TRAGEDIA EM
ONDINA.
Valci
Barreto.
Por menos
sensíveis que sejamos, há cenas que continuam a chocar. Ainda bem ; demontram
que ainda resta ternura, dor, esperança.
Não sou mais
nem menos que ninguém, mas desde que tomei conhecimento do fato e vi as
imagens, não mais parei de pensar no assunto.
Tragédia como a que resultou na morte dos
jovens ontem em Ondina, continuam chocando. E, sempre que elas acontecem,
sobretudo no transito, lembro de um
filme que assisti na adolescência, a
MAQUINA DO TEMPO, em que o personagem faz uma viagem para o futuro e para o
passado. No futuro, são apresentadas cenas em que a morte, o sofrimento alheio , o chorar, o perdem o sentido.
Em uma das
suas passagens, há uma pessoa se afogado na borda de um rio. Até com uma
braçada , um arremesso de uma corda, ou cipó, salvaria a vitima. Mas as pessoas que passam
ao seu lado sem lhe dar qualquer
importância. Sequer olhavam para o
moribundo.
A tragédia
que vitimou os dois jovens ontem demonstra que ainda não chegamos a tanto: as
pessoas reagiram, a imprensa noticia, as redes sociais atacam , e tocam em
pessoas que não tem qualquer relação com autora e vítimas da tragédia.
Apesar das
censuras à imprensa por mostrar de forma eloquente as maiores barbaridades, elas continuam chocando e promovendo reações
hoje ampliadas pelas redes sociais. Sou mais a imprensa que está aí do que
nenhuma.
As pessoas
que assistam , que peneirem, o que querem e o que não querem ver. A Democracia
paga também o seu preço e um deles é a convivência com os abutres abrigados em
toda e qualquer profissão, órgão ou entidade: na medicina, advocacia, imprensa,
judiciário, ministério publico, todas elas formadas por pessoas e por isto com
seus santos e demônios.
Por receios
de processos, por construção de uma Ética própria, ou com tijolos do medo de ações judiciais , a
imprensa , ao relatar fatos como o que vitimou os dois jovens em Ondina, revela
em suas matérias as incertezas que a sociedade não tem mais em relação aos
crimes cometidos no transito.
A população
cansou de ouvir , de ler relatos de crimes no transito tratados, pela imprensa,
genericamente falando, como acidente, como derrapagem, descontrole ao volante,
ou outros eufemismos . No popular, graças ä força das redes sociais, a
população NÃO ENGOLE MAIS. Mas é certo que deve, também, compreender os motivos
quem levam a imprensa responsável, equilibrada, a tratar estes crimes como se
acidente fosse.
Aproveitei-me
e aproveito o que posso das redes sociais para dizer coisas, relatar fatos que
acho importantes pelo menos para pessoas que tem vontade de andar em moto e em
bicicleta em nossas ruas, que é o meu caso.
Como tenho
escrito por aqui, engarrafamentos e buracos nas ruas, já que o poder publico
não tem mais como controlar esta população embrutecida ao volante, sob pena de
perder eleição, são as melhores coisas para controlar a ira destes animais que
circulam em nossas ruas.
E são tão
irracionais que são capazes de cometer os maiores abusos convencidos de que
estão corretíssimos.
A
brutalidade que vitimou os dois motociclistas não teria acontecido se naquele
momento houvesse um engarrafamento. A
não ser com tiro, o que também é comum no transito, a médica não teria matado . Com a rua livre, fez ela o que
milhares de outros todos os dias arriscam a fazer em ruas que passo, como
Centenário e Dique do Tororó, independetemente de alquém ter tocado em seu
carro ou lhe dirigido palavras. Quando tocam em seus veículos a brutalidade e
apenas mais acentuada. Resumindo, são brutos, estúpidos, animais, deselegantes,
desrespeitosos em qualquer lugar, dia e hora. Em salvador há uma forma cruel de
dirigir, genericamente falando: só dirigem a um palmo de outro carro, usam som
alto, mudam para la e para cá , ziguezageando , na pratica recorrente da LEI DO
GERSON, buzinam, aceleram, não respeitam faixas de pedestres; e a semáforos,
somente se houver soldado ou certeza de multa.
Só falo dos
locais por onde ando. Ai tenho autoridade: fiquem na faixa de pedestre ao lado
do Vitoria Center, para ver se algum motorista para seu veículo para algum pedestre.
Os carros , do tipo do da medica , podem olhar, são exatamente os mais
arrogantes, cegos, desrespeitosos.
São raros os
motoristas que respeitam e dão passagens a pedestres naquele local.
Vejam,
agora, estes mesmos motoristas circulando dentro do Shopping Barra, na saída dos
seus veículos: como há câmara em todos os lados, vigilante a cada metro, e uma
pista estreita, quase sempre observam e respeitam quem está a pé. O mesmo
motorista dentro e fora do Shopping parecem duas pessoas distintas.
A mesma pessoa, assim, como qualquer animal
selvagem, tem dois comportamos: um quando engaiolado e outro quando em pasto
amplo.
Por andar a
pé, de carro, em moto, em bicicleta, procuro passar estas experiências para
quem delas desejarem partilhar.
Nunca fui
atropelado, em moto nem em bicicleta. Mas assassinos do transito, animais do
transito, todos os dias me cortejam das mais estúpidas formas.
Digo, para
quem quer andar em moto ou em bicicleta em Salvador: pensem que todos os
motoristas são assassinos . Pensando assim, seu sistema de defesa natural ,
racional ou não fará você deles se afastar. É pensando assim que tenho me
livrado de assassinos e de acidentes , desde a hora que saio de casa até a
chegada em meu destino.
Tenho amigos
que andam em bike, que em meus passeios tem coragem de ultrapassar ônibus. Eu
não os ultrapasso nem mesmo quando estão parados. Fico atrás, esperando a sua
saída. Até agora, é o que tem me mantido são e vivo.
Em cinco
minutos de gravação de um vídeo, nos 400 metros das proximidades do Shopping
Barra, na Avenida Centenário, serão gravadas cenas que as pessoas todos os dias
, dos volantes dos seus carros, provocam, assistem, como a coisa mais banal:
zugues zagues, buzinadas agressivas, direção a um palmo de moto, carro,
bicicleta ou pedestre.
Ainda não
fui vitima porque: fico longe dos seus
carros, o máximo que posso, não lhe dirijo a palavra ,a não ser para pedir
licença, dando sinais com mãos, balança de cabeça. Mas o que me matem vivo
mesmo, alem deste meu sistema de defesa são os engarrafamentos na área, que não
permitem os animais apertarem o acelerador e as buzinas. Encostam o Maximo que
podem, ficam a dois centimetros da moto, mas não me atropelam. Pelo menos até
agora tem sido assim.
Comentam nas
redes sociais que tanto os jovens, como a medica ultrapassaram a sinaleira em
alta velocidade. Tenho minhas duvidas que,
se o semáforo acusasse a velocidade e determinasse multa para alta que eles
assim procedessem. Poderiam até se matarem lá na frente, mas respeitariam o
sinal. Multa , aqui, vale mais que vida de outra pessoa.
Também não
teria ocorrido aquela tragedia se houvessem obstáculos que contivessem a
velocidade. Sinaleira sem multa, transito livre, aliado aos outros fatores,
funcionaram como ingredientes aceleradores da matança.
Realmente
causa-me muita indignação ver, vizinhos, acossarem-me , empurrarem-me em suas
camionetes, freados apenas pelo engarrafamento.
Porem, pelo
menos ate agora, fazendo toda uma reflexão antes de sair e quando volto, tenho
me mantido vivo e longe de acidentes.
Até agora, estou livre de tragédias, de
acidentes, de ser tocados em minha moto
e bicicleta tão somente pelo meu jeito de andar nas ruas e pelos
engarrafamentos da centenário e centro da cidade de um modo geral. Pelos
motoristas certamente já estaria morto ou aleijado.
Até entre
familiares já pedi : pare aqui que não vou andar na carona com quem dirige
deste jeito.
Ao volante,
até familiares gritam: ‘’ acelere, a sinaleira vai fechar”. Mas não atendo. O
inconformado que desça. Pago o taxi , dou o carro, mas ele não vai acelerar
enquanto eu estiver na direção ou no carona.
Nunca, nuca
mesmo, toquei no fundo de um carro. Já bateram no meu, como já bateram em quase
o de todo mundo de mais de um ano de compra.
Recentemente,
almoçando com um amigo, dono de um restaurante, comentou ele: ficou apavorado no carro dirigido pelo seu
genro. Não teve coragem de, durante a viagem, falar sobre o assunto, preferindo
fazê-lo em casa.
Disse para
ele: jamais alguém vai dirigir assim comigo na sua companhia. E não vai mesmo.
Ando com o dinheiro do taxi, ou pego meu ônibus, esteja onde eu estiver. Alias,
sabendo de alguém que dirige perigosamente, eu nem entro no carro. Gente que
anda xingando, brigando, trocando farpas no transito, não terão, jamais, a
minha companhia. Prefiro andar a pé , debaixo de temporal...
E digo: ‘’ sou froxo”, convarde, medroso, mole, no
transito. E com muito orgulho. Mas sou forte o suficiente para não permitir que
os animais , ao volante, conduzam do jeito que quiserem quando, por acaso, com
algum eu estiver. E tem mais: saio bem ZEM! Sem qualquer remorso, tristeza,
ódio. SAIO NUMA BOA!
Posso morrer
de susto, de bala ou vicio, como diz a canção do poeta Capinam. De acidente,
sim, pode acontecer. Mas perder minha vida por irresponsabilidade ao volante,
como dirigir bêbado ou com sono, por exemplo,
jamais.
Proceder
também como a médica, pelo menos na cena mostrada em vídeo, jamais. Ali, não
foi acidente. Temos que ter coragem de enfrentar os eufemismos que tem
protegido a violência no transito; e devolver à imprensa o dever de mostrar,
sem receios, os fatos como são. Isto é que é democracia e respeito ã cidadania.
Os eufemismos de que tudo foi acidente, descontrole do carro, derrapagem,
defeito do carro, só tem estimulado a violencia e protegido os assassinos,
especialmente os de carrões que, por coincidência, era o usado pela médica.
Quem anda em
motos , carros simples, bicicletas, pelas ruas de Salvador, sabem como dirigem,
o que de perigo promovem pessoas que estão neste tipo de carro: sentem-se os
donos dos destinos, do rítimo, da velocidade e de todos os espaços por onde
circulam. Os Apenas a arrogância dos outros e o perigo , são maiores: matam com
mais velocidade e com menos perigo para os seus condutores.
Nisto,
lamentavelmente, as pessoas têm sido muito iguais.
Recentemente,
passava pelo Dique do Tororo. Vem de lá uma destas caminhonetes, arremessando Na
direção dos outros motoristas, demonstrando
muita pressa, na base do SAI DA FRENTE QUE QUERO PASSAR. Olhei para o
lado e, quando ela deu uma brusca freada, reconheci-a: era uma desembargadora
do TRIBUNAL DO TRABALHO, certamente atrasada para uma das suas reuniões.
Conheço-a , como a maioria dos colegas,
com uma das mais das mais dóceis e tranquilas entre os membros daquele
tribunal.
Recentemente,
fui acossado por uma outra destas
caminhonetes aqui no Vitoria Center: tudo engarrafado, seguindo eu atrás do
veiculo, sem os zigues zagues , tudo certinho. Uma destas camionetes tenta
forçar aqui, tenta forçar ali, espreme , buzina, acelara, encosta, e chega a um palmo da minha moto e, como
sempre faço sinais com a mao, braço, pescoço, demonstrando para ela: você deve
aliviar, esta a um palmo da minha ybr 2003, por favor, não apresse a sua ,da moto, aposentadoria...,
faste-se um pouco”. Neste momento, ouço uma voz do carro agressor:
-Voce anda
de bicicleta e agora é de moto também, como uma forma leve de pedir desculpas. Pela voz, suponho ter sido uma minha colega
de advocacia.
Há autoridades
e pessoas comuns que parece terem-se
formado em uma única auto escola, que ostentadora de uma enorme placa: APRENDA
AQUI, COMO MATAR, ESTRESSAR, BATER, BUZINAR , AGREDIR, MALTRATAR PESSOAS QUE
ESTEJA EM SUA FRENTE NO TRANSITO.
Os carros
utilitários ‘e outra tragédia no
transito, convencidos que são de que a entrega de seus produtos no tempo que
eles querem, vale mais que qualquer obstáculo em sua frente, inclusive a vida
de outras pessoas.
Sabemos que
nada vai mudar depois deste cruel NÃO ACIDENTE
que vitimou os dois jovens. As buzinadas, zigues zagues, aceleradas e tregédias
continuarão.
Estimular a
família vitimada a perseguir a punição , no devido processo legal, mostrar do que ‘e capaz de fazer de mal um
veiculo em mãos de pessoas descontroladas, moto , carro ou bicicleta, e’ o
dever de todos, começando em nossas casas.
Se não
servirem para nós, , geração já perdida, aprovietarão delas nossos filhos e netos. Talvez...
Desta vez,
para somar, vitimas e autores não são os NINGUEM dos extremos geográficos e
econômicos das cidades grandes, cuja notícia de iguais tragédias somente chegam
até nós pelos bilhetinhos trazidos por pneus
queimados pela indignação dos seus moradores que todos os dias perdem pessoas para a brutalidade
dos motoristas irresponsáveis.
De igual, dos
de lá e de cá, o sofrimento de quem ficou para chorar as perdas , que atingem
autores e vitimas. E as
matérias da parte abutre, podre, da
mídia.
Doloroso.
Aprendamos na dor, já que , no transito, não se quer aprender com respeito aos
outos.
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