BIKE, BICICLETA, VALCI BARRETO , LITERATURA

7 de março de 2013

CICLOVIAS EM SALVADOR-NÃO ESPEREM PARA PEDALAR


CICLOVIAS-REDUTORES DE VELOCIDADE-CAMPANHAS EDUCATIVAS.

Não revisei nem organizei o texto. Vamos melhorando ...
Valci Barreto.
Todos os dias, há milhares de novos motoristas dentro de seus carros. Há milhares de “alunos”, aprendendo a : usar a buzina para chamar alguém no decimo segundo andar de um prédio; a buzinar para a criança aparecer na porta da escola; a buzinar para o carro, a bicicleta, a moto, o pedestre sair  da frente do veiculo.
A criança que está sendo levada por um transporte escolar, do pai , da mae, ou de empresa contratada, em carros que vão  ziguezagues, subindo em passeios, estacionando em cima de passeios, buzinando para vencer obstáculos ou para que as pessoas saiam da sua frente de qualquer jeito,  está “educando”, ensinando  as crianças a fazerem o mesmo.  
Estas crianças, que estão vendo seus pais, seus condutores, seus amigos vizinhos quebrando regras , a exemplo de não respeitar os passeios e faixas de pedestres, passam a ver o desrespeito a quebra de regra como a coisa mais natural do mundo.
Os que hoje assim procedem aprenderam as lições com seus pais e as reproduzem para seus filhos , netos.
Uma sociedade que usa os passeios como estacionamentos, impedindo a passagem do pedestres, que não atende ao semáforo, que acelera em vez de reduzir a velocidade antes do semáforo, cria em seus “alunos”, o mesmo instinto.
Estas mesmas pessoas, quando estiverem nas ciclovias, em bicicletas, procederão da mesma forma.
REDUTORES DE VELOCIDADE, PENA PARA O INFRATOR.
Uma grande metrópole como Salvador, que vive de Comercio , serviços e turismo, não pode ter, no centro da cidade, veículos transitando em alta velocidade. Regiões como Dique do Tororó, Nazaré, Pituba, -inclusive a orla- Barra, Liberdade, Cabula, Rio Vermelho, não pode ter veículos circulando em velocidades como 50,70 km. Esta velocidade, para um grande centro como Salvador, está condenada nos países civilizados. Ou pelo menos em cidades comprometidas com a vida, com a saúde das pessoas, com o espirito de humanização das cidades. Os novos caminhos são CIADADES PARA PESSOAS; E não CIDADES PARA CARROS PARTICULARES.
Deve-se privilegiar, nestes centros, o transporte urbano, a bicicleta, o taxi, o metrô.
Como não há metrô, nem transporte urbano decente, deve-se privilegiara  bicicleta para transportar pessoas, pelo menos para deslocamentos em pequenas distancias e para o transporte de uma pessoa só. Locais como Avenida Sete, o automóvel particular poderá muito bem se substituído por pequenos veículos, inclusive os  impulsionado por pedais .
O que não falta são projetos, ações de arquitetos humanistas mostrando os caminhos que não deve ser apenas o do veiculo motorizado.
Com redução da velocidade de veículos, construções de ciclovias em alguns espaços, ordenamento do transito de veículos para que este seja usado de forma responsável, e uma dose permanente e forte de boa educação, a consequência natural será o uso da bicicleta como meio de transporte  , desafogamento  do transito e uma cidade mais humana.
O mundo está cheio de grandes arquitetos  com projetos viáveis para uma vida melhor nas cidades .
Em Salvador, no papel, na prancheta também não tem faltado. Mas na pratica, o que tem acontecido de bom , de real é as pessoas estarem cada vez mais , de forma consciente e responsável, entendendo que dá para fazer, com bastante segurança, muita coisa em bicicleta.
CICLOVIA DA ORLA, COMO MODELO DE FALTA DE EDUCAÇÃO DE MUITOS CICLISTAS.
A ciclovia  da orla de salvador é um exemplo do que falamos. Comumente, observa-se ali ciclistas mal educados, agressores, fazendo daquele  espaço  seu local para treinos de corridas, buzinando com equipamentos sonoros  mais próprios para zona de guerra e caminhões do que para bicicletas; gritando, fazendo gestos para que outros ciclistas saiam da sua frente como se o espaço fosse somente dele, desrespeitando a velocidade, o rítimo dos outros ciclistas,  subindo nos espaços dos pedestres, exibindo  um comportamento que, quando nas ruas em bicicletas ,  não querem vê-los praticados pelos motoristas. Ou seja, exigem respeito dos motoristas e não respeitam os pedestres nem outros ciclistas.
Muitos destes ciclistas, cometendo o mesmo mal exemplo dos motoristas, estão ensinando seus filhos a terem igual comportamento agressivo.
Aí vem a relação bicicleta, ciclovia, educação.
De pouco adiantará uma ciclovia sem uma ampla campanha educativa para toda a população. Sem ela, as ciclovias serão palcos de acidentes, como são as pistas em relação aos carros.
O exemplo mais próximo para nós é a chamada ciclovia da Centenário. Brevemente deixará de ser espaço para bicicleta, tão tomada que já foi pelo pedestre. Como se trata, ao meu ver , de um parque de diversão e não de uma ciclovia propriamente,  nada contra que seja a pista compartilhada por pedestres e ciclistas. Porém, sem uma campanha educativa permanente em escolas, ruas, tv radio, o pedestre deixará, como acontece, o seu espaço para circular apenas na ciclovia, que é o que comumente acontece.
Nos horários de caminhadas, exercícios físicos, os pedestres ignoram, totalmente, que ali haja espaço para pedestre e para bicicleta, optando , ele pedestre, sempre e sempre, por caminhar ou correr no espaço da ciclovia. Ou seja, mesmo havendo espaço para a caminhada, o local escolhido é sempre a ciclovia. Ai, o ciclista , ou espera o pedestre seguir seu caminho, pois jamais atende a uma simples buzina, ou berra, ou escolhe o caminho do pedestres.
Por isto, vindo ou não as ciclovias, uma campanha educativa por parte do  cidadão de todos os seguimentos: barco, avião, duas rodas, quatro rodas, dos órgãos públicos será muito mais útil do que a construção de uma ciclovia para ciclistas atropelarem ciclistas e pedestres, como já fazem os carros nas pistas de veículos.
CICLOVIAS ELAS NÃO VIRÃO, COM CERTEZA, PARA SALVADOR.
Não falo isto por ser pessimista. Não é isto.  Há muitas questões impeditivas da construção de ciclovia: o orçamento é barato, não atraindo concorrentes; o seguimento de ônibus , que tem seus representantes em todos os órgãos públicos, que bancam fortunas para termos o transporte publico que temos, não vai querer perder a  economia que perderão para as bicicletas. Então, de tudo farão para que as ciclovias sejam apenas espaços distantes de passagens de ônibus e veículos . Já temos  o exemplo da ciclovia da orla: ótima, mas apenas na beira mar, quando poderia adentrar boca do rio, e outras áreas, ligando ciclovias da paralela, etc. Esta observação, faço aqui de forma bem simplificada. Mas há muitos outros obstáculos para que Salvador tenha suas ciclovias  como alternativa de meio de transporte.
A cidade, de característica medieval, em sua origem, em boa parte dela não há como ser construída ciclovia, exceto se forem impedidos os veículos de circular em muitas da suas ruas e becos, o que representa uma grande extensão da cidade, em relação ao seu centro.
VAMOS USAR AS PISTAS DE CARRO, MESMO SEM CICLOVIAS.
A lei autoriza que a bicicleta circule nas mesmas pistas que o carro. Para que , então , ciclovia e por que elas são necessárias?
Na visão de parte da sociedade, a ciclovia é necessária para dar segurança ao ciclista. Mas com a falta de educação do nosso povo no transito, a ciclovia será também um espaço de violência, de acidentes, de assaltos, fatos inibidores do uso da bicicleta, o que já acontece de forma acentuada na ciclovia da orla.
Mas há outra parte da sociedade que já se convenceu que o remédio está nas campanhas educativas, no sentido de que as bicicletas sejam aceitas como meio de transporte normal, podendo circular em qualquer pista destinada a carros, com as ressalvas de segurança e questões de ordem física, pratica, e de politicas publicas em relação ao transporte urbano.
Tudo é muito fácil quando sociedade e poder publico decidem o que querem.
No caso presente, o que a “sociedade do carro” quer é: transito desobstruído para seus veículos , estacionamentos gratuitos ou baratos, velocidade elevada em qualquer lugar e que não haja espaço para pedestres , motos, carroças; que lhe permitam estacionar em qualquer passeio.. –sabe-se que, se não houver porteiros firmes em prédios, os motoristas estacionam em frente a garagem sob aquele fundamento: é só um minutinho-  e que não haja  multa para as suas práticas condenáveis.-A imprensa baiana noticiou casos recentes  de agressões a agentes de transito que , cumprindo seu dever, tentaram  aplicar multas em motoristas infratores.
Qual a solução para o caso de Salvador, já que ciclovias , que atendam à demanda da nossa gente ,serão impossíveis de serem construídas?
A primeira é usarmos as bicicletas , com cuidado, atenção, nas mesmas pistas que o carro, porque autorizados por lei.
Usarmos a bicicleta de acordo com o que a lei já nos permite,  com o maior cuidado,  atenção, pensando sempre que o motorista baiano, tão cedo, jamais respeitará um ciclista; não competir nem correr riscos como temos assistindo: ciclistas  pedalando entre carros, inclusive com zigues zagues , piruetas e alta velocidade.
Desenvolver os ciclistas baianos, independentemente das campanhas publicas, campanhas educativas permanentes, fazendo o motorista entender que, quanto mais gente circulando em bicicletas pelas ruas, as possibilidades de desobstrução do transito aumentam. Que uma bicicleta circulando significa um carro a menos. Que, permitindo o uso da bicicleta, sem riscos de atropelos, milhares de pessoas, mesmo possuindo carro, vão preferir usar a bicicleta para pequenos trajetos, o que representará,  de imediato, em saldo positivo para desafogar o transito.
MASSA CRITICA-BICICLETADA SALVADOR.
A certeza de que as campanhas particulares resultam em grandes avanços podem ser sentidas, mesmo sem pesquisas, pelos resultados das  ações do Bicicletada Salvador, e massa critica.
Coincidência ou não, depois que este grupo passou a desenvolver ações cicloativistas mais contundentes, percebemos uma melhoria significativa dos motoristas na região entre Rio Vermelho e Campo Grande. Concidentemente, muito mais em relação aos motoristas que circulam pelo centro destes espaços, em que a maioria é de moradores, do que os que circulam pela  centenário e Vasco da Gama, por exemplo que é passagem de motoristas de outras regiões da cidade.
Deveriam os cicloativas baianos, partindo deste exemplo, desenvolver o mesmo tipo de ação por toda a cidade porque, se o bom exemplo se reproduzir, no sentido de que a bicicleta deve ser integrada ao transito de forma natural, normal, de que ela seja respeitada como um meio de transporte , as ciclovias poderão ser dispensadas.
Não somos contra as ciclovias e comemoramos se vierem. Porém , se você  ciclista , for esperar por ciclovia em Salvador para pedalar, talvez sua vontade seja atendida por seus netos e bisnetos.
Quem esperar por  ciclovias  para usar a bicicleta como meio de transporte em Salvador   já perdeu muitos anos de pedal e mais anos e anos perderá esperando.
Eu sou daqueles que espero por ciclovias. Mas espero pedalando. Elas, até agora, não me tem feito nenhuma falta. Agora, que pedalo com muita atenção, cuidado, imaginando sempre que todos os motoristas do planeta querem passar por cima de  mim, isto eu imagino para fugir deles.
Aos motoristas, falando de forma geral, da Barra, Vitoria, Ondina, Rio Vermelho, já estou agradecendo a muitos deles que já entenderam que a bicicleta transporta vidas.
Que o exemplo se reproduza. E se reproduzirá se as campanhas cicloativistas permanecerem .
E que os ciclistas , sobretudos os corredores , entendam que a ciclovia, mesmo da orla, não é pista  de corrida, de treino, nem picadeiro para piruetas em bicicletas. Sobretudo aprendam que acidentes em bicicletas podem também matar.












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