BIKE, BICICLETA, VALCI BARRETO , LITERATURA

12 de outubro de 2013

TRAGEDIA EM ONDINA

TRAGEDIA EM ONDINA.
Valci Barreto.

Por menos sensíveis que sejamos, há cenas que continuam a chocar. Ainda bem ; demontram que ainda resta ternura, dor, esperança.
Não sou mais nem menos que ninguém, mas desde que tomei conhecimento do fato e vi as imagens, não  mais parei de pensar no assunto.
 Tragédia como a que resultou na morte dos jovens ontem em Ondina, continuam chocando. E, sempre que elas acontecem, sobretudo no transito,  lembro de um filme que assisti  na adolescência, a MAQUINA DO TEMPO, em que o personagem faz uma viagem para o futuro e para o passado. No futuro, são apresentadas cenas em que a morte, o sofrimento  alheio , o chorar, o perdem o sentido.
Em uma das suas passagens, há uma pessoa se afogado na borda de um rio. Até com uma braçada , um arremesso de uma corda, ou cipó,  salvaria a vitima. Mas as pessoas que passam ao seu lado sem  lhe dar qualquer importância.  Sequer olhavam para o moribundo.
A tragédia que vitimou os dois jovens ontem demonstra que ainda não chegamos a tanto: as pessoas reagiram, a imprensa noticia, as redes sociais atacam , e tocam em pessoas que não tem qualquer relação com autora e vítimas da tragédia.
Apesar das censuras à imprensa por mostrar de forma eloquente as maiores barbaridades,  elas continuam chocando e promovendo reações hoje ampliadas pelas redes sociais. Sou mais a imprensa que está aí do que nenhuma.
As pessoas que assistam , que peneirem, o que querem e o que não querem ver. A Democracia paga também o seu preço e um deles é a convivência com os abutres abrigados em toda e qualquer profissão, órgão ou entidade: na medicina, advocacia, imprensa, judiciário, ministério publico, todas elas formadas por pessoas e por isto com seus santos e demônios.
Por receios de processos, por construção de uma Ética própria, ou  com tijolos do medo de ações judiciais , a imprensa , ao relatar fatos como o que vitimou os dois jovens em Ondina, revela em suas matérias as incertezas que a sociedade não tem mais em relação aos crimes cometidos no transito.
A população cansou de ouvir , de ler relatos de crimes no transito tratados, pela imprensa, genericamente falando, como acidente, como derrapagem, descontrole ao volante, ou outros eufemismos . No popular, graças ä força das redes sociais, a população NÃO ENGOLE MAIS. Mas é certo que deve, também, compreender os motivos quem levam a imprensa responsável, equilibrada, a tratar estes crimes como se acidente fosse.
Aproveitei-me e aproveito o que posso das redes sociais para dizer coisas, relatar fatos que acho importantes pelo menos para pessoas que tem vontade de andar em moto e em bicicleta em nossas ruas, que é o meu caso.
Como tenho escrito por aqui, engarrafamentos e buracos nas ruas, já que o poder publico não tem mais como controlar esta população embrutecida ao volante, sob pena de perder eleição, são as melhores coisas para controlar a ira destes animais que circulam em nossas ruas.
E são tão irracionais que são capazes de cometer os maiores abusos convencidos de que estão corretíssimos.
A brutalidade que vitimou os dois motociclistas não teria acontecido se naquele momento houvesse um  engarrafamento. A não ser com tiro, o que também é comum no transito, a médica não teria  matado . Com a rua livre, fez ela o que milhares de outros todos os dias arriscam a fazer em ruas que passo, como Centenário e Dique do Tororó, independetemente de alquém ter tocado em seu carro ou lhe dirigido palavras. Quando tocam em seus veículos a brutalidade e apenas mais acentuada. Resumindo, são brutos, estúpidos, animais, deselegantes, desrespeitosos em qualquer lugar, dia e hora. Em salvador há uma forma cruel de dirigir, genericamente falando: só dirigem a um palmo de outro carro, usam som alto, mudam para la e para cá , ziguezageando , na pratica recorrente da LEI DO GERSON, buzinam, aceleram, não respeitam faixas de pedestres; e a semáforos, somente se houver soldado ou certeza de multa.
Só falo dos locais por onde ando. Ai tenho autoridade: fiquem na faixa de pedestre ao lado do Vitoria Center, para ver se algum motorista para seu veículo para algum pedestre. Os carros , do tipo do da medica , podem olhar, são exatamente os mais arrogantes, cegos, desrespeitosos.
São raros os motoristas que respeitam e dão passagens a pedestres naquele local.
Vejam, agora, estes mesmos motoristas circulando dentro do Shopping Barra, na saída dos seus veículos: como há câmara em todos os lados, vigilante a cada metro, e uma pista estreita, quase sempre observam e respeitam quem está a pé. O mesmo motorista dentro e fora do Shopping parecem duas pessoas distintas.
 A mesma pessoa, assim, como qualquer animal selvagem, tem dois comportamos: um  quando engaiolado e outro quando em pasto amplo.

Por andar a pé, de carro, em moto, em bicicleta, procuro passar estas experiências para quem delas desejarem partilhar.
Nunca fui atropelado, em moto nem em bicicleta. Mas assassinos do transito, animais do transito, todos os dias me cortejam das mais estúpidas formas.
Digo, para quem quer andar em moto ou em bicicleta em Salvador: pensem que todos os motoristas são assassinos . Pensando assim, seu sistema de defesa natural , racional ou não fará você deles se afastar. É pensando assim que tenho me livrado de assassinos e de acidentes , desde a hora que saio de casa até a chegada em meu destino.
Tenho amigos que andam em bike, que em meus passeios tem coragem de ultrapassar ônibus. Eu não os ultrapasso nem mesmo quando estão parados. Fico atrás, esperando a sua saída. Até agora, é o que tem me mantido são e vivo.
Em cinco minutos de gravação de um vídeo, nos 400 metros das proximidades do Shopping Barra, na Avenida Centenário, serão gravadas cenas que as pessoas todos os dias , dos volantes dos seus carros, provocam, assistem, como a coisa mais banal: zugues zagues, buzinadas agressivas, direção a um palmo de moto, carro, bicicleta ou  pedestre.


Ainda não fui vitima  porque: fico longe dos seus carros, o máximo que posso, não lhe dirijo a palavra ,a não ser para pedir licença, dando sinais com mãos, balança de cabeça. Mas o que me matem vivo mesmo, alem deste meu sistema de defesa são os engarrafamentos na área, que não permitem os animais apertarem o acelerador e as buzinas. Encostam o Maximo que podem, ficam a dois centimetros da moto, mas não me atropelam. Pelo menos até agora tem sido assim.
Comentam nas redes sociais que tanto os jovens, como a medica ultrapassaram a sinaleira em alta velocidade. Tenho minhas duvidas  que, se o semáforo acusasse a velocidade e determinasse multa para alta que eles assim procedessem. Poderiam até se matarem lá na frente, mas respeitariam o sinal. Multa , aqui, vale mais que vida de outra pessoa.
Também não teria ocorrido aquela tragedia se houvessem obstáculos que contivessem a velocidade. Sinaleira sem multa, transito livre, aliado aos outros fatores, funcionaram como ingredientes aceleradores da matança.
Realmente causa-me muita indignação ver, vizinhos, acossarem-me , empurrarem-me em suas camionetes, freados apenas pelo engarrafamento.
Porem, pelo menos ate agora, fazendo toda uma reflexão antes de sair e quando volto, tenho me mantido vivo e longe de acidentes.
 Até agora, estou livre de tragédias, de acidentes, de ser tocados  em minha moto e bicicleta tão somente pelo meu jeito de andar nas ruas e pelos engarrafamentos da centenário e centro da cidade de um modo geral. Pelos motoristas certamente já estaria morto ou aleijado.
Até entre familiares já pedi : pare aqui que não vou andar na carona com quem dirige deste jeito.
Ao volante, até familiares gritam: ‘’ acelere, a sinaleira vai fechar”. Mas não atendo. O inconformado que desça. Pago o taxi , dou o carro, mas ele não vai acelerar enquanto eu estiver na direção ou no carona.
Nunca, nuca mesmo, toquei no fundo de um carro. Já bateram no meu, como já bateram em quase o de todo mundo de mais de um ano de compra.

Recentemente, almoçando com um amigo, dono de um restaurante, comentou ele:  ficou apavorado no carro dirigido pelo seu genro. Não teve coragem de, durante a viagem, falar sobre o assunto, preferindo fazê-lo em casa.
Disse para ele: jamais alguém vai dirigir assim comigo na sua companhia. E não vai mesmo. Ando com o dinheiro do taxi, ou pego meu ônibus, esteja onde eu estiver. Alias, sabendo de alguém que dirige perigosamente, eu nem entro no carro. Gente que anda xingando, brigando, trocando farpas no transito, não terão, jamais, a minha companhia. Prefiro andar a pé , debaixo de temporal...
E digo:  ‘’ sou froxo”, convarde, medroso, mole, no transito. E com muito orgulho. Mas sou forte o suficiente para não permitir que os animais , ao volante, conduzam do jeito que quiserem quando, por acaso, com algum eu estiver. E tem mais: saio bem ZEM! Sem qualquer remorso, tristeza, ódio. SAIO NUMA BOA!
Posso morrer de susto, de bala ou vicio, como diz a canção do poeta Capinam. De acidente, sim, pode acontecer. Mas perder minha vida por irresponsabilidade ao volante, como dirigir bêbado ou com sono, por exemplo,  jamais.
Proceder também como a médica, pelo menos na cena mostrada em vídeo, jamais. Ali, não foi acidente. Temos que ter coragem de enfrentar os eufemismos que tem protegido a violência no transito; e devolver à imprensa o dever de mostrar, sem receios, os fatos como são. Isto é que é democracia e respeito ã cidadania. Os eufemismos de que tudo foi acidente, descontrole do carro, derrapagem, defeito do carro, só tem estimulado a violencia e protegido os assassinos, especialmente os de carrões que, por coincidência, era o usado pela médica.
Quem anda em motos , carros simples, bicicletas, pelas ruas de Salvador, sabem como dirigem, o que de perigo promovem pessoas que estão neste tipo de carro: sentem-se os donos dos destinos, do rítimo, da velocidade e de todos os espaços por onde circulam. Os Apenas a arrogância dos outros e o perigo , são maiores: matam com mais velocidade e com menos perigo para os seus condutores.
Nisto, lamentavelmente, as pessoas têm sido muito iguais.
Recentemente, passava pelo Dique do Tororo. Vem de lá uma destas caminhonetes, arremessando Na direção dos outros motoristas, demonstrando  muita pressa, na base do SAI DA FRENTE QUE QUERO PASSAR. Olhei para o lado e, quando ela deu uma brusca freada, reconheci-a: era uma desembargadora do TRIBUNAL DO TRABALHO, certamente atrasada para uma das suas reuniões. Conheço-a ,  como a maioria dos colegas, com uma das mais das mais dóceis e tranquilas entre os membros daquele tribunal.
Recentemente, fui acossado por uma outra  destas caminhonetes aqui no Vitoria Center: tudo engarrafado, seguindo eu atrás do veiculo, sem os zigues zagues , tudo certinho. Uma destas camionetes tenta forçar aqui, tenta forçar ali, espreme , buzina, acelara, encosta,  e chega a um palmo da minha moto e, como sempre faço sinais com a mao, braço, pescoço, demonstrando para ela: você deve aliviar, esta a um palmo da minha ybr 2003, por favor, não  apresse a sua ,da moto, aposentadoria..., faste-se um pouco”. Neste momento, ouço uma voz do carro agressor:
-Voce anda de bicicleta e agora é de moto também, como uma forma leve de pedir desculpas.  Pela voz, suponho ter sido uma minha colega de advocacia.  
Há autoridades e pessoas comuns que  parece terem-se formado em uma única auto escola, que ostentadora de uma enorme placa: APRENDA AQUI, COMO MATAR, ESTRESSAR, BATER, BUZINAR , AGREDIR, MALTRATAR PESSOAS QUE ESTEJA EM SUA FRENTE NO TRANSITO.
Os carros utilitários ‘e  outra tragédia no transito, convencidos que são de que a entrega de seus produtos no tempo que eles querem, vale mais que qualquer obstáculo em sua frente, inclusive a vida de outras pessoas.
Sabemos que nada vai mudar depois deste cruel NÃO  ACIDENTE que vitimou os dois jovens. As buzinadas, zigues zagues, aceleradas e tregédias continuarão.
Estimular a família vitimada a perseguir a punição , no devido processo legal,   mostrar do que ‘e capaz de fazer de mal um veiculo em mãos de pessoas descontroladas, moto , carro ou bicicleta, e’ o dever de todos, começando em nossas casas.
Se não servirem para nós, , geração já perdida, aprovietarão  delas nossos filhos e  netos. Talvez...
Desta vez, para somar, vitimas e autores não são os NINGUEM dos extremos geográficos e econômicos das cidades grandes, cuja notícia de iguais tragédias somente chegam até nós pelos bilhetinhos  trazidos por pneus queimados pela indignação dos seus moradores que  todos os dias perdem pessoas para a brutalidade dos motoristas irresponsáveis.
De igual, dos de lá e de cá, o sofrimento de quem ficou para chorar as perdas , que atingem autores e vitimas.    E   as matérias da parte abutre, podre,  da mídia.

Doloroso. Aprendamos na dor, já que , no transito, não se quer aprender com respeito aos outos.

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