço de uma nova, repito.

-Não. Não vai precisar pagar.
Ela pede a alguém e retorna uma senhora  com mais um troféu do meu JABUTIS DE HOJE. Comemoro: e com uma das cores do meu Bahia! 
Será batizada no Cortejo do Bonfim!! Digo com sincero entusiasmo.
Virou mais uma festa.

Mesmo sozinho, foi um grande passeio para mim: Lázaro, Livros, cânticos e sons de sinos de Igreja; minha cestinha; esperanças de mais gente pedalando conosco e o cordão para fabrico das minhas VALCISKINES.


Só faltou a companhia de mais jabutis. Mas, como se diz, nem tudo que é bom é perfeito.

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