PEDAL “DE VENETA”, NA COPA DO MUNDO.
Valci Barreto.
De veneta é um termo muito interessante. Há um restaurante
no Pelourinho com este nome. Inspirado nele hoje, fiz um PEDAL DE VENETA. Com muitas tarefas
impedindo-me agregar mais pessoas pessoas para participar de um pedal basicão,
de repente não pude segurar. Apesar da vontade, não quis chamar outros jabutis porque, além do perigo
de PASSAR A VENETA, e eu não pedalar, ainda haveria necessidade de esperar o pessoal
se arrumar etc.
Então , exatamente ao meio dia, peguei minha famosa TARJA
PRETA, e disse para mim: vou ver, de
bicicleta, como estão as ruas de Salvador no sentido: Ondina, Fonte Nova, Centro
de Midia , na Praça Municipal, onde assistiria o primeiro tempo da seleção
brasileira e faria algumas fotos e algum
material para a FOLHA DO RECONCONCAVO.
AV CENTENÁRIO: MODELO,
COMO TANTOS OUTROS LOCAIS, DA BRUTALIDADE DOS NOSSOS MOTORISTAS.
Circular pela Vasco da Gama Centenário, Dique do Tororó, só
para citar locais por onde costumeiramente pedalo, é quase suicido pedalar por estes locais sem
aguçar as atenções. Não estou exagerando
e os iniciantes nem devem tentar.
Naquelas ruas temos o exemplo da estupidez, desrespeito ,
agressividade, descuido como dirigem nossos motoristas. Não são agressivos
apenas com bicicletas. A violência se apresenta, também de um carro em relação ao outro. A
bicicleta apenas aguça seus instintos piorados. Então, é buzinada , arrancada ,
zigue zague e, em vez de respeitar o metro e meio entre carro e bicicleta, eles
tiram fino, buzinam, agridem. Quando o
transito não está engarrafado, estas ruas centrais transformam-se em pistas de corridas.
Pois bem, mais uma vez consegui me livrar destes animais em
que se transformam muitas pessoas ao dirigir em nossas ruas.
Vencida a etapa da Centenário, peguei a ladeirinha que dá acesso ä Praça Garibaldi e lá fui eu.
Pistas um pouco mais largas, foi tudo tranquilo a partir daí. Observando que aproximava-se
a hora do jogo e os motoristas tornavam-se mais apressados e mais agressivos.
Na parte baixa da Ladeira São Jorge, desistir de ir até a Fonte Nova optando por subir a Ladeira do Politema, obviamente empurrando a
bicicleta. Alcançado o Instituto Feminino, Avenida Sete , ai foi um paraíso! As ruas praticamente toda minha:
quase sem carro e poucas pessoas em direção ao Pelourinho. A final, o jogo
começaria daí a pouco.
Por este caminho fui observando quantas pessoas que NEM
ESTAO AI PARA OS JOGOS OU PARA A COPA: ambulantes, pequenos vendedores, pequenos comerciantes mantinham normalmente suas atividades como se não
existisse nem futebol nem Copa do Mundo.Em alguns locais, bares, pequenos
espaços comerciais, haviam proprietários solitários sentados em uma mesa, sem
ter sequer um radinho ou celular ligado para assistir ao jogo, muitos
demonstrando uma serenidade de quem está muito de bem com a vida sem futebol.
Não deixa de ser admirável este equilíbrio emocional. Um ambulante, na Praça
Castro Alves, após o Glauber Rocha, foi o que mais me instigou: com um armário fixo,
vendendo balas, sentado em um banquinho de madeira, com mais dois companheiros
ao lado, demonstravam todos eles completa ausência do mundo do futebol.
CHEGANDO AO CENTRO DE
MIDIA.
Deixei minha bicicleta ao lado e entrei para o espaço
destinado aos profissionais da imprensa. Dirigi-me ao banheiro para tirar o
suor do rosto e ali me instalei para fazer o que imaginava poderia acontecer no
meu PEDAL JABUTI DE VENETA: assistir ao
primeiro tempo do jogo Brasil x Chile ,
fazer fotos e algumas anotações para a FOLHA DO RECONCAVO.
Aproximadamente dez profissionais se instalaram em frente ao
Telão para assistir o que todo mundo já sabe: um meio tempo muito ruim do
Brasil diante do Chile, e um juiz que não deixava o baba correr.
RETORNANDO NO INTERVALO.
Minha intenção seria assistir o segundo tempo na AAB ou na
BARRA. Terminado o primeiro tempo, pego
minha bike e em pouco tempo passei pelo
Corredor da Vitória. Na igreja da Vitória deu-me outra veneta e decidi:
desisto da Barra, da AAB e retorno para casa para assistir o restante do baba.
Pesou nesta decisão o fato de estar com um prendedor de bike não muito
confiável para os padrões do movimento de gente na Barra. Então, vou para o
segundo tempo, DE VENETA, para casa.
Com dois familiares assistindo o jogo, olhei a TV e notei: perdi
dez minutos do segundo tempo. Mas não tive prejuízo.
Aí o drama começou com
o fim milagroso: nossa seleção não fica de fora da Copa!
Agora, a estatística de tempo deste pedal : Iniciei 12.15, em Ondina, na Sabino Silva. Cheguei ao
Centro de Mídia quando cantava o Hino do
Chile. Assisti o primeiro tempo e saí poucos minutos após o intervalo por conta
de uma pequena resenha do jogo com os colegas do Centro de Mídia e cheguei em
casa aos 10 minutos do segundo tempo.
Como tudo aconteceu DE VENETA, não fiz a soma do tempo gasto
indo e voltando.
Foi um pedal muito feliz. Limpei alma, renovei suor, tomei
aquele banho, assisti ao jogo no sossego e fiquei ainda mais convencido de que
andar pelo centro da cidade em bicicleta é muito mais fácil, animado e
saudável.
Está passando da hora de os órgãos públicos, comércio,
cidadãos, movimentarem-se pela redução da velocidade nas ruas centrais da
cidade. Se isto não for feito, jamais Salvador terá o nome que a campanha da
SECOPA divulga: Cidades das Bicicletas.
Tem que haver redução de velocidade, com a certeza da
punição do infrator. Sem punição dos infratores , ciclovias, ciclofaixas terão o mesmo destino
das vias exclusivas para ônibus: ninguém respeita. E ninguém vai , por amor ä
bicicleta, pela simples vontade de deixar o carro em casa, querer viver a experiência de morto ou de inutilizado
pela brutalidade dos nossos motoristas: campanhas educativas, placas, sinais ,
nem mesmo a de pedestre lhe dizem
qualquer coisa. A brutalidade tem vencido até aqui.
De bom, além da
gostosa emoção do pedal, o que repetimos sempre: dá para pedalar em
Salvador, mesmo com estes animais ao volante.
E não vamos parar.
AVISO:
O ELEVADOR LACERDA , aos domingos, está liberado para
passagem de bicicleta. Vamos aproveitar, usar. Se não usarmos não fará sentido manter.
Visitem as paginas do salvadorvaidebike
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