BIKE, BICICLETA, VALCI BARRETO , LITERATURA

31 de dezembro de 2013

FILAS, MAS SO NA SOMBRA , COM CADEIRA E AR CONDICIONADO!!

FILAS PODEM SER LOCAIS PARA ENCONTROS, BATE PAPOS, QUE A VIOLENCIA NÃO MAIS PERMITE EM OUTROS CANTOS.

Valci Barreto.
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Como postei pelamais cedo aqui, fui pagar uma continua na loterica do shopping barra. A fila era daqueles basiconas: apenas umas vinte pessoas. Meu espírito pedia ate uma maior, pois levei uma revista e o tablet com o aplicativo kindle . Ou seja, com ou sem bateria eu aproveitaria a fila. Quando shopping ou dentro de banco, no ar condicionado, exceto quando estou com muitas tarefas, prefiro as filas maiores do que a que vi na lotérica.
Pois bem, começo a aproveitar a MINHA FILA, dispensei a dos idosos, abri a veja e comecei a ler a coluna de jr guzzo, falando sobre a reação de Jose Dirceu e Genuíno sobre suas condenações. Verdade puríssima, pelo menos para mim, o que estava escrito.
Enquanto lia, uma garota por demais bonita, simpatitíssima,  no frescor de seus trinta e poucos anos,  mesmo com muita gente na fila, pergunta para mim: o senhor tem caneta? O
O  direcionamento da pergunta para mim, tem explicação obvia: com mochila, iniciando a péssima idade, barbudo, lendo uma revista , seria natural ser o único portador de uma caneta naquele ambiente de gente que só carrega  cartão de crédito e celular. Ainda mais que antes, dois senhores perguntavam e consseguiram, uma caneta para preencherem seus cartões de apostas.
Surpreso com a rara simpatia dos dias que correm,da moça,  tento ser, o máximo também:  minha senhora, não ando sem, acertou na mosca.! E mais, mesmos tendo-me afeiçoado ao   tablet, celular, não abro mão de um papel e uma caneta .
Bons risos,  entre os vizinhos de fila, congraçamento, comunicação imediata, espírito total de Ano Novo, Natal, apesar da fila.
Neste instante, chega a minha vez de ir  ao caixa, deixando a moça com a caneta, preenchendo pelos menos mas dez cartelas de apostas.
No caixa, recebo a sentença:
 Pagamento está encerrado. Está aberto somente para apostas.
-Sem problema, faça uma de dez ai, para mim, de qualquer número pois ganharei de todo jeito ...disse para a moça, para facilitar a comunicação, enquanto, ao meu lado, dois senhores gritavam, protestavam : se era assim deveriam avisar, tem gente que só veio pagar, que não quer apostar. Continuei apenas prestando atenção , ouvindo, respeitando, mas não dando razão aos reclamos: falta de comunicação em nossas casas de comercio de um modo geral, é a regra. Mesmo dando razão aos reclamos, não a altura do som do reclamo, continuei e terminei minha aposta.
Enquanto retorno, a moça me aborda:
-Senhor, sua caneta!
Minha senhora, esta é a sua caneta, a caneta da sorte, a lembrança do premio que a senhora vai receber e está cheia de espírito de Natal e Ano Novo! Já iria, e vou, comprar mais ali na Papel e Cia!!!
Alegria pura dos circunstantes.
E tem gente que reclama de fila.
Inspirou-me este texto, a indignação do grande professor e crítico de cinema , André Setaro e comentários de seus leitores em seu blog, no Google +.
Um dos comentadores, relatava a zanga que teve com um funcionário, de um banco que lhe reclamara por estar lendo no celular enquanto aguardava a fila.
Confesso, nunca brigo, nem me zango com funcionários. Eles cumprem ordens.
Uso outras armas para vencer filas:
Primeiro, um bom livro, agora acompanhado de um tablet.
A conformação, a certeza de que o Brasil não vive sem fila, a Bahia sem som alto, sem grito, sem mortes no transito.
Então curto filas e acho que poderíamos usa-las como pontos de encontros, bate papos, troca de ideias, reunião de negócios. A final, os assaltos, a internet, o transito, a vaidade, o egoísmo, coisas assim estão, cada vez mais isolando pessoas. As filas, ao contrário, une-as.
Hoje, tive uma fila especial: conheci uma pessoa por demais simpática, coisa rara, que nos dá esperanças de que nem tudo tá perdido no mundo caras feias , de zangas e de medo, pude dar um presente simples, mas cheio de espírito de natal e vi uma pessoa , gente muito boa que, pelo menos há uns dez anos não o via: o ex Deputado Luiz Nova.
Tudo isto em uma fila de poucos minutos. Confesso, pensei até em voltar para conhecer as novas pessoas que já deveriam ter ocupado os lugares das que conheci.
Vamos fazer das nossas filas locais de encontros festivos.
Adoro filas, confesso.
Mas, para evitar dúvidas: so em sombra, ar condicionado e, de preferência, com cadeiras para sentar, como a que fiquei, no Hiper Bom Preco, ao lado da minha filha, na véspera de Natal falando de filas, de comercio, de literatura, jornalismo. Nela ainda tive a alegria de encontrar e bater um papo com a colega Luciana Marques, que, depois que nos formamos em Jornalismo, só nos falamos pelo face.
Quem venham mais filas em 2015. Mas com cadeira e ar condicionado.
Não gosto mesmo é de engarrafamento. Mesmo assim, quando estou em bicicleta e passo por um , bem grande,  comemoro. É quando os motoristas não conseguem tirar fino em mim, nem me atropelar.
Conferi agora minha aposta. Não vou dar presentes milionários a amigos e parentes.
Vou torcer para que a moca tenha acertado com a caneta da sorte.
FELIZ  ANO PARA TODOS. O MEU NÃO SERA BOM: Para atender a pedidos de familiares, vou pegar uma fila ai pela paralela, orla de salvador. Ainda bem que fiz uma exigência e fui atendido: não vou dirigindo, já que vocês não vão de bicicleta.
O tablete já tá bem carregado!




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