EU E A FOLHA
DO RECONCAVO
Valci
Barreto
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ApaixOnado
por leitura, esportes, cinema, textos, grandes reportagens, fotografias, desde
que me entendo por gente, o caminho natural seria um dia escrever. Fosse o que
fosses, fosse onde fosse.
Para evitar qualquer duvida, afasto-me da condição, de escritor. Eu apenas rabisco em
papeis e nas telas de computador, como agora faço.
Jornal , literatura, representa muito no meu
universo, desde que os vi pela primeira vez em cima do balcão da quitanda do
meu pai, acompanhado quase sempre acompanhado da Revista O Cruzeiro, e de um famoso Almanaque,
únicos impressos que chegavam, que eu me
lembre, aos meus olhos até os meus quatro, cinco anos de idade. O mais, de
impresso, ao meu alcance, eram as propagandas com fotos de políticos, que, confesso, também adorava,
velos colados nas cancelas da minha infância.
O amor ao
escrito , ã imagem, vem daí.
Pulando
muitos anos, e alguns textos que cheguei a publicar em cópias que espalho ainda
por ai, um conhecido gráfico de
Salvador, Waschinton, figuraço, da Gráfica
Arembepe, que fazia muitos impressos e
jornais do interior, instalou a sua gráfica ao lado da casa de meus pais, no Garcia,
pelos anos 80-90. Procurei-o para um orçamento para elaboração de um ZINE que
eu pretendia imprimir para distribuir na rua e por onde eu passasse. Sempre pensei, quando os meios me
permitiram: Não tenho A TARDE, O GLOBO,
mas vou ser “dono do MEU JORNAL”, denominando-o de MEU ZINE, que fez muito sucesso
nos corredores da Justiça do Trabalho e depois on line, entre amigos e colegas
advogados da Justiça do Trabalho.
Vi, na Gráfica
Arembepe, vários jornais de interior, perguntando ao waschington, se algum dos
seus proprietários não queriam uma colaboração minha em termos de textos de
temas livres.
Tornei-me
amigo de Eduardo, de O Candeeiro, de Candeias e do NEGAO, como era conhecido , o queridão Claudemiro.
Sua paixão pelo
SEU JORNAL, seu sorriso sempre aberto, sua simplicidade fizeram-me ajoelhar
aos seus pés de Clodo, admirador que sou
deste perfil de gente. O bom humor, a naturalidade e facilidade do contato ,
desde primeiro momento, que ao meu ver é
a marca fiel do que deve ser o SER
HUMANO.
No primeiro
dia já me casei com a Folha fiz os primeiros textos , tipo conselhos jurídicos para leigos em dirieto.
Desde então,
não parei mais de escrever,conversar,
estimular, divulgar, a Folha do Reconcavo, por onde ando.
Recentemente,
veio a falecer o querido NEGAO, e sua família ficou na duvida se continuaria
mantendo a Folha que Claudemiro , já havia
transformando em jornal on line, com numero de visitação crescente.
A decisão de
continuar veio muito da pressão natural de seus leitores, colaboradores, amigos
candeenses, que têm na
Folha do Reconcavo uma referencia , um
aliado, um componente, um ícone importante da sua história.
Aliada a
Folha às novas formas de comunicação, às redes sociais, e ao entusiasmo de seus familiares em manter
viva a memória, a obra de Claudomiro , a Folha não parou. Nem vai parar.
Os laços de união da família de Clodo, seu
amigos, colaboradores, leitores, com seus
braços cada vez mais abertos para novos colaboradores, estão cada vez mais fortes , mais seguros,
pisando cada vez mais firme.
Neste mês de
julho, formei-me em Jornalismo. E no meu texto de agradecimento estão impressos os nomes de Waschinton, Clodo , e a
Folha do Reconcavo entre os que me fizeram sentir Jornalista, mesmo antes do
Diploma.
Advogado
militante desde 79, continuarei fazendo advocacia e jornalismo. Aprendi com
Clodo, em uma das suas frases:
-Muita gente
me pergunta porque não ganho dinheiro com a Folha, reclamam que o jornal
precisa de um revisor de texto e de diagramação. Eles não entendem que eu não posso
pagar para ser bem feito . E que, por isto faço Jornal e Jornalismo, como ARTE.
Como se arte
também não precisasse de dinheiro, era
assim que fazia e pensava o Clodo da sua obra que eu considero o Jornalismo na sua mais pura : contando estórias
e historias de pessoas bem próximas, sem perdar o encanto e a paixo.
Segundo Confucio,” viva do que você gosta de
fazer que você não vai trabalhar nunca” . Poucos conseguem tamanha ventura .
Mas, quem não
consegue fazer para ganhar dinheiro, não deixa de ter grãos de felicidade, pode fazer o que gosta como arte, como hobby.
Clodo foi muito feliz nos momentos que fazia a Folha.
Sou feliz
vendo meu nome entre seus colaboradores, que no dia 03 de agosto de 2013 estará completando 38
anos de existência.
Com este
tempo, que para Valter Xeu é quase um milagre para jornais impressos no interior da Bahia, tem a FOLHA DO RECONCAVO, seus leitores, familiares de Clodo, candeeses, muitos motivos para uma comemoração,
por mais simples que seja.
Comemoraremos!
Eu já estou festejando, agora com meu canudo de
Jornalista que a Folha e clodo me fizeram sentir como tal, mesmo antes dele.
Vida longa
para a FOLHA DO RECONCAVO!
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