BIKE, BICICLETA, VALCI BARRETO , LITERATURA

28 de junho de 2014

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PEDAL “DE VENETA”, NA COPA DO MUNDO.
Valci Barreto.

De veneta é um termo muito interessante. Há um restaurante no Pelourinho com este nome. Inspirado nele hoje,  fiz um PEDAL DE VENETA. Com muitas tarefas impedindo-me agregar mais pessoas  pessoas para participar de um pedal basicão, de repente não pude segurar. Apesar da vontade, não quis  chamar outros jabutis porque, alé­m do perigo de PASSAR A VENETA, e eu não pedalar, ainda haveria necessidade de esperar o pessoal se arrumar etc.
Então , exatamente ao meio dia, peguei minha famosa TARJA PRETA, e disse para mim: vou  ver, de bicicleta, como estão as ruas de Salvador no sentido: Ondina, Fonte Nova, Centro de Midia , na Praça Municipal, onde assistiria o primeiro tempo da seleção brasileira e  faria algumas fotos e algum material para a FOLHA DO RECONCONCAVO.
AV CENTENÁRIO: MODELO, COMO TANTOS OUTROS LOCAIS, DA BRUTALIDADE DOS NOSSOS MOTORISTAS.
Circular pela Vasco da Gama Centenário, Dique do Tororó, só para citar locais por onde costumeiramente pedalo,   é quase suicido pedalar por estes locais sem aguçar as atenções.  Não estou exagerando e os iniciantes nem devem tentar.
Naquelas ruas temos o exemplo da estupidez, desrespeito , agressividade, descuido como dirigem nossos motoristas. Não são agressivos apenas com bicicletas. A violência se apresenta,  também de um carro em relação ao outro. A bicicleta apenas aguça seus instintos piorados. Então, é buzinada , arrancada , zigue zague e, em vez de respeitar o metro e meio entre carro e bicicleta, eles tiram fino, buzinam, agridem.  Quando o transito não está engarrafado, estas ruas centrais transformam-se em pistas de corridas.
Pois bem, mais uma vez consegui me livrar destes animais em que se transformam muitas pessoas ao dirigir em nossas ruas.
Vencida a etapa da Centenário, peguei a ladeirinha  que dá acesso ä Praça Garibaldi e lá fui eu. Pistas um pouco mais largas, foi tudo tranquilo a partir daí. Observando que aproximava-se a hora do jogo e os motoristas tornavam-se mais apressados e mais agressivos.
Na parte baixa da Ladeira São Jorge, desistir de ir até  a Fonte Nova optando por subir  a Ladeira do Politema, obviamente empurrando a bicicleta. Alcançado o Instituto Feminino, Avenida Sete , ai foi um  paraíso! As ruas praticamente toda minha: quase sem carro e poucas pessoas em direção ao Pelourinho. A final, o jogo começaria daí a pouco.
Por este caminho fui observando quantas pessoas que NEM ESTAO AI PARA OS JOGOS OU PARA A COPA: ambulantes, pequenos vendedores,  pequenos comerciantes mantinham  normalmente suas atividades como se não existisse nem futebol nem Copa do Mundo.Em alguns locais, bares, pequenos espaços comerciais, haviam proprietários solitários sentados em uma mesa, sem ter sequer um radinho ou celular ligado para assistir ao jogo, muitos demonstrando uma serenidade de quem está muito de bem com a vida sem futebol. Não deixa de ser admirável este equilíbrio emocional. Um ambulante, na Praça Castro Alves, após o Glauber Rocha, foi o que  mais me instigou: com um armário fixo, vendendo balas, sentado em um banquinho de madeira, com mais dois companheiros ao lado, demonstravam todos eles completa ausência do mundo do futebol.
CHEGANDO AO CENTRO DE MIDIA.
Deixei minha bicicleta ao lado e entrei para o espaço destinado aos profissionais da imprensa. Dirigi-me ao banheiro para tirar o suor do rosto e ali me instalei para fazer o que imaginava poderia acontecer no meu PEDAL JABUTI DE  VENETA: assistir ao primeiro tempo do jogo Brasil  x Chile , fazer fotos e algumas anotações para a FOLHA DO RECONCAVO.
Aproximadamente dez profissionais se instalaram em frente ao Telão para assistir o que todo mundo já sabe: um meio tempo muito ruim do Brasil diante do Chile, e um juiz que não deixava o baba correr.
RETORNANDO NO INTERVALO.
Minha intenção seria assistir o segundo tempo na AAB ou na BARRA. Terminado  o primeiro tempo, pego minha bike e em pouco tempo passei pelo  Corredor da Vitória. Na igreja da Vitória deu-me outra veneta e decidi: desisto da Barra, da AAB e retorno para casa para assistir o restante do baba. Pesou nesta decisão o fato de estar com um prendedor de bike não muito confiável para os padrões do movimento de gente na Barra. Então, vou para o segundo tempo, DE VENETA, para casa.
Com dois familiares assistindo o jogo, olhei a TV e notei: perdi dez minutos do segundo tempo. Mas não tive prejuízo.
Aí o  drama começou com o fim milagroso: nossa seleção não fica de fora da Copa!
Agora, a estatística de tempo deste pedal : Iniciei  12.15, em Ondina, na Sabino Silva. Cheguei ao Centro de  Mídia quando cantava o Hino do Chile. Assisti o primeiro tempo e saí poucos minutos após o intervalo por conta de uma pequena resenha do jogo com os colegas do Centro de Mídia e cheguei em casa aos 10 minutos do segundo  tempo.
Como tudo aconteceu DE VENETA, não fiz a soma do tempo gasto indo e voltando.
Foi um pedal muito feliz. Limpei alma, renovei suor, tomei aquele banho, assisti ao jogo no sossego e fiquei ainda mais convencido de que andar pelo centro da cidade em bicicleta é muito mais fácil, animado e saudável.
Está passando da hora de os órgãos públicos, comércio, cidadãos, movimentarem-se pela redução da velocidade nas ruas centrais da cidade. Se isto não for feito, jamais Salvador terá o nome que a campanha da SECOPA divulga: Cidades das Bicicletas.
Tem que haver redução de velocidade, com a certeza da punição do infrator. Sem punição dos infratores ,  ciclovias, ciclofaixas terão o mesmo destino das vias exclusivas para ônibus: ninguém respeita. E ninguém vai , por amor ä bicicleta, pela simples vontade de deixar o carro em casa, querer  viver a experiência de morto ou de inutilizado pela brutalidade dos nossos motoristas: campanhas educativas, placas, sinais , nem mesmo a de pedestre  lhe dizem qualquer coisa. A brutalidade tem vencido até aqui.
De bom, além da  gostosa emoção do pedal, o que repetimos sempre: dá para pedalar em Salvador, mesmo com estes animais ao volante.
E não vamos parar.
AVISO:
O ELEVADOR LACERDA , aos domingos, está liberado para passagem de bicicleta. Vamos aproveitar, usar. Se não usarmos não fará sentido  manter.
Visitem as paginas do salvadorvaidebike

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